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Belo Horizonte,04/04/2026

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Etanol de milho safrinha impulsiona SAF e reduz impacto ambiental

cnnbrasil.com.br
Etanol de milho safrinha impulsiona SAF e reduz impacto ambiental
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A expansão da produção de etanol a partir do milho de segunda safra no Brasil pode abrir um caminho relevante para o avanço do combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF, ao mesmo tempo em que limita a mudança no uso da terra e reduz as emissões de gases de efeito estufa. A conclusão é de um estudo recém-publicado na revista Agricultural Economics, conduzido pela Agroicone em parceria com pesquisadores internacionais.


A pesquisa analisa os impactos do aumento da demanda por etanol de milho no Brasil, impulsionada em parte pelo crescimento do mercado de SAF, sobre os mercados agrícolas globais, o uso da terra e as emissões de carbono. Para isso, o estudo utilizou um modelo econômico global combinado com uma estrutura de contabilização de emissões associadas ao uso da terra, avaliando diferentes cenários de expansão produtiva.


Os resultados indicam que, quando a produção de milho cresce por meio do sistema de dupla safra, em que o cereal é cultivado após a soja na mesma área e no mesmo ano agrícola, o aumento da oferta de etanol ocorre principalmente por intensificação produtiva, e não pela abertura de novas áreas. Esse modelo reduz significativamente a pressão por desmatamento em comparação a cenários baseados na expansão territorial.




Atualmente, o milho de segunda safra já responde pela maior parte da produção nacional e tem sido decisivo para o avanço da oferta sem crescimento proporcional da área plantada. Segundo o estudo, a incorporação desse sistema na modelagem econômica reduz a mudança estimada no uso da terra de cerca de 40 mil hectares para aproximadamente 7 mil hectares por bilhão de litros de etanol produzido.


Além disso, a análise aponta que o etanol oriundo da safrinha pode alcançar níveis muito baixos de emissões ao longo do ciclo de vida e, em alguns cenários, até emissões negativas. Esse desempenho está associado a fatores como a maior elasticidade da oferta de milho, o uso de áreas já cultivadas, a adoção de energia renovável no processamento e a produção de coprodutos que substituem o farelo de soja na alimentação animal.


“O sistema de dupla safra do Brasil permite aumentar a produção de milho sem expandir a área cultivada. Quando essa realidade é considerada nos modelos econômicos, os impactos sobre o uso da terra podem ser muito menores do que se estimava anteriormente”, afirma Luciane Chiodi Bachion, pesquisadora da Agroicone e coautora do estudo.


Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que os impactos globais dependem da forma como os mercados respondem ao aumento da demanda por etanol. Caso o Brasil consiga expandir a produção de milho de segunda safra de forma eficiente, a tendência é de que a mudança no uso da terra permaneça limitada ou até diminua.


O estudo também destaca a importância de políticas públicas voltadas à intensificação agrícola sustentável, com foco em produtividade e preservação ambiental, evitando a conversão de novas áreas.


De forma geral, a pesquisa sugere que o milho de segunda safra brasileiro pode se tornar uma matéria-prima estratégica para a produção de SAF, contribuindo para as metas globais de descarbonização da aviação sem comprometer a segurança alimentar.


Principais conclusões do estudo


A incorporação do sistema de dupla safra reduz significativamente a necessidade de novas áreas, com queda de cerca de 40 mil para 7 mil hectares por bilhão de litros de etanol.


O etanol de milho de segunda safra pode apresentar emissões muito baixas ou até negativas, dependendo das condições de mercado e da dinâmica do uso da terra.


O crescimento da produção ocorre majoritariamente por intensificação agrícola, e não por expansão territorial.


A resposta dos mercados globais será determinante para definir os impactos finais sobre uso da terra e preços.


Com cerca de 17 milhões de hectares de áreas consolidadas de soja aptas à expansão da safrinha, o Brasil tem potencial para ampliar a produção com impacto limitado sobre preços e com ganhos ambientais relevantes.


Preço das terras rurais varia de R$ 50 mil a R$ 250 mil por hectare





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