As arenas mais bonitas do mundo de 2026, segundo o Prix Versailles

A sustentabilidade e a valorização da cultura estiveram entre os critérios considerados pelo Prix Versailles na seleção das arenas mais bonitas do mundo de 2026, divulgada nesta segunda-feira (19). A lista reúne sete projetos que, segundo a premiação, refletem valores como compartilhamento, superação de limites e renovação das regiões onde estão inseridos.
“Associados principalmente à juventude, esses edifícios provaram ser verdadeiros reflexos contemporâneos das áreas geográficas onde estão localizados. Graças à expertise consolidada de escritórios especializados nesse tipo de infraestrutura, cada um deles incorpora a ideia de que a excelência é sempre fruto da experiência e de que a criatividade sempre nasce da vitalidade”, afirmou Jérôme Gouadain, secretário-geral da premiação, em comunicado oficial.
A seguir, conheça as sete arenas selecionadas pelo Prix Versailles em 2026:
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1. Coronation Park Centre (Edmonton, Canadá)
Coronation Park Centre (Edmonton, Canadá)
© Nic Lehoux
Localizado em Edmonton, a quinta maior cidade do Canadá, o Coronation Park Centre, recebeu seu nome em homenagem à coroação da rainha Elizabeth II, e foi inaugurado em janeiro deste ano, destacando-se por ser o primeiro centro de treinamento indoor para triatlo da América do Norte. Projetada pelos escritórios hcma e Dub Architects, em colaboração com a FaulknerBrowns, a arena é um complexo onde o esporte de alto nível encontra-se com o lazer, com pista de ciclismo coberta, certificada pela União Ciclística Internacional (UCI) e aberta ao público geral.
Ao posicionar o velódromo — instalação esportiva para a prática do ciclismo de pista —um pavimento acima do térreo e instalar uma pista de corrida ao seu redor, os arquitetos criaram uma configuração que permite ao público acompanhar, do nível do chão, os ciclistas em alta velocidade na pista elevada, sem a necessidade de recorrer a passagens subterrâneas.
Sob uma cobertura de 90 metros, seu revestimento em forma de fita se contorce para acompanhar a geometria da pista, produzindo uma silhueta diferente em cada ângulo. Ademais, ao ser incorporado ao Peter Hemingway Aquatic Centre, o espaço torna-se um centro de treinamento ideal para triatletas.
2. Estádio do Centro Olímpico de Xiangyang (Xiangyang, China)
Estádio do Centro Olímpico de Xiangyang (Xiangyang, China)
© Yilong Zhao
Situado na província de Hubei, na China, o Estádio do Centro Olímpico de Xiangyang foi projetado pelo Central-South Architectural Design Institute (CSADI), com o objetivo de ser construído em meio a uma vegetação exuberante e permanecer aberto à comunidade local. Inaugurado em abril de 2025, o espaço conta com capacidade para 30 mil espectadores, mas é sua arquitetura singular que se destaca, com uma cobertura branca que aparenta se desenrolar em uma fita contínua sobre as arquibancadas.
A construção foi inspirada no ritmo intenso das águas do rio Han, quarto maior rio da Coreia do Sul, e na imagem de uma fênix Chu em pleno voo, de maneira que a ampla cobertura produz uma silhueta fluida que dialoga diretamente com o seu entorno. A cobertura cobre as arquibancadas, mas mantém o lado sul aberto, assim conferindo leveza à composição e permitindo que o ar circule pela estrutura.
A escolha, ainda, faz parte da sua abordagem bioclimática, que busca aumentar o conforto dos espectadores e, ao mesmo tempo, minimizar o uso de sistemas de alto consumo energético.
O estádio está inserido em um complexo esportivo maior, com 138 mil m², que inclui, entre outras instalações, espaços dedicados à prática de atividades físicas pela população no dia a dia.
3. Estádio Armand Cesari (Furiani, França)
Estádio Armand Cesari (Furiani, França)
© Banzaiprod
Diferente dos outros vencedores, o Estádio Armand Cesari, em Furiani, na França, não é uma nova edificação, e sim uma reforma do chamado Stade de Furiani, popular na Córsega desde 1932 e antiga casa do SC Bastia. Em maio de 1992, porém, uma arquibancada metálica provisória — construída às pressas para dobrar a capacidade do local — cedeu com o peso e a movimentação dos torcedores, desabando antes do jogo entre o SC Bastia e o Olympique de Marseille, pelas semifinais da Copa da França. O acidente deixou 19 mortos e mais de 2.300 feridos, sendo considerado um dos piores desastres esportivos do país.
Em 2025, 93 anos após a tragédia, o escritório Ateliers A+ conferiu ao estádio um novo visual, incorporando a paisagem, marcada pelas montanhas e pelo mar. A edificação conta com três anéis contínuos que conferem unidade arquitetônica às arquibancadas, com capacidade para 16.500 espectadores.
