Este empresário fundou startup com ajuda de IA e projeta faturar cerca de R$ 9,2 bilhões neste ano

Com investimento inicial de US$ 20 mil (cerca de R$ 100 mil) e com o uso de 12 ferramentas de inteligência artificial, Matthew Gallagher, 41 anos e pai de dois filhos, fundou a Medvi, fornecedora de serviços de telemedicina focada em perda de peso à base de GLP-1, e conquistou 300 clientes em um mês.
Matthew Gallagher, fundador e CEO da Medvi
Reprodução / Linkedin
Trajetória até fundar a startup
Gallagher começou cedo na tecnologia. Aos 12 anos, já programava usando um laptop que ganhou do tio. Ele sempre dava um jeito de ganhar dinheiro, criando sites para empresas locais ou comercializando velas e espadas de samurai no eBay. Aos 18, vendeu seu primeiro negócio de hospedagem por US$ 6 mil (R$ 30,8 mil). Em 2016, após uma tentativa frustrada como ator em Los Angeles, fundou a Watch Gang, uma startup que vendia relógios de pulso por assinatura e, que apesar de ter 60 funcionários, não gerava lucro.
A virada de chave veio com o lançamento do ChatGPT em 2022. Inspirado pela IA e por parcerias estratégicas (CareValidate e OpenLoop), Gallagher fundou a Medvi, uma startup de telemedicina focada em medicamentos para emagrecer (GLP-1). O diferencial foi que ele usou IA para substituir quase toda a estrutura corporativa tradicional.
Diretamente da sua casa em Los Angeles (EUA), Gallagher, usou a tecnologia em todas as etapas da criação da empresa, desde a escrita do código do software até a criação de vídeos e fotos para os anúncios e atendimento ao público. Ele desenvolveu sistemas de IA para analisar o andamento dos negócios e terceirizou serviços que não conseguiria realizar sozinho.
No primeiro mês da empresa, conquistaram 300 clientes. No segundo mês, a clientela mais que triplicou chegando em 1 mil. Em 2025, o primeiro ano completo de operação, a startup alcançou US$ 401 milhões (R$ 2,1 bi) em vendas.
Com o crescimento, Gallagher contratou um único funcionário, seu irmão caçula, Elliot, que intercepta e filtra comunicações para que o CEO possa se concentrar em suas prioridades. Para este ano, eles pretendem faturar US$ 1,8 bi (R$ 9,2 bi).
Empresas bilionárias com a ajuda de IA
Em 2024, Sam Altman, CEO da OpenAI, já tinha previsto o surgimento de uma geração de empresas supereficientes. "Há uma década, teríamos pensado que uma empresa de uma só pessoa não teria qualquer chance de atingir uma avaliação de um US$ 1 bilhão. Mas agora, graças a toda essa IA, é possível", comentou ele durante sua participação na Conferência de Investidores JP Morgan/Robin Hood.
Diversos empreendedores têm aproveitado o avanço das IAs para expandir suas empresas. Pinterest, Block e outras marcas demitiram grande parte dos seus funcionários, justificando ganhos de eficiência proporcionados pela IA.
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Gallagher revelou ao The New York Times, que acreditava que uma forma das palavras de Altman se tornarem verdade, seria em uma empresa que desenvolvesse inteligência artificial. E ele ficou animado ao perceber que ele poderia ter conseguido, ao intermediar a distribuição de medicamentos para emagrecimento e usar inteligência artificial para impulsionar a ideia.
“Não é uma empresa de IA, mas eu a construí com IA”, disse ele.
Embora tenha usado imagens geradas por IA e táticas de marketing fortes, o sucesso de Gallagher reside em dominar ferramentas de ponta e entender o mercado de consultas sob demanda, provando que, no cenário atual, a eficiência tecnológica supera o tamanho da equipe.
Desafios e futuro
Com o crescimento acelerado, a Medvi se tornou uma das principais clientes da Care Validate e da OpenLoop. Ambas ficaram impressionadas com a velocidade e a escala da startup, mesmo com poucos funcionários.
O início não foi perfeito. O chatbot da empresa chegou a inventar preços e produtos, e o excesso de automação deixou o celular pessoal do empreendedor com mais de 1 mil ligações. Para escalar, Gallagher substituiu ferramentas genéricas de IA (como o LegalZoom) por escritórios de advocacia e contabilidade reais. Ele também contratou dois engenheiros e agências de mídia, percebendo que certas funções ainda exigem supervisão humana especializada.
Os números confirmam a vantagem do modelo reduzido. Com 250 mil clientes, a Medvi atingiu lucro líquido de 16,2% (US$ 65 milhões), superando drasticamente a margem de 5,5% da concorrente Hims, que possui milhares de funcionários.
Em fevereiro deste ano, a Medvi começou a vender produtos para a saúde masculina, incluindo medicamentos para disfunção erétil. O próximo passo inclui saúde feminina, cuidados com a pele e planos de refeições gerenciados via plataforma.
O lucro total esta estimado entre US$ 70 e 80 milhões até o momento, o que fez o CEO se emocionar e relembrar sua origens:
“Pela primeira vez, não estou em modo de sobrevivência”, comenta ele.
Apesar do sucesso tecnológico, Gallagher admitiu sentir solidão e falta de equipe. "Neste momento, estou com vontade de contratar pessoas porque me sinto sozinho", disse ele.
Recentemente, contratou sete gerentes de contas humanos que, embora atendam centenas de pessoas cada, utilizam IA para memorizar detalhes pessoais (como aniversários), simulando uma proximidade impossível de alcançar manualmente.





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