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Belo Horizonte,29/08/2026

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Número de fumantes volta a crescer no Brasil após anos de queda

Assessoria de Imprensa
Número de fumantes volta a crescer no Brasil após anos de queda Divulgação internet
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Dados do Ministério da Saúde mostram aumento do tabagismo entre adultos e avanço do uso de cigarros eletrônicos entre jovens; especialista do Felício Rocho orienta sobre riscos e tratamento

O Brasil registrou uma interrupção na trajetória de queda do tabagismo entre adultos. Dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, apontam que 11,5% dos adultos residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal são fumantes, ante 9,2% em 2023. Apesar da redução observada ao longo das últimas duas décadas — eram 15,7% em 2006 —, o cenário mais recente reforça a necessidade de manter as ações de prevenção e tratamento da dependência de nicotina. O dado integra a série histórica do Ministério da Saúde e considera a população adulta com 18 anos ou mais.

O alerta ganha relevância neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, especialmente diante da diversificação dos produtos que contêm nicotina.

De acordo com levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde em 2026, a frequência de adultos que fumam ou utilizam dispositivos eletrônicos para fumar passou de 2,3% em 2019 para 2,4% em 2024. Entre jovens de 18 a 24 anos, porém, o índice passou de 7,4% para 10,1% no mesmo período, alcançando o maior percentual da série histórica para essa faixa etária.

Para Edinei Pereira, pneumologista do Hospital Felício Rocho, o cenário reforça que o tabagismo deve ser tratado como uma questão de saúde e não apenas como um hábito.

“A dependência da nicotina pode fazer com que parar de fumar seja um processo difícil, e isso não significa falta de determinação por parte do paciente. É uma condição que pode ser tratada. A avaliação profissional permite identificar o grau de dependência e definir estratégias para reduzir os sintomas de abstinência e aumentar as chances de cessação. Quanto antes a pessoa interromper o consumo, maiores são os benefícios para a saúde.”

Doenças vão além do câncer de pulmão

O cigarro está relacionado a uma série de doenças que atingem diferentes órgãos e sistemas do organismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é fator de risco para doenças cardiovasculares e respiratórias e para mais de 20 tipos ou subtipos de câncer. A entidade estima que o tabaco provoque mais de 7 milhões de mortes por ano no mundo, incluindo mais de 1,6 milhão de pessoas que não fumam, mas são expostas à fumaça do tabaco.

Entre os principais problemas relacionados ao tabagismo estão câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares e respiratórias. O INCA também destaca a associação do tabagismo com dezenas de doenças e ressalta que não existe nível seguro de exposição à fumaça do tabaco.

Além dos prejuízos provocados pelo consumo direto, a exposição à fumaça também representa risco para quem convive com fumantes. Dados do Vigitel 2023 indicaram que 6,4% dos adultos das capitais e do Distrito Federal estavam expostos ao fumo passivo no domicílio.

Cigarro eletrônico não é inofensivo

A popularização dos dispositivos eletrônicos para fumar acrescentou um novo desafio às políticas de controle do tabagismo. Segundo o INCA, nenhum dispositivo eletrônico para fumar é seguro. Os produtos podem conter nicotina e outras substâncias tóxicas associadas ao desenvolvimento de câncer e de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Entre adolescentes, o avanço é ainda mais expressivo. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, mostrou que a experimentação de cigarros eletrônicos entre escolares passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. O percentual foi de 31,7% entre meninas e 27,4% entre meninos. Entre estudantes da rede pública, chegou a 30,4%.

“Existe uma percepção equivocada de que o cigarro eletrônico é apenas uma alternativa mais moderna ao cigarro convencional. Esses dispositivos podem fornecer nicotina e outras substâncias potencialmente tóxicas e, portanto, não devem ser considerados inofensivos. O crescimento do uso entre adolescentes e jovens é especialmente preocupante porque a exposição à nicotina pode favorecer a dependência e contribuir para a iniciação ao tabagismo”, afirma. 

Tratamento pode ajudar na cessação

Parar de fumar pode exigir acompanhamento especializado. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tabagismo, elaborado pelo Ministério da Saúde e pelo INCA, prevê estratégias de tratamento da dependência de nicotina, incluindo abordagem comportamental e, quando indicada, terapia medicamentosa.

Para quem deseja abandonar o cigarro, a recomendação é buscar avaliação de um profissional de saúde. O tratamento pode considerar o histórico de consumo, o grau de dependência, tentativas anteriores de cessação e as condições clínicas de cada paciente.




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