Tontura nem sempre é labirintite: neurocirurgião indica os sinais que você nunca deve ignorar
Prof. Dr. Marcio Rassi O neurocirurgião Dr. Marcio Rassi esclarece as principais causas da tontura e explica quando o sintoma pode estar relacionado a doenças neurológicas como, por exemplo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou mesmo tumores do sistema nervoso central.
De acordo com o médico, em alguns casos quando a tontura está associada a zumbido e a perda auditiva isso pode ser um sinal de tumores conhecidos como schwannoma vestibulares.
A tontura é um dos sintomas que mais levam pacientes aos consultórios e serviços de emergência. Apesar disso, ainda é comum que qualquer episódio seja associado automaticamente à labirintite.
A realidade, porém, é bem diferente: a tontura pode ser provocada por diversas condições clínicas e, em alguns casos, representar o primeiro sinal de uma doença neurológica grave.
Segundo o neurocirurgião Dr. Marcio Rassi, o maior erro é tratar a tontura como um diagnóstico, quando, na verdade, ela é apenas um sintoma.
“Alterações no labirinto são uma causa frequente de tontura, mas estão longe de ser a única. O sintoma também pode estar relacionado a problemas neurológicos, cardiovasculares, alterações metabólicas, uso de medicamentos e até transtornos de ansiedade. Por isso, identificar a origem é fundamental para indicar o tratamento adequado.”, adverte Rassi.
O especialista explica que a forma como a tontura se manifesta já oferece pistas importantes. Segundo o especialista, a sensação de que tudo está girando, conhecida como vertigem, costuma estar relacionada ao sistema vestibular. Já a sensação de desmaio iminente, perda do equilíbrio, dificuldade para caminhar ou instabilidade pode indicar outras alterações que exigem investigação médica.
Quando a tontura merece preocupação?
Embora a maioria dos episódios tenha causas benignas, alguns sinais exigem atendimento imediato.
“Se a tontura surgir de forma súbita e intensa e vier acompanhada de dificuldade para falar, perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, alteração na visão, dificuldade para caminhar, perda de coordenação, dor de cabeça muito intensa ou perda de consciência, é fundamental procurar um serviço de emergência. Esses sintomas podem indicar um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou outra condição neurológica que precisa de diagnóstico rápido.”
O neurocirurgião ressalta que a atenção também deve ser redobrada quando a tontura passa a ser recorrente.
“Episódios que se repetem com frequência, duram vários dias, pioram progressivamente ou começam a limitar as atividades do dia a dia nunca devem ser considerados normais. Quanto mais cedo descobrimos a causa, mais chances de um tratamento eficaz e de evitar complicações.”, comenta.
Para o especialista, a principal mensagem é que a automedicação ou a suposição de que toda tontura é labirintite podem atrasar diagnósticos importantes.
“A tontura é um sintoma que merece ser investigado. Na maioria das vezes, a causa não é grave, mas existem situações em que ela pode ser o primeiro aviso de uma doença séria. O diagnóstico correto é o caminho para um tratamento seguro e eficaz.”
Prof. Dr. Marcio Rassi
Neurocirurgião e professor de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Vice-Presidente da Associação dos Neurocirurgiões do Estado de São Paulo (SONESP). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Cirurgias para Tumores Cerebrais e da Base do Crânio no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie de Curitiba. Pos-doctoral Fellowship em Cirurgias para Tumores Cerebrais e da Base do Crânio no Brigham and Women’s Hospital, Harvard Medical School.




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