Jovens Gênios capta R$ 11,8 milhões para ampliar plataforma de ensino com IA

Com o objetivo de ganhar escala e saltar de 1,3 milhão para 10 milhões de estudantes atendidos até 2029, a edtech Jovens Gênios concluiu uma rodada seed de R$ 11,8 milhões, liderada pelo fundo GovTech – gerido por KPTL e Cedro Capital – e acompanhada por DOMO.VC, Criabiz Ventures e Rosey Ventures, corporate venture capital do Grupo Marista.
O aporte será direcionado para o fortalecimento da base tecnológica para absorver o novo número de usuários. Para bater a meta, a startup está trabalhando na migração da base de dados – o que reduzirá os custos – e na reformulação do programa de distribuidores para a venda pública.
Fundada no Rio de Janeiro por Bernard Caffé e Fernando Costa, a startup desenvolveu uma plataforma de aprendizagem que utiliza inteligência artificial e gamificação para personalizar o ensino. Atualmente, a tecnologia já é utilizada por mais de 5 mil escolas no Brasil. “O método de aprendizado ainda é muito massificado. Muitos municípios não alcançam nem a nota mínima no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Acreditamos que o ensino deve ser personalizado”, afirma Caffé, CEO da Jovens Gênios.
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A solução cobre toda a educação básica, com conteúdo próprio da startup. No ensino médio, a plataforma atua sobre a base dos componentes curriculares e pode incluir também preparação para o Enem e cursos técnicos. A aplicação varia conforme o plano municipal de educação, pois a tecnologia é white label.
A plataforma conta com a confiança de grandes grupos privados, como a Editora Edebê, a Rede Salesiana Brasil e a Fundação Bradesco, além de estar presente em diversos municípios, entre eles Mesquita (RJ) e Serra (ES). Também há contrato com o estado de São Paulo.
Como o foco está no atendimento ao setor público – 90% das escolas usuárias são públicas – a edtech precisou buscar formas de diversificar a receita e não depender exclusivamente das vendas, com recebimento entre 90 e 120 dias, para financiar a operação. A última captação em troca de equity aconteceu em 2021, quando a Jovens Gênios levantou R$ 432 mil. Desde então, optou pelo venture debt [dívida estruturada para startups, que ajuda a financiar o crescimento, sem diluição imediata da participação societária].
Caffé revela que o desejo de captar com investidores de venture capital existe desde 2024, mas a startup precisou adequar o cap table para conquistar o aporte atual. Entre 2019 e 2021, a Jovens Gênios atraiu 58 investidores-anjo para o negócio. “Não tinha mais equity suficiente. Edtech é complicado, é uma operação custosa, com muitos agentes envolvidos. Tivemos de fazer a secundária”, comenta.
40 investidores concordaram em fazer a saída, mas o processo tomou tempo dos sócios. “Sou nascido e criado em Mesquita (RJ), onde há muita desigualdade social. Quando eu comecei, acreditava que não existiam essas pessoas que colocam dinheiro nos projetos. Isso fez com que eu aceitasse muita coisa”, lamenta. .
Uma vez resolvida a questão do captable, os fundadores tinham a clareza de que queriam o investimento do fundo GovTech, pelo know-how de vendas para o setor público e relacionamento com investidores que possam entrar mais para frente na jornada. “Estávamos prospectando oportunidades de edtechs há um bom tempo. Encontramos na Jovens Gênios uma solução que endereça os principais desafios da educação do país, por meio de uma tecnologia sofisticada e acessível, garantindo engajamento e progressão reais e mensuráveis”, aponta Adriano Pitoli, head do GovTech na KPTL.
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A startup também precisava de conexões para acelerar as vendas no setor privado. A plataforma já era usada por algumas escolas do Grupo Marista, que estava estruturando seu fundo de CVC, Rosey Ventures – a edtech se tornou a primeira investida. “A Jovens Gênios reúne três elementos que consideramos decisivos: impacto comprovado, tecnologia escalável e aderência real às necessidades da educação brasileira”, opina Guilherme Skaf Amorim, diretor de corporate venture capital do Grupo Marista.
No último ano, a edtech cresceu 30% e chegou ao ponto de equilíbrio em novembro. Com o fim da maioria das dívidas contraídas previsto para dezembro, a startup estima que a geração de caixa vai ter início neste ano.
Dicas para empreendedores
O CEO deixa algumas dicas para os empreendedores que estão no estágio inicial e buscam investimento.
Contar com um bom jurídico especializado em venture capital, capaz de compreender as condições, direitos e amarras de cada estágio da captação;
Ter atenção ao acordo com investidores-anjo, já que a falta de experiência pode levar à aceitação de cláusulas que dificultem rodadas futuras;
Alinhar desde o início a estratégia de saída e o horizonte de retorno esperado pelos investidores;
Evitar cláusulas de antidiluição, que podem travar negociações e consumir tempo e tração da empresa em questões jurídicas.
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