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Belo Horizonte,30/03/2026

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Páscoa, que deveria ser ritual de passagem, renovação e meditação, celebra o exagero nos hábitos de consumo

Assessoria de Imprensa
Páscoa, que deveria ser ritual de passagem, renovação e meditação, celebra o exagero nos hábitos de consumo Dra. Jhenevieve Cruvinel - Mentora em saúde integral, nutricionista clínica e holística e terapeuta integrativa

Páscoa, que deveria ser ritual de passagem, renovação e meditação, celebra o exagero nos hábitos de consumo


“O meu trabalho é ensinar sobre saúde e para alcançarmos saúde é fundamental olharmos para a raiz de alguns rituais sociais e analisar se na nossa realidade pessoal isso vem acrescido de valores nutridores ou se somam na lista das compulsões e exageros”, comenta a mentora de vida saudável, terapeuta integrativa e nutricionista clínica e holística, Jhenevieve Cruvinel.

É de extrema importância entender o contexto histórico das nossas tradições, para ter consciência de onde vem os comportamentos e as escolhas que fazemos. Principalmente, no que envolve escolhas pautadas em emoções, sejam elas religiosas, familiares ou que remetem ao pertencimento social. 

Analisar o passado abre a possibilidade para avaliar os hábitos que mantemos. Por exemplo, na Páscoa estes hábitos estão de acordo realmente com valores pessoais ou são apenas reflexo condicionado de um comportamento aprendido. 

Que todos amam celebrar a Páscoa e degustar o chocolate, os números de vendas neste período comprovam. No entanto, a questão é: será que está celebração hoje fala dos motivos, valores e dos ideais de antes, ou, será que nos perdemos na ampla oferta industrial de produtos e a essência desta data foi esquecida? 

“O meu trabalho é ensinar sobre saúde e para alcançarmos saúde é fundamental olharmos para a raiz de alguns rituais sociais e analisar se na nossa realidade pessoal isso vem acrescido de valores nutridores ou se somam na lista das compulsões e exageros”, comenta a mentora de vida saudável, terapeuta integrativa e nutricionista clínica e holística, Jhenevieve Cruvinel. 

De acordo com ela, primeiro que, a qualidade do chocolate que se apresenta hoje, principalmente para o público infantil é precária - produtos que trazem malefícios à saúde, com alto teor de açúcar e gordura, corantes, aromatizantes, conservantes e realçadores de sabor embalados com cores e brinquedos lúdicos.

“Que mais parecem propor o contrário do que o simbolismo desta data significa, não temos mais chocolate e sim, produtos à base de chocolate, levando a milhares de lares, riscos ao bem estar e a predisposição às doenças crônicas”, adverte a mentora. 

Segundo a terapeuta, o incentivo ao consumismo, a ansiedade e o estresse deste período se opõem totalmente ao significado da fraternidade, da ceia, do encontro e da celebração da liberdade e do renascimento. 

Na opinião da especialista, muitos comportamentos aprendidos na infância perduram por toda a vida e os exageros alimentares são um deles, assim como a vinculação de amor e afeto à comida com a quantidade de ovos que se ganha.

“Esse padrão traz malefícios tanto à saúde física como emocional, tornando desafiador o tratamento de doenças que tem como base maus hábitos de vida como o diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, por exemplo”, alerta. 

Um pouco da história para relembrar

A Páscoa não é essencialmente uma celebração cristã, ela na verdade nasceu na cultura judaica, por volta de 1300 a.C. e 1200 a.C. e com o nome Pessach, um termo que representa a liberação do povo hebreu da escravidão que viviam no antigo Egito, por isso, o termo “Pessach” representa “passagem” da opressão para a liberdade, conduzida por Moisés. 

Associada também na cultura europeia ao equinócio de março (20/21 de março), que marca o início da primavera no hemisfério norte, que celebrava, essencialmente, o retorno da vida após o inverno, retorno da fertilidade da terra e da abundância. 

Séculos depois, a Páscoa ganha um novo significado a partir do Concílio de Niceia, que foi o primeiro concílio ecumênico da Igreja Cristã, realizado em 325 d.C. na cidade de Niceia (atual İznik, Turquia), por convocação do imperador romano Constantino I. Onde definiu-se que a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia depois do equinócio da primavera (hemisfério norte).

Mudança que ressignifica a Páscoa e inclui a celebração da Sexta-Feira Santa e da ressureição de Jesus Cristo. 

Já a famosa cena da santa ceia retratada pela religião cristã e associada à Páscoa como a conhecemos, traz na realidade, a imagem de Jesus celebrando o Pessach judaico. 

Após toda esta jornada social e religiosa, a Páscoa ganhou mais uma faceta com a incorporação do hábito antigo Persa de se trocar ovos no equinócio de primavera, algo que remonta aproximadamente de 500 a.C.

Estes e outros povos e outras culturas já trocavam ovos durante o equinócio da primavera como representação de fertilidade, renascimento e início de novos ciclos. 

Já por volta dos séculos III e V d.C, durante a consolidação do cristianismo, o ovo passa a simbolizar a ressureição, inclusive por volta dos séculos V–XV na idade média era proibido consumir ovos na quaresma. As pessoas então, decoravam e davam de presente, consolidando este hábito social e religioso. 

Somente no Século XVI, na Alemanha surge a menção ao “coelho da Páscoa” como figura que traz ovos como conhecemos hoje, mas os ovos eram feitos de chocolate sólido e amargo e eram pouco populares. 

Já por volta do Século XIX, com a revolução industrial do chocolate, empresas começam a transformar isso em produto de massa e na Inglaterra em 1873 uma empresa chamada Cadbury, cria os primeiros ovos de chocolate moldados e ocos como os conhecemos hoje. 

No Brasil essa cultura se insere por volta de meados do século XX apenas, e nas décadas de 1920–1930 iniciam-se as primeiras fábricas no país com destaque para a lacta fundada em 1912.


Dra. Jhenevieve Cruvinel

Mentora em saúde integral, nutricionista clínica e holística e terapeuta integrativa com doutorado e diversas especializações. Trabalha unindo ciência, espiritualidade e práticas de autoconhecimento para ajudar pessoas a reconectarem mente, corpo e alma.






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