Cessar-fogo é favorável ao poder de negociação do Irã, diz especialista
O cessar-fogo recentemente estabelecido no Oriente Médio coloca o Irã em uma posição de vantagem nas negociações diplomáticas, segundo avaliação do professor de Relações Internacionais da PUC Minas, Danny Zahreddine. Em entrevista ao WW, o especialista destacou que a pausa no conflito, que já durava cerca de 40 dias, beneficia consideravelmente os interesses iranianos.
“Vejo [a pausa] muito favoravelmente ao Irã, porque nos últimos dias houve uma tentativa persistente dos Estados Unidos de encontrar um cessar-fogo e uma negativa persistente também do Irã de não aceitar”, explicou Zahreddine. Segundo ele, a estratégia iraniana de envolver o sistema mundial no curso da guerra foi determinante para o atual cenário.
O especialista também comentou sobre o papel do presidente dos Estados Unidos na situação. “A fala translocada do presidente americano, Donald Trump, nesta terça-feira (7), era a manifestação clara da vontade que ele tinha de alcançar um cessar-fogo”, afirmou. De acordo com Zahreddine, as declarações americanas criaram “uma ameaça aleatória, imprevisível, surreal, que põe o mundo numa condição de imprevisibilidade”, revelando a urgência americana em pausar o conflito.
Fortalecimento da posição iraniana
Apesar do evidente enfraquecimento da infraestrutura militar e econômica do Irã durante o conflito, Zahreddine ressalta que a guerra é uma continuidade da política, e politicamente o país saiu fortalecido. “Quando nós comparamos os dois, esse cessar-fogo dá aos iranianos uma capacidade de negociação muito melhor do que ele tinha no dia 28 de fevereiro, quando a guerra começa”, observou.
O professor destacou ainda a surpreendente aceitação americana dos pontos propostos pelo Irã nas negociações. “Eu concordo que os 10 pontos enviados ali para Washington é algo surpreendente, como o presidente Trump disse, que é aceitável receber a proposta iraniana”, comentou. Para ele, este é mais um indicativo de que o cessar-fogo “coloca na mesa uma condição muito mais favorável para o Irã e que, de fato, põe em xeque o desastre que foi a liderança americana nesse conflito”.
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