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Belo Horizonte,10/04/2026

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Do call center ao ateliê em casa: artesã viraliza com bonecos estilo 'Funko Pop' após vídeo de Liniker

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Do call center ao ateliê em casa: artesã viraliza com bonecos estilo 'Funko Pop' após vídeo de Liniker
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No dia 20 de março de 2026, a artesã Joyce Pereira Martins, 32 anos, viu seu faturamento e visibilidade saltarem após publicar um vídeo de um boneco personalizado da cantora Liniker. O conteúdo atingiu 833 mil visualizações no Instagram, gerando um volume de encomendas na primeira semana de abril superior a todo o mês de março.
À frente da marca A Margarida, em São Paulo, Martins fatura em média R$ 4 mil mensais — chegando a R$ 8 mil em picos sazonais — produzindo colecionáveis de biscuit que preenchem uma lacuna de mercado: personagens e pessoas reais que não existem nas linhas oficiais de grandes fabricantes.
A escolha do nome da marca reflete a intenção de Martins de criar uma identidade acessível e versátil. Apaixonada por plantas, ela buscava um nome genuinamente brasileiro e de fácil pronúncia, que pudesse ser acompanhado por uma identidade visual amigável — hoje representada por uma flor com a letra "A" no centro.
O complemento "faz", que compõe o nome nas redes sociais, surgiu inicialmente por uma limitação técnica de disponibilidade de usuário no Instagram, mas acabou se tornando uma escolha estratégica de negócio. "Veio pro caso de, de repente, se um dia eu quiser fazer um rebranding e mudar o que eu faço na marca. Posso mudar tranquilamente, já que o biscuit não está no nome", explica a empreendedora.
A trajetória de Martins no empreendedorismo não foi linear. Antes do artesanato, ela trabalhou por cerca de sete anos na área de vendas e telemarketing, chegando ao cargo de supervisora. Sem formação superior, ela credita à experiência no call center a habilidade de negociação que utiliza hoje. No entanto, a pressão do setor cobrou um preço alto.
Em 2020, à beira de um burnout, Martins decidiu mudar de rumo. O estalo veio de forma inusitada: uma supervisora que saía de licença-maternidade presenteou a equipe com bonecos de biscuit. "Uma amiga disse que aquilo era a minha cara, que eu tinha que ir para o artesanato. Comprei um kit básico, gostei da massa e decidi entrar na área", relembra Martins.
A primeira tentativa, contudo, falhou. Por falta de conhecimento em gestão, a artesã faliu sua primeira empresa em 2022. "Eu não sabia gerenciar nada. Voltei para o regime CLT de forma provisória para me sustentar e guardei todo o meu material", conta. O retorno definitivo ocorreu durante a pandemia, quando o trabalho em regime home office permitiu que ela retomasse a produção de forma gradual até consolidar o ateliê atual.
Embora hoje os bonecos no estilo "Funko Pop" sejam seu carro-chefe, a primeira venda de Martins foi uma caneca de vidro decorada para uma amiga tatuadora. O ingresso no mundo dos colecionáveis aconteceu por demanda espontânea de uma cliente, que solicitou um topo de bolo de casamento com as características dos bonecos cabeçudos.
"Eu nem sabia o que era um 'Pop' na época, nem que existia um universo de colecionadores. Fiz do jeito que deu, achei que ficou lindo, e as pessoas começaram a achar interessante porque muitos personagens específicos não existem oficialmente ou são caros demais", explica Martins.
Operação enxuta e o impacto do viral
Hoje, Martins opera sua pequena empresa sozinha em um cômodo de sua casa, dividindo-se entre a produção manual, a limpeza do lar e a criação de conteúdo para as redes sociais. O Instagram é seu único canal de vendas.
O vídeo da peça inspirada em Liniker trouxe o que ela chama de "viral qualificado". Diferente de experiências anteriores no TikTok, que atraíram um público jovem sem poder de compra, o engajamento atual se converteu em clientes reais.
"Senti que neste início de abril já tive uma busca maior. Já fechei mais encomendas do que em março inteiro", afirma a artesã.
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A produção é organizada em quinzenas, respeitando o tempo de secagem do biscuit, que varia de acordo com o clima. Martins produz entre 10 e 15 peças por mês, enviando os produtos por transportadoras parceiras para todo o Brasil e para o exterior, com envios já realizados para Portugal, França e Estados Unidos.
Os preços das peças variam conforme o nível de detalhamento e o tempo de produção exigido. O modelo Pop, com traços mais simplificados e que concentra a maior parte dos pedidos, parte de R$ 320. Já o modelo Chibi, com acabamento mais delicado e olhos pintados à mão, começa em R$ 360. Em casos de maior complexidade, como peças com acessórios adicionais, pintura manual elaborada ou cabelos esculpidos — a exemplo da boneca inspirada na cantora Liniker —, o valor se mantém a partir de R$ 360, podendo aumentar de acordo com as especificidades de cada encomenda.
O faturamento oscila conforme a época do ano. Enquanto os meses de férias apresentam queda nas encomendas, o mês de dezembro de 2025 registrou um pico de R$ 8 mil. "Estou bolando estratégias para ter um faturamento médio que não varie tanto de um mês para outro", diz Martins.
Para escalar o negócio sem depender exclusivamente de sua capacidade física de produção, Martins planeja lançar produtos digitais ainda em 2026. O projeto inclui um planner específico para artesãos e a venda de arquivos digitais de caixas personalizadas para outros profissionais do setor. "Até junho ou julho, quero encaminhar essa parte de ter uma renda passiva. E, para o final do ano, pretendo iniciar cursos focados em noivinhos colecionáveis", projeta.




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