O retorno do aconchego: por que a casa está mais tátil do que nunca

Mesmo em estéticas mais minimalistas, a casa contemporânea passa por uma transformação: o retorno do aconchego como peça central do morar. Nesse novo cenário, a busca não é apenas visual, mas também tátil — superfícies macias, materiais naturais e texturas ganham protagonismo ao estimular os sentidos e promover bem-estar. Para entender como isso influencia na decoração e como trazer conforto para dentro de casa, a Casa Vogue conversou com a arquiteta Cecília Lemos, listada no Casa Vogue 50. Confira:
Por que a casa está mais tátil?
Projeto assinado por Cecília Lemos
Walter Dias
“Na minha visão, uma casa aconchegante é aquela que abraça quem chega. É um espaço que conta história, que tem alma, que não precisa ser perfeito, mas precisa ser verdadeiro”, ressalta Cecília Lemos. Nesse contexto, o aspecto sensorial ganha protagonismo nos projetos, sendo essencial para a criação de ambientes verdadeiramente confortáveis e acolhedores — e o tato se destaca como um dos sentidos mais relevantes a serem explorados. “A escolha dos materiais e das texturas é fundamental, porque ela define não só a estética, mas a experiência sensorial de quem vive o espaço”, completa.
Em quais materiais apostar?
Outro ambiente de projeto assinado por Cecília Lemos
Walter Dias
Para Cecília Lemos, os materiais naturais ganham força neste cenário, como madeira, palha, fibras, tecidos e pedras. “Eles carregam uma verdade, um calor que aproxima”, avalia. Mais do que proporcionar conforto tátil, as texturas naturais ainda reforçam a identidade do lar e aproximam o cotidiano da natureza. “Vejo muito claramente um retorno, ou até uma reconexão, com os elementos naturais. Em um mundo tão digital e acelerado, madeira, linho, pedra e fibras trazem essa sensação de equilíbrio, de calma, quase como um resgate das nossas origens, sempre acompanhados de memórias que trazem conforto”, comenta a arquiteta.
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Além disso, a maciez e temperatura de um material influenciam diretamente a forma como percebemos e vivemos a casa. É nesse contato sensorial que também reside o verdadeiro conforto: quando o espaço convida ao toque, ele se torna mais humano, próximo e naturalmente mais aconchegante. “Mais do que apenas olhar, a gente sente a casa no toque de um tecido, na textura da madeira, na temperatura da pedra”, conclui Cecília.
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Como compor um ambiente harmônico?
Casa projetada pela arquiteta Cecília Lemos
Paulo Higor
Trabalhar com materiais e texturas sem sobrecarregar o ambiente passa, antes de tudo, por fazer escolhas intencionais. Em vez de acumular objetos, vale priorizar peças que tenham significado, qualidade e função, criando uma narrativa coerente no espaço. “Nem tudo precisa chamar atenção; às vezes, paredes brancas com um reboco baiano já trazem todo o charme e aconchego. No fim, é sobre sensibilidade: saber dosar, misturar e permitir que o espaço tenha ritmo, sem perder a leveza”, aconselha.
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Quais outros sentidos precisam de espaço?
Materiais e texturas são valorizados nesse projeto de Cecília Lemos
Paulo Higor
Embora o tato ganhe destaque nesse movimento mais sensorial, os outros sentidos também desempenham um papel fundamental na construção de ambientes acolhedores. A visão orienta a harmonia das cores, formas e iluminação, enquanto o olfato pode transformar completamente a atmosfera por meio de aromas sutis e marcantes. A audição, por sua vez, contribui para o conforto ao equilibrar sons e silêncios, seja com música, seja com soluções que reduzam ruídos indesejados. “Para mim, trazer esse olhar mais sensorial para dentro de casa é pensar a decoração de forma mais cuidadosa e intencional. É entender que cada elemento – das cores aos objetos – contribui para criar um ambiente que acolhe, acalma e promove bem-estar”, pontua Cecília Lemos.






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