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Belo Horizonte,06/04/2026

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Mesma profissão, rotinas diferentes: médicos brasileiros comparam hospitais do Brasil e da Itália

Médico que atuou nos dois sistemas explica como a organização de cada país molda a prática clínica e a qualidade de vida profissional

Assessoria de Imprensa
Mesma profissão, rotinas diferentes: médicos brasileiros comparam hospitais do Brasil e da Itália Plantões prolongados e alta demanda de pacientes no Brasil contrastam com rotinas mais organizadas e divisão estruturada de tarefas na Itália, diferenças que impactam diretamente o exercício da medicina e a qualidade de vida dos profissionais /Freep
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A rotina começa cedo nos dois lados do Atlântico. Jaleco, prontuário, corredores hospitalares e decisões rápidas fazem parte do dia a dia tanto no Brasil quanto na Itália. Mas, para médicos brasileiros que já atuaram nos dois países, as semelhanças praticamente terminam na formação.


Carga de plantões, número de pacientes por turno, pressão por produtividade e organização das equipes mudam de forma significativa, e impactam diretamente a qualidade de vida e a maneira de exercer a medicina.

É o que relata o médico Higor Rodrigues, que construiu a carreira em São Paulo e hoje atua no sistema de saúde italiano.

 Antes de iniciar o processo de revalidação do diploma para atuar na Itália, Higor vivenciou a rotina intensa dos hospitais brasileiros, com plantões extensos e alta demanda de atendimentos.


“Trabalhava muito no Brasil e vivia pouco”, resume.


No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante atendimento universal gratuito à população e é um dos maiores sistemas públicos do mundo, com milhões de atendimentos em consultas, exames e internações todos os anos, além de contratos com unidades privadas por meio de convênios públicos. A rede organiza desde atenção primária até serviços especializados, mas enfrenta desafios de financiamento, desigualdade regional e sobrecarga assistencial, fatores que moldam a rotina dos profissionais de saúde e podem intensificar jornadas de trabalho.


Higor conta que, na rotina brasileira, plantões e alta demanda por atendimento de emergência eram constantes. Ao chegar à Itália, encontrou um ambiente de trabalho diferente.


“Há uma diferença muito grande. Existe uma confiança muito grande em relação aos médicos brasileiros. É um respeito enorme pelo teu trabalho, carreira e formação”, afirma Higor sobre a recepção dos pacientes e a interação profissional no ambiente italiano.


Entre plantões mais intensos no Brasil e uma rotina mais estruturada na Itália, o exercício da medicina pode significar experiências distintas, influenciadas pelo modelo de organização dos sistemas públicos de saúde e pelas formas como eles lidam com fluxos de trabalho, financiamento e relacionamentos entre profissionais e pacientes.


A experiência de Higor evidencia que, embora a medicina seja universal em conhecimento técnico, o contexto em que ela é exercida transforma profundamente a rotina profissional.


“A responsabilidade é a mesma, mas a forma de trabalhar muda bastante”, diz.


Estrutura do sistema influencia a prática médica


O sistema de saúde italiano, conhecido como Servizio Sanitario Nazionale (SSN), oferece cobertura universal a cidadãos e residentes legais, com serviços financiados por impostos e organizados de forma descentralizada por regiões. A maior parte dos cuidados, incluindo consultas médicas, exames e internações, é oferecida gratuitamente ou com custos reduzidos, embora exista cobrança de pequenas taxas chamadas ticket em algumas situações.


Para a médica Gabriela Rotili, que atua na Itália desde 2021 e hoje orienta profissionais brasileiros interessados em trabalhar no país, as diferenças relatadas não são pontuais. Elas refletem características estruturais dos sistemas de saúde de cada país.


“O Brasil tem um sistema universal robusto, mas enfrenta desafios históricos de financiamento, desigualdade regional e sobrecarga assistencial. Isso impacta diretamente a rotina médica”, explica Gabriela.


No SSN italiano, a coordenação é regional e a rede de atenção envolve médicos de família (Medico di Base), unidades hospitalares e especialistas integrados por um sistema de regulação e encaminhamento que tende a tornar o fluxo de trabalho mais organizado.


“Muitos colegas brasileiros se surpreendem com o grau de formalidade e rigidez das normas. A autonomia clínica continua existindo, mas dentro de diretrizes bem delimitadas”, afirma Gabriela.




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