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Belo Horizonte,29/03/2026

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Por que estamos vendo tanto a cor laranja? Não é por acaso, é um código visual para entender 2026

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Por que estamos vendo tanto a cor laranja? Não é por acaso, é um código visual para entender 2026


As agências e a mídia previram que 2026 seria quase “em branco”; no entanto, o laranja sequestrou o nosso olhar. Vemos essa cor em todos os lugares — seja em um restaurante, em um outdoor na rua ou em um look completo de Timothée Chalamet e Kylie Jenner. O laranja chegou para ficar e para romper com essa estética tão clean e, sinceramente, muito sem graça.
Embora a gente adore a serenidade dos tons claros (especialmente depois de alguns anos de pandemia), na América Latina vivemos cercados de cor. E não estamos falando apenas dessa tendência que valoriza todos os detalhes — e, consequentemente, as cores —, mas de algo que sempre esteve presente de forma espontânea: os jacarandás roxas no Paseo de la Reforma durante a primavera; o sol quase avermelhado nos entardeceres das praias de Copacabana; ou os caminhos verdes e acolhedores rumo às plantações de café em Bogotá.
Por isso, o laranja nos surpreende ao surgir com tanta força, mas não nos é estranho. Então, nos perguntamos como uma cor tão “feliz” e chamativa pode estar tão presente em um mundo onde a paz parece inexistente — e a alegria, ainda mais. E a resposta — ou parte dela — é simples: sua representação.
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O que diz a psicologia da cor laranja?
Esta sala de estar, assinada pelo Ohma Design, destaca-se com seu teto laranja
Eduardo Macarios
Quando falamos em representação, estamos nos referindo ao que a psicologia diz sobre ela. De acordo com um estudo recente da Pantone, o laranja transmite otimismo, dinamismo, confiança e energia competitiva. Não é por acaso que seja a cor predominante em Marty Supreme, o mais recente filme de Josh Safdie — um longa sobre pingue-pongue, em uma leitura mais superficial.
Essas qualidades refletem a intensidade emocional que, hoje, nos impulsiona a seguir em frente em um mundo bastante destruído. No entanto, também são uma forma de construir identidade. E isso não acontece só com o laranja, mas também com outros tons igualmente intensos — como o rosa na obra de Luis Barragán.
Agora, se conectarmos a psicologia ao design no sentido mais direto, podemos dizer que é uma cor que poucos se atrevem a usar — seja em uma peça, em casa ou até nas roupas. Ainda assim, é dinâmica e funciona como ponto focal ou como um acento. Em resumo, é uma forma de identidade e de se tornar reconhecível, além de marcar um estilo de maneira contundente.
Por que o laranja se destaca neste ano?
Esta cozinha, assinada pelo estúdio Design Theory conta com um fogão laranja
Jack Lovel
Embora seja verdade que o laranja tenha ganhado destaque este ano, em parte por Marty Supreme, muitos espaços ligados ao design também aderiram a essa cor. Por exemplo, as peças de Andrés Anza transitam entre o surreal e o chamativo, em parte pelo uso do laranja. Ou ainda a coleção Licha, de Los Patrones em colaboração com Andrés Gutiérrez. Outros designers têm utilizado o laranja como elemento visual para destacar suas criações, como Raúl de la Cerda e sua série Vicús, apresentada na Zsona Maco, com tons mais frios que contrastam com o fundo e com a proposta da coleção.
No universo da moda, as marcas também apostaram no laranja para criar um verdadeiro statement, como a Tory Burch em sua coleção outono-inverno 2026, ou a Ferragamo com a coleção primavera-verão 2026, La Prima Impressione, sob direção de Antonela Alamat Kusijanović.
Almofada em forma de flor da Cult Furniture
Cult Furniture via Pressloft
E, se falamos de marcas, vale olhar também para aquelas que decoram nossas casas e dão um upgrade a cada ambiente. Da cozinha já sentimos o impacto do laranja com utensílios como a frigideira Signature da Le Creuset, ou a almofada da Cult Furniture, cuja forma e cor realmente impressionam. Até os móveis entraram na tendência, como a Atkin and Thyme com seu sofá de desenho geométrico.
Poltrona geométrica da Atkin and Thyme
Atkin and Thyme via Pressloft
Porque nem tudo precisa gritar “LARANJA” — basta inserir alguns detalhes para criar harmonia enquanto navegamos por um mundo conservador, mantendo o impulso de seguir em frente com um pouco de esperança.
Então, respondendo à pergunta que nos trouxe até aqui, podemos dizer que o laranja está em tudo: na decoração, nas tradições, na moda e na arte. É um tom versátil que, como aponta a Pantone, chega para quebrar regras e criar vanguardas. É resultado da influência das celebridades, de uma narrativa não solicitada, mas necessária, e da criatividade — ainda mais no contexto da América Latina.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest México




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