OMS diz que testes contra cepa do Ebola da RD Congo são promissores
Os testes de tratamentos experimentais, medicamentos preventivos e vacinas contra a cepa Bundibugyo do Ebola, responsável pelo surto em curso na República Democrática do Congo, estão avançando rapidamente, informou a OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta terça-feira (4).
A epidemia, a segunda maior e de mais rápida disseminação já registrada, foi causada pela rara cepa Bundibugyo do vírus, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados.
Mas Vasee Moorthy, chefe interino do programa R&D Blueprint da OMS, disse a jornalistas em Genebra que os protocolos de pesquisa desenvolvidos antes do início da epidemia ajudaram a acelerar os testes de novos tratamentos.
“Se compararmos este surto aos surtos anteriores de Ebola, conseguimos iniciar os ensaios mais rapidamente”, disse ele. “É verdade que os dados pré-clínicos que estamos vendo são promissores.”
Ele alertou, no entanto, que somente os ensaios clínicos poderão determinar se os tratamentos e as vacinas são eficazes.
A epidemia na RD Congo tem, até o momento, resistido aos esforços dos profissionais de saúde para contê-la.
Até 1º de agosto, a RD Congo havia registrado 3.748 casos confirmados e 1.657 mortes confirmadas em 49 zonas de saúde em cinco províncias, de acordo com dados da OMS. Cerca de 17.000 contatos estão sob monitoramento, com aproximadamente 80% deles sendo examinados diariamente.
Um ensaio de tratamento patrocinado pela OMS está em andamento em três unidades de atendimento clínico na província de Ituri, em parceria com as organizações médicas sem fins lucrativos Alima e MSF (Médicos Sem Fronteiras).
Mais de 50 pacientes com Ebola confirmado foram incluídos no estudo e designados aleatoriamente para opções de tratamento experimental, informou a OMS.
Um estudo de profilaxia separado, liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da RD Congo e por parceiros internacionais, incluiu mais de 25 contatos de alto risco na província de Ituri.
Os pesquisadores estão testando se um tratamento de 10 dias com o medicamento antiviral oral Obeldesivir pode prevenir a doença após a exposição.
A pesquisa sobre vacinas também está se acelerando. Uma vacina específica para a cepa Bundibugyo, desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo Instituto Serum da Índia, entrou na Fase 1 de testes no Reino Unido em 24 de julho, enquanto uma segunda candidata, desenvolvida pela Moderna, deve iniciar a Fase 1 de testes no Canadá nesta semana.
A OMS também está analisando novos dados em animais para determinar se a vacina contra o Ebola licenciada pela MSD, usada contra a cepa Zaire, poderia oferecer proteção cruzada contra o Ebola de Bundibugyo, disse Moorthy.
Um grupo consultivo da OMS se reuniu na semana passada para avaliar as descobertas e deve publicar recomendações em breve.




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