O Rio em volta da feijoada
No calendário afetivo e gastronômico do Rio de Janeiro, poucos encontros carregam tanta força quanto a feijoada de São Jorge. No dia 23 de abril, a cidade parece mudar de compasso, como se cada bairro encontrasse um mesmo ponto de convergência em torno de panelas fumegantes, mesas ocupadas e conversas que se estendem sem pressa. Não é apenas sobre comer bem, ainda que isso seja parte essencial do ritual. É sobre reunir gente, prolongar o almoço, brindar histórias e reconhecer, no prato, um símbolo que atravessa o tempo.
Ao santo guerreiro, celebrado com intensidade pelos cariocas, soma-se uma expressão culinária que traduz essa energia em forma de comida. A feijoada, densa e construída em camadas, assume o centro da cena. Bares e restaurantes entram no clima e fazem do preparo um gesto carregado de significado, respeitando ingredientes, tempos e a memória coletiva que sustenta o prato.
Entre as casas que mantêm essa tradição viva, o Capitanea Restaurante, na Freguesia de Jacarepaguá, reforça seu papel como ponto de encontro para quem busca mais do que uma boa refeição. Ali, a feijoada ganha contorno de experiência, daquelas que não se encerram no prato, mas continuam na conversa, no ambiente e na sensação de pertencimento que se cria ao redor da mesa. À frente da casa, o chef Mauro Florêncio conduz esse processo com atenção aos detalhes e respeito à cultura que envolve cada preparo.

A feijoada servida chega completa, sem atalhos. Arroz branco soltinho, feijão encorpado, couve mineira cortada fina, torresmo crocante, banana à milanesa, aipim frito e laranja para equilibrar. Cada elemento cumpre seu papel com precisão, formando um conjunto que aposta menos na surpresa e mais na consistência. O serviço em formato de buffet, por R$69,90, reforça a ideia de abundância e partilha, dois pilares que sustentam essa tradição.
Para Mauro, cada escolha carrega intenção, do ingrediente ao tempo de cozimento. Mais do que técnica, existe o cuidado de preservar o sentido coletivo da feijoada. Comer, nesse contexto, deixa de ser um ato individual e passa a ser um convite aberto, daqueles que aproximam e prolongam o momento. No dia 23, isso ganha outra dimensão, como se cada mesa ocupada ajudasse a contar um pedaço da história da cidade.
O que se vê, ao final, é um Rio que se reconhece nos seus rituais mais saborosos. A feijoada de São Jorge não é apenas uma tradição repetida ano após ano, mas uma prática viva, que segue reunindo diferentes gerações em torno de um mesmo gesto. Tradição, cozinha e encontro caminham juntos, transformando a cidade em um grande almoço compartilhado.
Capitanea Restaurante
Rua Araguaia, 1580 – Freguesia, Rio de Janeiro (RJ)
Horário de funcionamento:
Segunda-feira: 11h às 16h
Terça a quinta e domingo: 11h às 23h
Sexta e sábado: 11h às 00h
@capitanearestaurante
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