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Belo Horizonte,13/04/2026

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A construção do amor-próprio na prática

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A construção do amor-próprio na prática
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“Em um mundo ideal, todos aprenderíamos na infância a amarmos a nós mesmos. Cresceríamos seguros de nosso valor e merecimento, espalhando amor aonde quer que fôssemos, deixando nossa luz brilhar. Se não aprendemos o amor-próprio na juventude, ainda há esperança. A luz do amor está sempre em nós, não importa quão fria esteja a chama.”



No livro “Tudo Sobre o Amor” (Editora Elefante), em que a escritora bell hooks apresenta a reflexão acima, a autora se debruça sobre uma ideia que, muitas vezes, passa despercebida: o amor como ação – não um sentimento passivo ou mágico, mas uma prática diária construída por escolhas. Frequentemente, repetimos quase como um “mantra” as frases motivacionais que nos convidam a reconhecer o próprio valor, mas como colocar isso em prática?


Para a psicóloga Adriana Santiago, o amor-próprio tem sido confundido com uma espécie de “licença poética” para evitar frustrações, quando na verdade, ele requer decisões difíceis e trabalho contínuo.


“Muitas vezes, isso é mais um impulso do que cuidado de verdade. É aquela parte da gente que busca prazer imediato, mas que não consegue sustentar uma vida que funcione no longo prazo”, explica.


Para construí-lo é preciso encarar sentimentos e situações que podem ser inicialmente desconfortáveis.



“É como querer ter um corpo malhado sem fazer exercício. Sem frustração, não há amadurecimento emocional. Sem limites, fica difícil se organizar internamente. E, sem algum desconforto, não há crescimento. Um amor-próprio que não suporta frustração é apenas autoestima inflada – e geralmente frágil.”



O impacto das escolhas cotidianas


No dia a dia, a autoestima não enfraquece de maneira dramática, como um grande evento. É por meio de vários comportamentos sutis, repetidos de forma automática e que se acumulam ao longo dos anos. “O cérebro aprende com repetição. E ele aprende rápido quando você se abandona com frequência”, afirma a psicóloga.


Isso pode levar a um processo lento e contínuo de enfraquecimento da própria identidade, no qual o cérebro registra algo como “eu não sou uma prioridade”.


“A autoestima não cai de uma vez: ela vai sendo minada, decisão após decisão. E quanto mais a pessoa se coloca em segundo plano, mais difícil se torna sair dessa posição, porque vira um padrão psicológico.”


Mas entender que algo não faz bem, não é o mesmo que conseguir mudar imediatamente. Quando, ao longo dos anos, os padrões emocionais são de subjugação, autossacrifício e busca por aprovação, o processo de mudança tende a exigir paciência.


“Além disso, há um componente importante: dizer “não” ativa ameaça de perda de vínculo, e o cérebro lê isso quase como risco de sobrevivência”, acrescenta Adriana.


Nesses casos, a pessoa pode até saber como gostaria de agir, mas o corpo trava, o medo pesa e surgem sentimentos de culpa e ansiedade.


“Quando alguém não coloca limite, não é falta de informação — é, muitas vezes, um sistema inteiro tentando evitar a dor. Em outras palavras: não é fraqueza moral. É o cérebro tentando não perder amor. Ainda que ao custo de perder a si mesmo.”


Priorizar a si mesmo


A psicóloga destaca que ao se colocar em primeiro plano, o corpo compreende com o tempo que a segurança pode ser construída internamente, com ações que reforçam um compromisso pela busca do bem-estar.



“Quando alguém se prioriza, passa a se sentir mais alinhado consigo mesmo e a lidar melhor com as próprias emoções. As relações tendem a ficar mais equilibradas, porque deixam de ser baseadas autoabandono e, paradoxalmente, sobra mais disponibilidade genuína para o outro.”



A psicóloga relembra que fortalecer o amor-próprio não é sentir-se bem o tempo todo, mas se tratar como alguém que importa, agindo como quem cuida, protege e direciona a si mesmo. O amor-próprio na prática, possui diferentes ações de autocuidado:



  • Cuidar das necessidades básicas: sono, alimentação e atenção à saúde emocional são a base do bem-estar;

  • Identificar padrões de comportamento: observar o que se repete nas suas escolhas ajuda a interromper ciclos que não fazem bem. Ao fazer isso, tente nomear o que está por trás da decisão, como “estou dizendo sim por medo de desagradar”;

  • Respeitar os seus limites: reconhecer até onde você consegue ir, tanto física quanto emocionalmente, e ouvir o corpo. Não é necessário começar pelos grandes enfrentamentos. Pequenos “nãos”, como negar um favor ou recusar um convite, já fazem a diferença;

  • Desenvolver tolerância ao desconforto: há escolhas que podem ser difíceis no momento, mas trazem resultados positivos a longo prazo;

  • Sustentar combinados: acordar no horário planejado, terminar uma tarefa ou evitar adiar algo importante fortalece a percepção de que você pode contar consigo mesmo. Para ganhar ritmo, comece com um acordo por dia;

  • Reduzir a escala das promessas: parar de prometer grandes viradas de comportamento e começar com acordos possíveis. Não é “vou mudar minha vida”, mas “hoje vou sustentar um único limite pequeno”;

  • Estabelecer relações mais equilibradas: a forma como você se relaciona impacta a maneira como se trata. Isso envolve, por exemplo, se afastar de contextos que desrespeitam seus valores e priorizar vínculos com mais reciprocidade;

  • Desenvolver uma postura mais honesta consigo mesmo: reconhecer, com gentileza, o que precisa mudar, como admitir que algo não está funcionando ou assumir pequenas mudanças no próprio comportamento;

  • Ajustar a régua interna: autocompaixão não é justificar tudo, mas não se agredir enquanto aprende.


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