Adega do Sandi Hotel no mapa dos grandes vinhos em Paraty
Há vinhos que chegam. Outros quase não chegam nunca. Quando um rótulo do Domaine de la Romanée-Conti aparece fora da Borgonha, não é só logística, é acontecimento. Em Paraty, o Sandi Hotel abre essa exceção ao incluir em sua carta o Vosne-Romanée 1er Cru Cuvée Duvault-Blochet 2020, um vinho que carrega mais história do que volume e mais mito do que escala.
A Borgonha, onde ele nasce, é um lugar onde o mapa vale mais que o tamanho. Ali, um vinhedo pode ser menor que um quarteirão e ainda assim definir o destino de um vinho. O nome Duvault-Blochet, que batiza a cuvée, remete a um dos personagens centrais dessa história, Jacques-Marie Duvault-Blochet, figura-chave na consolidação do que hoje se tornou o império silencioso da Romanée-Conti. Não é um vinho qualquer dentro do portfólio. É uma espécie de síntese, um recorte de parcelas que não entram nos rótulos mais icônicos, mas que carregam o mesmo rigor quase obsessivo.
Rigor que, aliás, explica a raridade. A produção é mínima, a distribuição ainda mais. Não há campanha, não há marketing. O vinho simplesmente existe e circula entre poucos. No Brasil, aparece em dois endereços. Um deles é o Oteque. O outro, agora, está em Paraty.

O movimento diz muito sobre o momento. Durante décadas, grandes vinhos no país ficaram restritos a caves privadas ou a restaurantes muito específicos nas capitais. Quando um destino histórico como Paraty entra nesse circuito, a lógica muda. O vinho deixa de ser apenas objeto de desejo e passa a ser parte da experiência de viagem.
No Sandi, ele encontra cenário. Instalado em casarões coloniais, com paredes que já viram outros ciclos econômicos passarem, o hotel constrói sua narrativa sem pressa. A nova adega, integrada ao projeto gastronômico do Quadrado Mágico, funciona quase como uma sala de leitura líquida. São mais de cem rótulos que cruzam estilos e geografias, de ícones de Bordeaux como Château Lafite Rothschild e Château Margaux até nomes cultuados como Petrus, passando por garrafas que já tocaram a nota máxima de Robert Parker.
Mas talvez o detalhe mais curioso esteja no serviço. Tudo é servido em taças Zalto, feitas a partir de proporções quase matemáticas, pensadas para conduzir o vinho com o mínimo de interferência. Não é preciosismo. É coerência. Quando se trabalha com vinhos desse nível, cada variável importa, inclusive o ar que entra na taça.
O preço da garrafa, na casa dos oito mil reais, é quase um rodapé diante da história que ela carrega. Porque no fim, o que está em jogo não é só acesso, é contexto. Beber um DRC em Paraty não é apenas abrir uma garrafa rara. É colocar esse vinho em diálogo com o calor úmido da cidade, com o sal do ar, com o tempo mais lento das ruas de pedra.
@sandihotel
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