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Belo Horizonte,04/04/2026

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4 efeitos colaterais na voz associados ao uso do “chip da beleza”

Implantes hormonais com testosterona podem provocar alterações vocais potencialmente irreversíveis, mas há opções cirúrgicas para readequação da voz

Assessoria de Imprensa
4 efeitos colaterais na voz associados ao uso do “chip da beleza” Dr. Guilherme Catani - Otorrino e Laringologista/ Foto: Fernanda Hunter
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O uso do chamado “chip da beleza”, implantes hormonais subcutâneos
frequentemente associados à testosterona, tem se popularizado com promessas
estéticas e de melhora de desempenho físico. No entanto, um dos efeitos menos
discutidos envolve mudanças significativas na voz feminina, que podem ser
permanentes.

Dr. Guilherme Catani por Rafaela Catani

Segundo o otorrinolaringologista e laringologista Dr. Guilherme Catani,
os andrógenos atuam diretamente na laringe e promovem alterações estruturais
nas pregas vocais.

"Qualquer hormônio exógeno com ação androgênica pode
provocar alterações estruturais nas pregas vocais, levando a mudanças
definitivas na voz, como agravamento do timbre e instabilidade vocal",
diz.
“A testosterona estimula o espessamento das pregas vocais e o aumento da
massa muscular da laringe. Isso reduz a frequência fundamental da voz,
tornando-a mais grave. Em muitos casos, essa mudança não regride completamente,
mesmo após a suspensão do hormônio”, explica Catani.

O primeiro efeito percebido costuma ser o engrossamento vocal,
também chamado de virilização da voz. A mudança pode ocorrer de forma
progressiva, tornando o timbre mais grave e, em algumas situações, com
características masculinizadas.

Além da alteração de tom, pode surgir rouquidão persistente. O
uso hormonal pode provocar edema e alterar o padrão de vibração das pregas
vocais, resultando em voz áspera, instável ou com falhas.

“Não é apenas uma voz mais grave. Muitas pacientes relatam perda de
qualidade vocal, cansaço ao falar e dificuldade para sustentar a emissão”,
afirma Catani.

Outro impacto importante é a perda de extensão vocal,
especialmente nos tons mais agudos. Profissionais que utilizam a voz
intensamente costumam perceber redução do alcance e menor flexibilidade.

“A paciente pode perder o controle fino da emissão e a capacidade de
atingir frequências mais altas, o que afeta diretamente quem depende da voz no
trabalho”, pontua.

Além das alterações físicas, há repercussão emocional significativa.
A voz é um dos principais marcadores de identidade e reconhecimento social.

“A
voz é parte de quem somos. Uma mudança inesperada pode gerar estranhamento,
sofrimento e impacto na autoestima”, ressalta.

Há possibilidade de reversão?

Embora parte das alterações possa ser definitiva, existem opções
terapêuticas para readequação vocal. Nesses casos, o tratamento pode envolver
fonoterapia e, quando indicado, procedimentos cirúrgicos como a vaporização da
musculatura das pregas vocais com laser de CO₂ (gás carbônico) e a
glotoplastia, técnicas voltadas à readequação vocal.

“Hoje dispomos de técnicas cirúrgicas de readequação vocal que permitem
aumentar a frequência da voz e ajustar parâmetros vocais. Cada caso precisa ser
avaliado individualmente, mas é importante que a paciente saiba que há
possibilidades de tratamento”, explica Dr. Catani.



























O especialista reforça que a melhor estratégia ainda é a informação e o
acompanhamento adequado antes do uso de hormônios.

“Hormônio não é recurso
estético isento de risco. Quando falamos de voz, estamos falando de estrutura
anatômica. E qualquer intervenção deve ser feita com consciência dos possíveis
impactos”, conclui.







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