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Belo Horizonte,10/04/2026

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Novelinhas de frutas com IA viralizam e viram estratégia de marketing; especialistas comentam

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Novelinhas de frutas com IA viralizam e viram estratégia de marketing; especialistas comentam
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O varejo brasileiro encontrou um novo — e inusitado — protagonista para suas campanhas digitais em 2026: frutas antropomórficas com dilemas morais. O fenômeno das "novelinhas de frutas", protagonizado por personagens como Abacatudo e Moranguete, deixou de ser apenas um meme no TikTok e Instagram para se tornar uma ferramenta estratégica de marketing. Criados com auxílio de Inteligência Artificial (IA), esses personagens simulam melodramas televisivos, com tramas de traição e vingança que prendem a atenção dos usuários e potenciais clientes.
O movimento ganhou força com o reality fictício "Fruit Love Island", publicado pelo perfil Ai Cinema no TikTok — o primeiro episódio soma mais de 35 milhões de visualizações. Segundo dados do Google Trends, termos como "foto do abacatudo", "novela das frutas" e "moranguete e bananudo" atingiram picos de pesquisa nos últimos dias.
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Gigantes como o Carrefour e o iFood já incorporaram a estética. No caso do marketplace de entregas, a personagem Moranguete protagoniza uma trama de traição ao descobrir que o parceiro cadastrou um novo endereço no aplicativo. O SBT chegou a "contratar" o abacate para seu corpo de funcionários em vídeos de bastidores, enquanto o Burger King utilizou alface, tomate e cebola para ironizar ingredientes artificiais.
A tendência, porém, não se restringiu ao setor alimentício. Pequenos empreendedores de serviços, como farmácias, lojas de roupas e profissionais de estética, adaptaram o formato. Lash designers e nail designers agora publicam conteúdos onde a Moranguete aparece deitada na maca de procedimentos ou segurando sacolas de compras.
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Embora o impacto direto no faturamento ainda não seja mensurável no curto prazo, os negócios ouvidos pela reportagem de PEGN relatam um salto imediato em métricas de visibilidade. Houve aumento orgânico no número de seguidores, curtidas, compartilhamentos e, principalmente, no volume de orçamentos solicitados via mensagens diretas.
Apesar de terem surgido como entretenimento "inofensivo" nas redes, as frutinhas de IA já se converteram em um modelo de negócio lucrativo para infoprodutores. Segundo informações do portal G1, plataformas como a Hotmart já hospedam cursos como o "Método Frutas Virais", ofertado por valores que variam entre R$ 6,90 e R$ 47. A promessa é ensinar qualquer usuário a criar seus próprios personagens e monetizar em dólar como uma forma de "renda extra".
Na descrição desses métodos, os programas garantem capacitar o aluno a "criar personagens que prendem a atenção" e "montar cenas com alto potencial de viralização", transformando perfis comuns em "máquinas de conteúdo". O grande atrativo para muitos é a possibilidade de operar no anonimato, faturando com a visualização dos vídeos sem precisar aparecer diante das câmeras.
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Por que funciona?
Para Karin Müller, coordenadora dos cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo e coordenadora do curso de pós-graduação em Comunicação Corporativa e da pós em Jornalismo Digital e Narrativas Interativas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o sucesso do formato não é acidental. "As novelinhas ganharam um espaço gigante porque o público já consome pequenas e fortes intrigas rotineiras nos streamings e redes sociais", explica Müller. Segundo a especialista, o formato de capítulos curtos e reviravoltas rápidas já faz parte do hábito de consumo em movimento, pelo celular.
Müller alerta, entretanto, para o risco de infantilização. Se a estética for excessivamente infantil, marcas que tratam de assuntos sérios podem perder credibilidade. "O humor é o ingrediente essencial para a mensagem ser compreendida, mas o conteúdo deve ser estratégico. A marca se mostra moderna e antenada, mas os valores não podem se perder apenas para atender a uma tendência que não está no seu posicionamento", afirma.
Para transformar o engajamento em relacionamento de longo prazo, Müller destaca que a marca precisa estar presente para além do vídeo viral. "O segredo é comentar, responder rapidamente via mensagens diretas e ter estratégias de cliques nos stories para a retenção de leads. O faturamento não é imediato, mas a marca se torna mais próspera diante da concorrência ao ser percebida como simpática e atenciosa em todos os canais, do WhatsApp à loja física", diz a coordenadora.
De quem é a 'Moranguete'?
A rapidez na criação desses conteúdos esbarra em uma zona cinzenta: a propriedade intelectual. No Brasil, a Lei nº 9.610/98 estabelece que direitos autorais protegem criações do espírito humano. Por isso, conteúdos gerados integralmente por IA, sem curadoria ou edição significativa, não possuem proteção legal de autoria.
Mariana Piovezani Moreti, advogada especialista em Propriedade Intelectual no setor de entretenimento e integrante do escritório Balconi & Moreti, esclarece que a autoria não pode ser atribuída à máquina. "O autor será a pessoa humana que efetivamente contribuiu com a criação intelectual. Quem apenas insere um prompt simples dificilmente será considerado autor", diz. Ela ressalta que, quanto mais o usuário atua definindo roteiro, narrativa e edição, maior a probabilidade de a obra ser parcialmente protegida.
O risco para o empreendedor aumenta quando a "inspiração" vira cópia. "Ideias genéricas como 'frutas humanizadas' são livres, mas personagens com personalidade definida, nome distintivo e histórico narrativo podem ser enquadrados como obras protegidas", alerta a advogada. Moreti destaca que o uso comercial eleva significativamente o risco jurídico e pedidos indenizatórios.
"A responsabilidade recai principalmente sobre quem utiliza e divulga, especialmente se houver monetização. A plataforma de IA costuma limitar sua responsabilidade nos termos de uso", afirma.

