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Belo Horizonte,16/08/2026

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Além do fondue: 3 restaurantes em Zurique para quem quer fugir do óbvio

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Além do fondue: 3 restaurantes em Zurique para quem quer fugir do óbvio


Zurique tem mais fome do que aparenta. Muito além do chocolate e do fondue, a cidade é cosmopolita, curiosa e, às vezes, irreverente à mesa. Aqui, uma instituição gastronômica cercada de arte moderna, uma mesa de alta cozinha contemporânea e um restaurante vegetariano que ajudou a antecipar um movimento inteiro podem compartilhar o mesmo roteiro. É nessa diversidade que mora o apetite mais interessante da cidade. Vamos? En Guete!
Kronenhalle: um século de arte moderna à mesa
Kronenhalle: artistas, colecionadores e intelectuais se encontram entre suas mesas
Divulgação
Poucos restaurantes sintetizam a vida cultural de Zurique como o Kronenhalle. Há um século, artistas, colecionadores e intelectuais se encontram entre suas mesas, cercados por uma das mais importantes coleções privadas de arte moderna reunidas em um restaurante. Fundado em 1924 por Hulda e Gottlieb Zumsteg, o endereço ganhou projeção internacional sob o comando do filho do casal, o colecionador Gustav Zumsteg, que reuniu ao longo de décadas obras de Chagall, Picasso, Miró e Giovanni Giacometti. Distribuídas pelos ambientes, elas fazem com que sentar-se à mesa seja também atravessar um acervo particular.
Boa parte do espetáculo está no serviço. Pelo salão desliza a voiture, o carrinho de prata conduzido à mesa para trinchar o suculento Chateaubriand para duas pessoas e os cortes rosados de rosbife, servidos ao próprio jus, com legumes fumegantes em panelas de cobre. Em março de 2026, o chef Rino Ricci assumiu o comando da cozinha, sucedendo Peter Schärer, que esteve à frente da casa por 35 anos. A nova gestão mantém os clássicos suíços e franceses que ajudaram a construir a fama do Kronenhalle.
Fundado em 1924 por Hulda e Gottlieb Zumsteg, o endereço ganhou projeção internacional sob o comando do filho do casal, o colecionador Gustav Zumsteg, que reuniu ao longo de décadas obras de Chagall, Picasso, Miró e Giovanni Giacometti
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Entre eles está o Zürcher Geschnetzeltes, tiras de vitela ao molho aveludado de vinho branco e cogumelos, acompanhado do que muitos consideram um dos rösti mais crocantes da cidade. Também estão no cardápio o Wiener Schnitzel e a lendária mousse au chocolat com crème double de Gruyère.
Inaugurado em 1965, o Kronenhalle Bar foi concebido pelo arquiteto e designer Robert Haussmann, um dos nomes centrais do design suíço do pós-guerra, em colaboração com Diego Giacometti, irmão de Alberto e responsável pelas luminárias de alabastro que ajudam a definir o ambiente. O resultado é um raro Gesamtkunstwerk, em que arquitetura, design, arte e gastronomia se encontram.
Entre obras originais de Picasso, Miró, Matisse e Rauschenberg, Christian Heiss conduz uma carta dedicada aos grandes clássicos da coquetelaria, do Dry Martini ao Kronenhalle Special, servido exclusivamente ali desde os anos 1960. Aqui, arte, serviço e boa mesa continuam inseparáveis — e o Kronenhalle permanece, mais de um século depois, como uma das mesas mais disputadas de Zurique.
Instigante e contemporâneo, IGNIV
O IGNIV apresenta uma leitura contemporânea da alta gastronomia em Zurique
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Em Niederdorf, no coração medieval da Cidade Velha, o IGNIV apresenta uma leitura contemporânea da alta gastronomia em Zurique. Com duas estrelas Michelin, interiores assinados por Patricia Urquiola, arte provocativa nas paredes e uma proposta pensada para compartilhar, o restaurante transforma o jantar em uma experiência coletiva.
Igniv significa “ninho” em romanche e traduz a ideia do chef Andreas Caminada, um dos nomes mais celebrados da gastronomia suíça. Dono de três estrelas Michelin no Schloss Schauenstein, nos Grisões, Caminada criou o conceito do IGNIV e, a partir de Zurique, levou a proposta também a Bangkok.
