Helena Santana
O que está acontecendo com nossos filhos hoje?
Sempre me dediquei a função de mãe, ao ponto de esquecer de mim,grande erro que cometi.
Sou mãe de Maria Luiza, de 25 anos, que acabou de se formar no que era o sonho dela ,com muito esforço e abdicação minha e do pai para custear uma faculdade particular.
Ao concluir ,enfrenta a grande realidade de muitos, independente da profissão escolhida, a falta de emprego. Hoje, não existe a profissão exata que garanta um emprego imediato ao sair da faculdade e a cada tempo que passa, esse grande emprego se torna mais difícil e distante.
Enfrentamos uma crise geral que afeta todas as profissões, e diante disso vem a frustração e revolta dessa geração que não sabe lidar com essas dificuldades, afinal de contas, sempre tiveram de tudo, dentro do possível, dos pais, independente da sua classe social, pois todos os pais fazem tudo por seus filhos, independente de bens pessoais e materiais. Investem na sua educação, cursos e mais cursos para que ele te torne um adulto capaz de disputar uma vaga no mercado.
Mas diante dessa dificuldade de conseguir um emprego, ou algo que querem ,criam uma revolta que direcionam a seus pais, que tanto se dedicaram e abdicaram de muitas coisas nessa jornada para proporcionar o melhor a seus filhos.
É uma geração que só pensa em si, não tem empatia, sem sentimentos e agradecimento a seus pais. Falo por experiência vivida e de várias mães que vejo desabafos na internet. Decepcionam os pais com abandono, descarte, como se fossemos uma embalagem que foi usada e agora que não serve mais, é eliminada.
Vivi na pele para ver a filha que criei com princípios e eduquei com muito amor e carinho virar as costas para os pais porque se acha independente por ter 25 e mesmo sem emprego quer ganhar o mundo. Mas essa coragem toda é impulsionada após conhecer um rapaz pela internet e começarem a se relacionar.
Como minha amada filha mudou...não a reconheço mais. Se tornou fria, quando antes era amorosa, dizia que iria cuidar dos pais e avós na velhice, não por imposição, mas por exemplo que ela via na família, como sempre fomos.
Desde que me casei, nunca abandonei minha mãe e a tenho sempre perto de mim e assim pensei que seria com minha amada filha, mas não está sendo. Ela está agressiva, autoritária, dona de si, não ouve conselhos, exige respeito, mas não respeita quem quer seu bem maior, principalmente seus pais.
Fui tomada por uma imensa decepção, uma angústia, tristeza, questionamentos de onde foi que errei, depressão, abalos na minha saúde, pois sabemos que tudo que nossa mente não consegue resolver, atinge nosso corpo físico, com vários tipos de sintomas e doenças que tornam nossos dias difíceis.
Já não bastasse os problemas da vida, porque todos temos problemas, e ainda se somam esses causados por um desequilíbrio da nossa mente como pais, que não estamos sabendo lidar com essa arrogância e decepção diante de tudo que estamos vivendo e sendo surpreendidos a cada dia.
O que me espanta é ver a quantidade de mães que passam por problemas iguais ou parecidos e a ingratidão dos filhos.
Como lidar com tamanha ingratidão? Será que a nossa geração, está preparada? Porque me dediquei como mãe, fiz tudo que pude, nunca deixei falta nada e agora sou surpreendida, surpresa essa desagradável, não porque minha filha não queira seguir meus passos, mas porque soube ouvir e respeitar sempre meus pais, nunca levantei a voz para eles, mesmo que pensasse diferente de algo, nunca desrespeitei e essa geração não quer escutar, se nega a ouvir conselhos, porque quem está de fora está vendo que o que ela está se metendo tem 99,99% de dar errado, mas ela insiste no erro, enfrenta com arrogância.
Que atitude tomamos, já que já tem 25 anos? Deixamos enfrentar as dificuldades da vida e quebrar a cara? Para aprender a dar valor ao que tinha e jogou tudo para o alto? Pois, não temos mais voz de autoridade, não é mais "de menor" para tomarmos uma atitude, bate um desespero como pais.
Meu avô dizia, tudo que começa errado, dá errado. Sinto-me triste, magoada, decepcionada, frustrada, pois sou incapaz de conseguir abrir os olhos da minha filha sobre tudo que ela está arriscando, já que ela se nega a ouvir.
Com isso ganhamos seu distanciamento, perdemos seus abraços, seus beijos, seu carinho; não temos mais a importância que tínhamos como pais.
Como lidar com essa ingratidão de uma geração que só pensa em sí e acha que o mundo gira em torno de seus interesses e o resto que se exploda.
Como mãe, não desejo nada de ruim, apenas disse que a porta da casa sempre estará aberta para ela, caso suas fantasias não deem certo. Mas não minto que me sinto arrasada e não estou sabendo lidar com a sua ausência que sempre foi presente nesses 25 anos da nossa vida.
Dói demais o abandono, a falta de empatia, de consideração, de amor, de compreensão, a sua ausência dói demais...



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