“Os Testamentos” renova universo de “Handmaid’s Tale” com revolução jovem
A continuação do fenômeno distópico visto em “The Handmaid’s Tale” chega com novas vozes em “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”. O spin-off estreou na plataforma de streaming Disney+ na última quarta-feira (8) continuando a luta pela derrocada de Gilead com novas protagonistas — que trazem diferentes perspectivas sobre o que pode vir a ser a revolução.
Inspirada no romance homônimo da autora Margaret Atwood — que também escreveu “The Handmaid’s Tale” — “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead” avança cerca de cinco anos no tempo para mostrar como o regime teocrático começa a ruir por dentro, agora sob o olhar de adolescentes e jovens mulheres que cresceram sob as regras rígidas de Gilead.
Na nova trama, as jovens Agnes Mackenzie (Chase Infiniti) e Daisy (Lucy Halliday) estão em processo de amadurecimento em meio à nova era de Gilead. Enquanto a primeira é obediente e devota, a segunda é uma convertida recém-chegada de fora das fronteiras do local. Estudantes da brutal escola para futuras Esposas, elas formam um vínculo que abala seu presente, futuro e até passado.
“A única memória de vida delas, a única coisa que realmente lembram, é Gilead e as regras de Gilead. Essas são jovens mulheres que construíram uma vida ali. Elas são felizes, encontraram uma forma de ser felizes, e isso é absolutamente fascinante para mim. E essa é a perspectiva que você precisa realmente compreender: como elas estão bem com isso?”, disse Bruce Miller, roteirista da série, em entrevista à CNN.
“É aí que descobrimos na série que o que elas fazem por Gilead é sacrificar toda a individualidade delas. Mas acho fascinante a perspectiva delas ao perceberem que isso está vindo, porque nós, como público, estamos um pouco à frente delas em relação ao que está por vir e o quão ruim isso realmente é. O ponto de vista dessas jovens — e também da Tia Lydia — é limitado, e isso torna a série interessante e assustadora”, complementou o profissional.
Frescor e esperança ao mundo de “The Handmaid’s Tale”
Essa mudança de perspectiva traz frescor à trama e aproxima a história de discussões contemporâneas, como o papel da juventude em movimentos políticos e sociais. A série também busca mostrar que, mesmo em um regime opressor, novas gerações encontram brechas — e coragem! — para desafiar estruturas consolidadas.
Seja na fotografia, ou na trilha sonora da série, houve a intenção de criar mais esperança ao movimento. As imagens na tela são mais vívidas, e as canções remetem à juventude. Logo no primeiro episódio, por exemplo, há o uso de “Dreams”, faixa da banda The Cranberries, hino que descreve a mistura de encantamento, transformação pessoal e o medo.
“A chave foi pegar o que aprendemos em ‘The Handmaid’s Tale’ sobre como criar tensão e usar isso aqui para brincar com essa sensação — e criar esperança. E essas personagens são cheias de esperança, então o ponto de vista delas nos ajuda nisso. A música, a trilha sonora, a fotografia, tudo vem do ponto de vista delas. É como essas jovens veem o mundo. A esperança vem do espírito delas e, sabe, desse jeito de ser de garotas de 15 anos”, disse Miller.
“Sabemos que existem ameaças que vão tentar detê-las, mas essa esperança faz você pensar: talvez elas não sejam impedidas.”
As próprias Aias, centro da narrativa em “The Handmaid’s Tale” sempre destacadas com vestes vermelhas, não são mostradas no spin-off.
“Você nunca verá o manto vermelho em ‘Os Testamentos’. Ele não está lá. Estamos construindo um mundo diferente. Ele está relacionado ao que vimos há 3 ou 4 anos na linha do tempo? Sim, está relacionado, Gilead ainda existe. Mas é um lugar diferente, em um tempo diferente, com — como o Bruce disse — uma perspectiva diferente”, destacou o produtor executivo Warren Littlefield.
Ann Dowd e Elisabeth Moss de volta
Embora o protagonismo mude de mãos, a série não abandona completamente figuras conhecidas. Personagens icônicos retornam, conectando passado e futuro da narrativa.
Elisabeth Moss volta, de surpresa, a dar vida a June Osborne, seguindo a jornada de acabar com Gilead. Além de acabar com o sistema opressor que perdura, ela deseja finalmente libertar a filha — que não conseguiu salvar em “The Handmaid’s Tale”.
Ann Dowd aparece em todos os episódios do spin-off como a infame Tia Lydia. À CNN, ela também comentou sobre os “novos ares” da história.
“Acho que o tempo entre ‘The Handmaid’s Tale’ e ‘Os Testamentos’ dá a Lydia a chance de refletir: quem eu quero ser agora? Em que quero focar?”, destacou a artista. Segundo ela, foi necessário explorar um lado mais “gentil” da personagem.
“Ela não trabalha mais com as aias — não que elas não existam, elas existem –, mas seu foco agora são as filhas dos comandantes. Então, sua energia é diferente. E acho que ela é uma pessoa mais gentil, mais vulnerável do que vimos em ‘The Handmaid’s Tale’.”
Ao todo, “Os Testamentos” terá oito episódios, que serão lançados semanalmente às quartas-feiras.





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