Haddad diz que comandante da PM indicado por Tarcísio foi afastado sob suspeita de ligação com o PCC

Haddad diz que comandante da PM indicado por Tarcísio foi afastado sob suspeita de ligação com o PCC
Guilherme Machado / TV Vanguarda
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (31), durante entrevista à Rádio Nova Brasil Vale, que o ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, indicado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o comando da corporação, foi afastado após ser citado em uma investigação que apura a atuação de policiais em um esquema ligado ao PCC.
Para Haddad, o caso revela um "problema gravíssimo" na segurança pública do estado.
"Eu nunca ouvi alguém de São Paulo falar que a corporação, sobretudo a cúpula da corporação, que é uma corporação honrada do ponto de vista moral, estivesse envolvida com o crime organizado. Pode acontecer numa corporação de um membro da corporação trair os compromissos assumidos com a sua corporação, trair o seu juramento. Isso acontece numa igreja, pode acontecer num exército, pode acontecer num partido, pode acontecer em qualquer lugar, mas eu estou falando do comandante geral da Polícia Militar. Coronel Coutinho hoje é uma pessoa investigada pelo Ministério Público por envolvimento com o PCC", afirmou o político.
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O caso citado pelo candidato envolve o coronel José Augusto Coutinho, que deixou o comando-geral da PM em abril e foi citado em uma investigação que apura a participação de policiais militares em um esquema de segurança privada ilegal para dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, investigada por suposta ligação com a facção criminosa PCC.
"Podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais", diz um coronel da PM a um suposto integrante do PCC.
Haddad também criticou a forma como, segundo ele, o governo estadual tratou o afastamento do comandante.
"O Tarcísio, ao demiti-lo, ao invés de explicar para a população de São Paulo por que estava demitindo, disse que estava afastando, mas que ele tinha grandes serviços prestados ao Estado, mas que ele queria trocar o comando por uma mulher", afirmou.
"Então nós estamos mentindo para a população de São Paulo, nós estamos com um problema gravíssimo de segurança pública", disse.
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Plano de segurança
Durante a entrevista, Haddad afirmou que, caso seja eleito governador, pretende criar um gabinete institucional de segurança pública com participação de órgãos como Polícia Federal e Receita Federal.
"O primeiro nível é o combate ao andar de cima do crime organizado", afirmou.
Segundo ele, o governo estadual precisa atuar no combate às organizações criminosas e ampliar a integração entre as forças de segurança.
"Não adianta combater só o varejo do crime. Tem que combater quem financia, quem lava dinheiro, quem estrutura as organizações criminosas", disse.
Depois da entrevista na rádio, Haddad seguiu para uma agenda na Associação das Empresas do Vale do Paraíba (Assecre), em São José dos Campos, onde se reuniu com empresários da região.
O coronel da PM José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar do Estado de SP.
Divulgação/GESP/Secom
Ex-comandante da PM
José Augusto Coutinho comandou a Polícia Militar de São Paulo entre 2023 e abril de 2026. Ele deixou o cargo e pediu transferência para a reserva da corporação.
No lugar do coronel Coutinho, assumiu a coronel Glauce Anselmo Cavalli. Foi a primeira vez na história da PM de São Paulo que uma mulher ocupou o cargo em quase 200 anos de corporação.
O coronel Coutinho foi citado em um depoimento anexado a um inquérito da Corregedoria da PM que investiga policiais suspeitos de fazer segurança particular ilegal para dirigentes da Transwolff.
A empresa é investigada na Operação Fim da Linha, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.
Em depoimento, um sargento da PM relatou uma conversa com Coutinho, que na época era major e comandante da Rota, sobre a permanência dele na tropa enquanto realizava um "bico" de segurança privada.
A defesa de Coutinho afirmou, na época, que a "mera citação em procedimento investigativo não implica, por si só, qualquer juízo de responsabilidade ou envolvimento em irregularidades".
Já a Polícia Militar informou ao g1 anteriormente que não comenta investigações em andamento, mas afirmou que eventuais irregularidades são apuradas com rigor técnico e respeito ao devido processo legal.
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