Trump precisava do cessar-fogo o quanto antes, diz professor ao WW
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisava do cessar-fogo com o Irã o “quanto antes”, afirmou Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, ao WW.
Na noite desta terça (7), Irã e Estados Unidos concordaram em uma pausa de 15 dias no conflito iniciado em fevereiro. O acordo, mediado pelo Paquistão, também prevê a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz em coordenação com as Forças Armadas iranianas.
Antes do anúncio da trégua, Trump havia ameaçado que “uma civilização inteira” morreria nesta noite, “para nunca mais ser ressuscitada”. A declaração, para Zahreddine, era um sinal do desespero do líder.
“E a fala deslocada de Trump hoje era a manifestação clara da vontade que ele tinha de alcançar um cessar-fogo. A maneira que ele coloca a questão cria uma ameaça aleatória, imprevisível, surreal, põe o mundo numa condição de imprevisibilidade”, apontou.
A frase gerou alarme na oposição de Trump nos Estados Unidos. Mais de 70 parlamentares democratas pediram a remoção dele da Casa Branca, ou por um impeachment, ou por meio da 25ª emenda da Constituição – na qual afirma que o presidente se tornou “inapto” para o cargo.
O professor e prêmio Nobel de economia, Paul Krugman, disse que, para ele, os EUA “passam pelo seu momento mais sombrio”.
Diante desse duro cenário, o professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Carlos Frederico Coelho, aponta que, além de derrotas no campo militar, os americanos também saem derrotados do campo político.
“Há um dano reputacional aos Estados Unidos que vai demorar muitos e muitos anos para ser minimizado, para além de derrotas estratégicas em toda a parte. Derrota estratégica com aliados na Otan, com o entorno da região (Oriente Médio), politicamente interna e, muito provavelmente, nas eleições legislativas de meio termo”, afirmou ao WW.
Segundo pesquisa da revista The Economist em parceria com a YouGov, 53% da população rejeita o conflito. Entre os eleitores independentes, 57% se dizem desfavoráveis.
Coelho disse que é possível visualizar um cenário de fim completo dos ataques. “Talvez Trump tenha criado espaço retórico mínimo necessário, em sua cabeça, para proclamar vitória e sair do conflito. E dizer que isso só está acontecendo porque ele ameaçou acabar com a civilização iraniana”, destacou.
Nessa conjuntura, tanto a pausa temporária, quanto um possível acordo completo, parece mais positiva ao Irã do que aos Estados Unidos, explicaram os especialistas.
Isso porque, o regime dos aiatolás, por meio do fechamento do Estreito de Ormuz, conseguiu estrangular a economia global, elevando preços do petróleo e causando disrupções em cadeias produtivas. Esse movimento deixou Teerã em uma posição geopolítica mais forte do que antes, com mais capacidade de infligir dor ao cenário econômico global.
Para Zahreddine, a resistência do regime iraniano deixou o país em uma posição “muito melhor” para negociar uma paz duradoura.
“Mesmo com o enfraquecimento evidente do ponto de vista da infraestrutura militar e econômica do país, a guerra é uma continuidade da política. E, politicamente, quando nós comparamos os dois, esse cessar-fogo dá aos iranianos uma capacidade de negociação muito melhor do que ele tinha no dia 28 de fevereiro, quando a guerra começa”, disse o professor da PUC-Minas.
“Mesmo a partir de assassinatos em série, o regime se mostrou resiliente o suficiente e, mesmo tendo múltiplas derrotas operacionais, estrategicamente, o próprio presidente Trump diz que a paz duradoura será negociada a partir dos 10 pontos iranianos”, afirmou Coelho.
Trump afirmou, em postagem nas redes sociais, que os EUA receberam, por meio do Paquistão, um documento com uma dezena de reivindicações iranianas, que tratou como uma “base viável para negociação”.
Entre as condições, está uma garantia de que o Irã não será mais agredido, manutenção do controle do país no Estreito de Ormuz, além do levantamento das sanções primárias e secundárias contra o país. Uma delas é a aceitação do enriquecimento de urânio por parte dos iranianos – algo que, antes, era visto como uma barreira no governo americano.
* com informações de Lourival Sant’Anna, da CNN Brasil





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