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Belo Horizonte,17/04/2026

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O que esperar do desfile de “A Nobreza do Amor” no Rio Fashion Week?

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O que esperar do desfile de “A Nobreza do Amor” no Rio Fashion Week?
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A passarela do Rio Fashion Week vai se transformar em um cenário de resistência, história e, acima de tudo, realeza.


Nesta sexta-feira (17), terceiro dia da semana de moda carioca, parte do elenco de “A Nobreza do Amor” desfila uma seleção exclusiva com 33 looks que narram a trajetória de Alika, protagonista interpretada por Duda Santos, que personifica a jornada da nobreza africana ao papel de liderança em solo brasileiro.




 


À CNN Brasil, Igor Verde, curador responsável pelo desfile, revela que a apresentação não é apenas uma mostra de figurinos, mas um manifesto visual sobre a sofisticação das culturas Banto, Iorubá, Nagô e Hauçá.


Diferentemente de um desfile de moda convencional, a seleção das peças foi guiada a partir do arco dramático da novela. Segundo Igor, o trabalho foi uma extensão da visão da figurinista Marie Salles e do diretor artístico Gustavo Fernandez.




Alika (Duda Santos), Cayman (Welket Bungué) e Niara (Erika Januza)
Alika (Duda Santos), Cayman (Welket Bungué) e Niara (Erika Januza) • Globo/ Estevam Avellar

“O meu trabalho foi olhar para essa evolução e fazer uma seleção de 33 looks que servissem como signos visuais capazes de perpassar toda a narrativa que estamos colocando na tela”, explica.


Na passarela, o público acompanhará o contraste entre a realeza de Alika em sua origem e a força de sua indumentária na resistência. Para garantir que o impacto da televisão fosse transposto com maior fidelidade na passarela, a equipe não alterou as peças, mas o ambiente.


“As peças são exatamente as mesmas que são usadas nas gravações. Na verdade, o que fizemos foi trazer um pouco da luz de cena para a passarela”, revela.




Jendal (Lázaro Ramos) e Dumi (Licínio Januário)
Jendal (Lázaro Ramos) e Dumi (Licínio Januário) • Globo/ Estevam Avellar

Luxo além do rústico


Um dos pontos centrais do desfile é o desafio ao estereótipo de que a estética africana se resume ao rústico. Para Igor, a nobreza da coleção reside na capacidade de criar beleza sob as circunstâncias mais adversas da história brasileira


A chave para manter conexão e autenticidade é pisar com respeito nesse chão. Nada é mais nobre e mais luxuoso do que o poder de construir beleza mesmo nas circunstâncias mais adversas. E foi exatamente o que esses povos fizeram, construíram soluções culturais e estéticas riquíssimas em solo brasileiro”, afirma.


Quem estiver com o olhar mais afiado e atento, também poderá notar mensagens em cada acessória e estampa. A cor vermelha – símbolo de nobreza e poder – domina a paleta, acompanhada de signos carregados de filosofia.


“Um deles é o próprio triângulo invertido, que é um forte signo do poder de criação do ventre, do feminino, do mistério do existir em si”, detalha o curador.


Ele destaca ainda o uso da Sankofa, símbolo que representa o aprendizado com o passado para construir o futuro, muito presente no imaginário do Rio de Janeiro.


Mais do que promover uma obra audiovisual, o desfile no Rio Fashion Week busca fincar uma bandeira sobre o que significa “ter estilo” em um país como o Brasil. Para Igor, a herança africana é o pilar inescapável de qualquer conceito de elegância nacional.


“Para que o Brasil seja livre, de fato, é imprescindível uma cultura brasileira livre. E não há povo de cultura livre que não tenha um pensamento próprio na hora de se vestir, um design seu, que reflete seus valores”, defende.


O convite de “A Nobreza do Amor” é claro: reconhecer a nobreza negra que corre nas veias do país como o verdadeiro caminho para a realização de sonhos e a construção do futuro da moda brasileira.


















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