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Belo Horizonte,30/03/2026

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Inteligência artificial e treino aceleram a busca por hiper personalização no bem-estar digital

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Inteligência artificial e treino aceleram a busca por hiper personalização no bem-estar digital


O mercado de bem-estar digital começa a ser redesenhado por uma mudança clara de comportamento de consumo. Mais do que acompanhar calorias ou sugerir exercícios genéricos, o usuário mais jovem passou a buscar soluções que entreguem personalização, conveniência e resposta imediata. Pesquisa da McKinsey mostra que Gen Z e millennials vêm ditando o ritmo do setor de wellness, pressionando empresas a oferecer experiências integradas, orientadas por dados e percebidas como eficazes no cotidiano.
No Brasil, o ambiente de demanda também se tornou mais favorável. Levantamento do SESI, apresentado em setembro de 2025, mostrou que 78% da população têm interesse em usar serviços de saúde digital. Embora apenas 20% tenham recorrido a esse tipo de solução no ano, o celular já é o principal dispositivo de acesso para 96% dos usuários. A mesma pesquisa indica maior interesse em telemedicina entre jovens de 25 a 40 anos, sobretudo entre públicos com maior escolaridade e renda, sinalizando que a digitalização do cuidado tende a avançar primeiro entre perfis mais conectados e acostumados à lógica de conveniência.
A tendência ganha tração em um contexto mais amplo de pressão sobre hábitos e saúde. Dados do Vigitel 2024, divulgados pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026, mostram que 62,6% dos brasileiros já têm excesso de peso e que a obesidade atingiu 25,7% da população. Ao mesmo tempo, a atividade física no tempo livre cresceu para 42,3%, o que sugere um cenário ambíguo: há mais preocupação com saúde, mas também mais dificuldade em sustentar rotina e consistência. É justamente nesse intervalo entre intenção e execução que plataformas digitais tentam capturar valor.
Para esse consumidor, o ponto central deixou de ser apenas acesso à informação. A demanda agora é por redução de atrito. Em vez de procurar repetidamente como montar um treino, registrar refeições manualmente ou navegar entre diferentes aplicativos, cresce o apelo por ferramentas capazes de interpretar contexto e devolver orientação quase em tempo real. Esse comportamento ajuda a explicar o avanço de soluções baseadas em inteligência artificial e visão computacional no universo de treino e alimentação.
É nesse movimento que a Tafity busca se posicionar. A plataforma brasileira reúne treinos personalizados com IA, dieta com cálculo de macros, scanner de alimentos por câmera, coach virtual 24 horas, calculadoras de saúde e acompanhamento de progresso. Na prática, a proposta é transformar o celular em uma interface contínua de organização da rotina, em que a foto do prato e os dados de uso alimentam recomendações mais aderentes ao perfil e ao objetivo de cada usuário.
Na avaliação de Rodrigo Villar, CEO da Tafity, o avanço desse tipo de produto está menos ligado ao modismo tecnológico e mais a uma nova expectativa do consumidor. “A lógica da nova geração é de imediatismo com contexto. Ela não quer apenas informação sobre treino ou dieta. Quer entender, na prática, o que fazer com o próprio corpo, com a própria rotina e com o que está no prato naquele momento. A inteligência artificial ajuda justamente a transformar esse excesso de informação em decisão mais simples e aplicável.”
Esse espaço ainda está em formação no país. Estudo do Cetic.br, ligado ao NIC.br e à Unesco, aponta que o Brasil está em estágio inicial de desenvolvimento e implementação de ferramentas de inteligência artificial na saúde. Já a pesquisa TIC Saúde 2024 mostra que a utilização institucional de IA ainda é limitada nos estabelecimentos de saúde, embora a digitalização avance e o uso individual entre profissionais comece a crescer. Isso sugere que há uma janela relevante para soluções nacionais que operem na borda entre saúde, prevenção, rotina e engajamento do usuário final.
No recorte de consumo, a disputa tende a se concentrar menos em quem oferece mais funcionalidades e mais na capacidade de construir aderência. A própria McKinsey destaca que consumidores mais jovens vêm pressionando o setor por soluções que conectem produtos, serviços e ferramentas digitais de forma mais holística, com base científica e valor percebido. Para aplicativos como a Tafity, isso significa que a vantagem competitiva não está apenas no uso de inteligência artificial e treino como discurso de inovação, mas na capacidade de traduzir hiperpersonalização em hábito, recorrência e utilidade real.




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