Empreendedoras são mais qualificadas, mas ganham 24% menos que homens, aponta Sebrae

O empreendedorismo feminino no Brasil atingiu um marco histórico no quarto trimestre de 2025, registrando 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios. O contingente representa um aumento de 2,9 milhões em relação ao início da série histórica em 2012. Apesar do avanço, a participação feminina no recorte de donos de negócios estagnou em 34,3%, evidenciando que a taxa entre homens (23,6%) ainda é o dobro da observada entre mulheres (11,5%).
O estudo foi realizado pelo Núcleo de Pesquisa e Gestão do Conhecimento (NPGC) da Unidade de Estratégia e Transformação do Sebrae Nacional, utilizando como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recorte temporal abrange o período do 1º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2025, focando em Donos de Negócio, categoria que engloba tanto conta própria (sem empregados) quanto empregadores.
Segundo a pesquisa, a jornada semanal média das mulheres no negócio é de 34 horas, contra 40 horas dos homens. Essa diferença não se deve à falta de empenho, mas ao chamado "trabalho invisível" doméstico. Segundo Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, esse é o fator central da desigualdade de ganhos.
"Isso faz com que a chamada economia do cuidado funcione de uma forma muito dura para as mulheres. Elas passam cerca de 17 horas a mais por semana fora dos seus negócios do que os homens. Dessa forma, elas lucram menos. Elas têm menos tempo de planejar, de se programar", avalia.
Além da restrição do tempo, a motivação para empreender tem relação direta com a sobrevivência. Mais de 60% das mulheres apostam em iniciar o próprio negócio por necessidade e não por oportunidade planejada. "É uma mulher que, de repente, teve um filho e não consegue mais compatibilizar o horário. É uma mulher que o marido saiu de casa, aí ela tem que sustentar a família sozinha", afirma Coelho.
Atualmente, 53,7% das empreendedoras são chefes de domicílio, uma inversão significativa frente a 2012, quando a maioria era cônjuge. Além disso, as mulheres são mais escolarizadas. A pesquisa aponta que 73,9% completaram o ensino médio ou superior, enquanto entre os homens esse percentual é de apenas 55,9%.
Para a diretora, a busca por maior qualificação é um reflexo da pressão do mercado de trabalho tradicional. "Uma mulher tem que ter o dobro da capacidade técnica comprovada de um homem, porque senão ela vai perder a vaga para um deles", frisa.
O estudo ainda revela desigualdades quando se cruza gênero e raça. Enquanto 48,4% das empreendedoras brancas possuem ensino superior, o índice cai para 24,8% entre as mulheres negras. No rendimento, a disparidade é alarmante: uma mulher negra ganha, em média, R$ 2.090,16 – o que representa 46,1% menos que uma empreendedora branca e 59,4% menos que um homem branco.
A formalização registrou avanço, com 37,2% das mulheres possuindo CNPJ em 2025 – o que corresponde a um crescimento de 7,4 pontos percentuais desde 2015. No entanto, 87,8% ainda atua de forma solitária, como Conta Própria. O setor de Serviços concentra a maior parte das donas de negócios (57,6%), seguido pelo Comércio (23,8%).
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