Ela recomenda atenção redobrada aos termos de uso das ferramentas, que definem quem pode explorar o conteúdo comercialmente e quais licenças são concedidas à plataforma. "A segurança está em manter uma identidade própria e evitar aproximações excessivas que permitam reconhecimento direto de personagens de terceiros", conclui.
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Como usar a IA sem riscos
Identidade própria: Evite copiar personagens famosos como o "Abacatudo" original. Use a IA para criar frutas com características exclusivas da sua marca.
Intervenção humana: Não publique o que a IA gera de primeira. Edite o roteiro, adicione elementos visuais da sua loja e direcione a narrativa para garantir que o conteúdo seja considerado uma criação sua.
Foco no relacionamento: Use a "fofoca" para atrair o público, mas responda a todos os comentários e mensagens diretas para converter a curiosidade em atendimento.
Atenção aos termos: Leia os termos de uso das ferramentas de IA (como ChatGPT, Midjourney ou Runway) para verificar se elas permitem o uso comercial das imagens geradas.
Passo a passo: como criar sua própria "novelinha" de IA
Para os empreendedores que desejam entrar na tendência, a criação exige o uso combinado de ferramentas de geração de imagem e animação. Confira as etapas para produzir um vídeo de impacto:
Captura da cena real: O primeiro passo é ter uma foto de boa qualidade onde você (ou o profissional) apareça interagindo com o ambiente de trabalho ou com um cliente. Essa imagem servirá de base para a IA mesclar a ficção com o mundo real.
Geração do personagem: Utilize ferramentas como Gemini ou ChatGPT. Faça o upload da sua foto real e, em seguida, da foto do personagem (como a Moranguete). Insira um prompt detalhado descrevendo a cena — por exemplo, substituindo a cliente na maca pela fruta humanizada.
Animação e movimento: Com a imagem estática pronta, utilize plataformas de animação como o Google Labs (Flow). Faça o upload da imagem e utilize comandos específicos de frames para dar vida ao personagem. É nesta etapa que você define o roteiro da fala e os movimentos faciais.
Edição e sonorização: Após baixar o vídeo animado, utilize editores simples como o CapCut para adicionar a trilha sonora. O uso de músicas virais (como o funk característico da tendência) é essencial para o algoritmo das redes sociais distribuir o conteúdo.
Personalização: Altere as falas para que o personagem cite o nome do seu negócio ou uma promoção específica, garantindo que o vídeo não seja apenas entretenimento, mas uma peça de divulgação direta.




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