Como a MRV mantém o padrão de qualidade em obras de norte a sul do país
Como uma construtora consegue manter critérios de qualidade em obras espalhadas por diferentes regiões do Brasil? No caso da MRV, maior construtora da América Latina, a resposta passa por projetos padronizados, métodos construtivos industrializados, treinamento das equipes e acompanhamento dos processos em diferentes etapas da obra.
A lógica permite que conhecimentos e procedimentos desenvolvidos pela construtora sejam aplicados em diferentes localidades, com as adaptações necessárias às características de cada projeto e aos requisitos legais locais.
Como a MRV consegue manter padrões de qualidade em diferentes cidades?
A consistência começa antes da obra. Projetos, métodos construtivos e procedimentos são estruturados para que etapas da construção possam ser reproduzidas nos diferentes canteiros, viabilizando melhor planejamento e controle da execução.
Isso não significa que todos os imóveis sejam construídos de maneira idêntica. As características do terreno, as condições locais e as exigências específicas de cada projeto e a legislação de cada localidade precisam ser consideradas. A padronização está principalmente nos processos, critérios técnicos e formas de controle utilizados durante a construção.
A MRV possui certificação ISO 9001, norma internacional relacionada aos sistemas de gestão da qualidade. Segundo a própria empresa, a certificação estabelece critérios para o gerenciamento dos processos com foco na satisfação dos clientes e envolve treinamentos e auditorias para sua manutenção.
O impacto da padronização na construção de imóveis
Na construção civil, padronizar significa estabelecer procedimentos, especificações e critérios que orientam como determinadas atividades devem ser realizadas, além de desenvolver soluções replicáveis e escaláveis que possam otimizar tempo, investimento e trabalho.
Na MRV, esse conceito também está presente no desenvolvimento e aprimoramento de sistemas construtivos. Com investimentos em recursos e equipes, a empresa avalia de forma criteriosa os espaços e elementos utilizados em seu portfólio para ampliar a eficiência dos produtos e aumentar a padronização de elementos construtivos.
Uma das iniciativas prevê a consolidação de um catálogo modular de peças e kits, que permite combinar soluções de acordo com as características de cada terreno, região e empreendimento. A proposta busca equilibrar padronização e flexibilidade, permitindo adaptar os produtos às necessidades de cada projeto sem abrir mão dos ganhos proporcionados pela repetição de soluções.
Segundo o Relatório Anual de Sustentabilidade 2025 da MRV&CO, essa abordagem gera economia nos processos e redução de custos, além de melhorar o aproveitamento dos terrenos e ampliar as possibilidades comerciais de um portfólio capaz de atender tanto às expectativas dos consumidores quanto aos requisitos regionais. A empresa também relaciona a iniciativa a ganhos em prazos, custos e segurança.
A MRV mantém, ainda, estruturas voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento de novas soluções. Em 2020, a empresa inaugurou um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Belo Horizonte (MG), criado para desenvolver e testar tecnologias, processos, métodos e materiais para a construção habitacional. O espaço reproduz condições semelhantes às encontradas nos canteiros para permitir testes e coleta de dados em ambiente controlado.
Como a inovação na construção contribui para a qualidade dos imóveis?
Abordagens e técnicas inovadoras que favoreçam a agilidade e padronização na Construção Civil podem fazer a diferença na qualidade do produto final. Um exemplo é o método de parede de concreto, utilizado pela MRV em alguns projetos. Nessa abordagem eficiente , formas são montadas no local e preenchidas com concreto, formando as paredes estruturais da unidade. A metodologia permite maior repetibilidade na execução e pode reduzir etapas manuais no canteiro.
A MRV explica que o sistema também facilita o treinamento das equipes e contribui para uma maior organização e agilidade na obra. O método utiliza formas de alta precisão e procedimentos de controle para a execução.
Quando a inovação contribui para uma maior industrialização na Construção Civil, como nesse caso, aumenta a previsibilidade de determinadas etapas. Quanto mais controlado é um processo, menor tende a ser a variação na execução de uma obra para outra.
Por que projetos padronizados são importantes para uma construtora que atua em escala nacional?
A padronização ganha relevância quando uma construtora precisa entregar soluções viáveis em grande escala e em diferentes regiões.
Estabelecer referências técnicas comuns e acompanhar sua aplicação facilita o treinamento das equipes, o planejamento das etapas e a identificação de desvios.
Soluções testadas e aprovadas poderão ser replicadas quando fizer sentido, com as devidas adaptações específicas para cada terreno e projeto.
Essa combinação entre padronização e adaptação local é importante para uma empresa como a MRV, que atualmente está presente em mais de 80 cidades de 22 estados brasileiros e já entregou mais de 550 mil chaves no país.
Como o controle de processos ajuda a evitar diferenças entre as obras?
O controle de qualidade acompanha diferentes etapas da construção para verificar se os procedimentos estão sendo executados de acordo com os parâmetros estabelecidos.
Esse acompanhamento pode envolver inspeções, registros, auditorias, treinamentos e avaliação dos materiais e serviços utilizados. Quando um problema ou desvio é identificado, ele pode ser corrigido e utilizado como aprendizado para aperfeiçoar o processo.
Na estrutura de governança da MRV, o Comitê de Operações tem entre suas atribuições acompanhar o planejamento e o controle da produção, cronogramas de obras, gestão de suprimentos e mão de obra, além de propor melhorias nos processos de compras, gestão de custos, controles de produção e treinamentos das equipes de obra.
Essa estrutura ajuda a fazer do controle de qualidade um processo contínuo e abrangente, em vez de uma verificação feita apenas quando o imóvel está pronto.
A padronização elimina as diferenças entre as regiões?
Não. Uma obra realizada em uma cidade do Nordeste está sujeita a condições diferentes de uma construção no Sul ou no Centro-Oeste, por exemplo.
Características do solo, clima, relevo, disponibilidade de materiais, legislação municipal e condições do terreno podem exigir soluções específicas. Por isso, padronizar não significa aplicar exatamente o mesmo projeto em qualquer lugar.
O que pode ser replicado são os critérios, processos, tecnologias e procedimentos de controle, enquanto os elementos que dependem das condições locais são ajustados.
Essa distinção é importante para entender como a construtora consegue trabalhar em escala nacional sem desconsiderar as características de cada região.
O que garante a qualidade de uma obra da MRV?
A qualidade não depende de um único elemento. No modelo adotado pela MRV, diferentes mecanismos se complementam:
- projetos e procedimentos padronizados, que estabelecem referências para a execução;
- métodos construtivos industrializados, que aumentam a previsibilidade de determinadas etapas;
- controle de produção e acompanhamento das obras;
- treinamento das equipes;
- auditorias e sistemas de gestão da qualidade;
- pesquisa e desenvolvimento de novos materiais, tecnologias e métodos.
Certificações como a ISO 9001 integram esse sistema de gestão da qualidade, enquanto o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento contribui para testar e aperfeiçoar soluções antes de sua aplicação nos canteiros.
Como a MRV adapta seus padrões às características de cada região?
A MRV trabalha com a otimização de produtos e plantas e com métodos construtivos como a construção off site e modular, ao mesmo tempo em que desenvolve soluções e procedimentos que se adequam às exigências e normativas locais.
Essa combinação permite trabalhar com processos e soluções padronizados sem eliminar a possibilidade de adaptação às características de cada projeto e região.
Ainda, em 2025 a construtora lançou seus novos modelos de fachadas de empreendimentos – um projeto amplo de arquitetura e paisagismo que se inspira nos biomas brasileiros e se desdobra em diferentes possibilidades de aplicação de acordo com a localidade e as características regionais.




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