O menu se desenvolve em etapas-surpresa, algumas reveladas apenas quando chegam à mesa
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Aqui, em vez da tradicional sequência de pratos, até 30 pequenas porções chegam ao centro da mesa para serem compartilhadas. O menu se desenvolve em etapas-surpresa, algumas reveladas apenas quando chegam à mesa. A experiência começa no bar, onde Daniele Biondo prepara drinques autorais como o Gimlet e o Yuzu Spritz. Vale chegar cedo: da última mesa do bar, é possível acompanhar o mise-en-scène do salão antes de descer os degraus e entrar em cena.
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No restaurante, o restaurant manager e sommelier Manuel Beer conduz uma carta de vinhos que merece atenção, com destaque para champagnes e rótulos de pequenos produtores. O chef executivo Daniel Zeindlhofer renova o menu a cada estação, acrescentando delicados acentos asiáticos a criações como o tartare, os célebres nuggets de frango e o Oeuf Royal, coroado por trufa negra.
Ao final, a Candy Store, inspirada nas antigas confeitarias, convida cada comensal a montar a própria caixa com chocolates, macarons, financiers, cannelés e nougat de Montélimar. O detalhe lúdico tornou-se uma das assinaturas da casa.
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O restaurante ocupa o histórico Marktgasse Hotel, um dos mais antigos de Zurique, formado por um conjunto de casas medievais cuja história remonta a 1291. Ao longo dos séculos, o edifício já foi hospedaria, cinema e teatro de variedades, recebendo artistas, bailarinas e até leões-marinhos adestrados.
Foi justamente nesse passado que Patricia Urquiola buscou inspiração para o projeto de interiores. Do bar ao salão, o desenho cria uma atmosfera de casulo, com cortinas de veludo, sofás acolhedores e mesas que parecem fazer da cozinha um palco. A irreverência também aparece na coleção de arte, com curadoria de Andreas Ritter, que reúne fotografias de Walter Pfeiffer e o neon Miniskirts forever, de Sylvie Fleury.
O restaurante vegetariano mais antigo do mundo fica em Zurique
Hiltl Sihlpost, o restaurante vegetariano mais antigo do mundo
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Ao lado da estação central de trens de Zurique, o Hiltl Sihlpost ocupa o Europaallee, distrito contemporâneo que ajudou a redesenhar a antiga área ferroviária da cidade. A história da marca começou em 1898, quando abrir um restaurante vegetariano parecia uma ideia improvável — em uma época em que não comer carne ainda era visto como excentricidade.
Pouco depois, Ambrosius Hiltl assumiu o negócio, que passou a levar seu sobrenome. Hoje, reconhecido pelo Guinness World Records como o restaurante vegetariano mais antigo do mundo em funcionamento contínuo, o Hiltl está na quarta geração da família e mantém cinco endereços em Zurique.
O restaurante ocupa o térreo da antiga agência central dos correios
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Esta unidade ocupa o térreo da antiga agência central dos correios, um edifício de 1929 em estilo Neues Bauen. O projeto de adaptação, assinado pelos arquitetos Oberholzer & Brüschweiler em colaboração com o estúdio de cenografia de Ushi Tamborriello, preservou elementos originais, como os pilares em formato de cogumelo, o concreto aparente, os letreiros e antigos balcões dos correios, transformados em um longo bar de madeira.
No centro da experiência está o buffet servido por peso, com mais de 90 especialidades vegetarianas e veganas inspiradas em cozinhas de diferentes partes do mundo. Hambúrgueres veganos, sanduíches, massas e releituras de clássicos suíços completam o cardápio, ao lado de cafés especiais, sucos prensados na hora, vinhos orgânicos e coquetéis.
Para quem está de passagem, há ainda uma área de grab & go, prática para um lanche rápido antes de pegar o próximo trem. É uma parada que traduz bem a personalidade de Zurique: histórica, cosmopolita e aberta a novas formas de comer.




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