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Belo Horizonte,30/03/2026

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Vale dos Vinhedos abre festival com garrafas que contam história

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Vale dos Vinhedos abre festival com garrafas que contam história

Tem coisa que não volta. E talvez seja justamente por isso que vale tanto. Ontem, no Hotel Villa Michelon, o Vale dos Vinhedos abriu o festival com um gesto raro, tirou vinhos guardados há anos de suas adegas e colocou tudo à mesa, sem pressa, sem alarde, deixando que o tempo fizesse o trabalho.


Não era sobre ostentação de rótulos. Era sobre memória. Sobre entender como um território chega até aqui e o que ele carrega dentro de cada garrafa. Ao reunir 14 vinhos de safras emblemáticas, muitos já fora do mercado, o jantar Tempo e Legado funcionou como uma espécie de conversa longa, dessas que começam leves e, quando se percebe, já estão profundas.


O início veio macio, com espumantes e brancos acompanhando petiscos que falavam a língua do lugar. Nada de excesso, tudo no ponto. Um aquecimento que preparava o terreno sem roubar a cena. Aos poucos, o jogo virou. Vieram os vinhos com mais história, mais silêncio dentro. O Gran Reserva 2005 da Don Laurindo apareceu com aquela calma de quem já passou por tudo e não precisa provar nada. O Quorum 2012 da Lídio Carraro trouxe elegância firme, sem peso. E o 10 Lotes DOVV, coletivo, amarrava tudo com uma ideia bonita, o Vale como construção conjunta, mais forte quando fala em coro.


Festival Vale dos Vinhedos / Foto: Horst Kissmann

Na cozinha, Rodrigo Bellora jogou fino. Cozinha de quem conhece o entorno e não precisa inventar demais. O raviolone de lagosta abriu espaço com delicadeza, quase em tom de abertura mesmo. O pato confitado veio redondo, confortável, daqueles que abraçam. E a costela com demi glace de butiá cravou território, fundo clássico com sotaque brasileiro, sem precisar levantar a voz.


O que fez diferença ali foi o ritmo. Serviço afinado, cadência certa, sem atropelo e sem discurso técnico demais. As taças iam chegando como quem conta uma história, uma depois da outra, deixando espaço para o silêncio entre elas. Porque vinho também se entende assim, no intervalo.


Havia uma sensação clara no ar. Não era só um jantar. Era um encontro que não se repete. Aquelas garrafas, reunidas daquela forma, dificilmente voltam a dividir a mesma mesa. E talvez seja esse o luxo real, estar no momento certo, diante de algo que não foi feito para durar além da memória.


 


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