O primeiro anel contorna a estrutura contemporânea ao redor do campo e também abriga a iluminação; o segundo é composto pelas coberturas das arquibancadas; e o terceiro envolve e protege o perímetro externo.
4. Unipol Dome (Milão, Itália)
Unipol Dome (Milão, Itália)
© Noshe
Inaugurada para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, que ocorreram em fevereiro, a Arena Milano, agora conhecida como Unipol Dome, é o maior espaço coberto para eventos da Itália. Inspiradas nos anfiteatros romanos, as equipes do David Chipperfield Architects e da Arup trouxeram uma linguagem contemporânea à edificação ao combinar referências históricas e recursos tecnológicos.
Com capacidade para até 16 mil espectadores, o edifício conta com três anéis de alturas crescentes que parecem flutuar sobre uma base monolítica.
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Durante o dia, seus tubos de alumínio cintilam sob a luz do sol; à noite, fitas de LED integradas proporcionam um espetáculo luminoso diferente. Ademais, a construção também criou um novo espaço de convivência em Milão, com uma ampla escadaria que leva a uma esplanada elevada de 12 mil m², que pode ser utilizada para diferentes finalidades, desde grandes eventos até encontros cotidianos.
5. Estádio Príncipe Moulay Abdellah (Rabat, Marrocos)
Estádio Príncipe Moulay Abdellah (Rabat, Marrocos)
© Société des Infrastructures Sportives de Rabat
Situado em Rabat, capital de Marrocos, o Estádio Príncipe Moulay Abdellah, projetado pelo escritório Populous, tem capacidade para 68.700 espectadores e foi desenvolvido sob a direção da Agência Nacional de Equipamentos Públicos do Marrocos para atender aos padrões da FIFA, o que o habilita a sediar partidas até da Copa do Mundo da FIFA de 2030. A reconstrução, que durou apenas dois anos, substituiu o estádio original de 1983.
Erguido em meio a um cinturão verde de eucaliptos, o estádio apresenta um revestimento dourado, tonalidade que também aparece nas áreas de recepção, inspirado nas palmeiras que margeiam as principais avenidas de Rabat e nas técnicas tradicionais de bordado de Fez.
Composto por cerca de 19 mil triângulos em tom champanhe, de diferentes dimensões, o revestimento conecta a fachada à cobertura em um movimento contínuo e, à noite, transforma-se em uma enorme tela animada. Já no seu interior, bancadas monumentais, também conhecidas como kops, acomodam cerca de 20 mil espectadores, com o nível superior avançando oito metros para fora.
6. Estádio Grande de Tânger (Tânger, Marrocos)
Estádio Grande de Tânger (Tânger, Marrocos)
© Morocco lens
Também conhecido como Estádio Ibn Batouta, o Estádio Grande de Tânger, em Marrocos, foi inaugurado originalmente em 2011, mas passou por uma grande transformação, supervisionada pelo arquiteto Anouar Amaoui, em preparação para a Copa Africana de Nações de 2025 e a Copa do Mundo da FIFA de 2030. Com sua nova capacidade para 75.500 espectadores, é atualmente o maior estádio do Marrocos.
A reforma contou com a remoção da antiga pista de atletismo e o rebaixamento do campo em cerca de oito metros, o que permitiu aproximar as arquibancadas da área de jogo, intensificando a experiência dos torcedores.
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O grande destaque, porém, é sua nova cobertura de 52 mil m², projetada em conjunto com os engenheiros da Schlaich Bergermann Partner. Sua estrutura combina cabos metálicos e membranas flexíveis em uma configuração notavelmente ampla. Ao proteger as arquibancadas e o campo do vento, a cobertura alia excelência técnica à leveza visual.
Ademais, ao anoitecer, os contornos da arquitetura do estádio ganham destaque quando a iluminação proporciona um verdadeiro espetáculo.
7. Estádio One New Zealand, Te Kaha (Christchurch, Nova Zelândia)
Estádio One New Zealand, Te Kaha (Christchurch, Nova Zelândia)
© Dennis Radermacher
Inaugurado em abril deste ano, o Estádio One New Zealand, em Te Kaha, foi projetado pelos escritórios Populous e Warren & Mahoney, e conta com capacidade para 30 mil espectadores. A edificação possui uma cobertura fixa feita de ETFE transparente e uma linguagem visual inspirada nas paisagens de Canterbury e na rica cultura maori. A fachada evoca montanhas, cursos d’água e as cores das estações do ano em transformação.
No interior, as arquibancadas exibem orgulhosamente um padrão tribal inspirado no mangōpare, o tubarão-martelo, símbolo marcante da identidade, da força e da perseverança da Nova Zelândia. Impulsionado por uma estreita parceria com o povo indígena Ngāi Tahu, o projeto foi inspirado na narrativa ancestral de como Tāne separou o Pai Céu da Mãe Terra para trazer luz e calor ao mundo.




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