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Belo Horizonte,23/07/2026

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EUA querem financiar projeto da Aclara para refinar terras raras com IA

cnnbrasil.com.br
EUA querem financiar projeto da Aclara para refinar terras raras com IA

O governo dos Estados Unidos selecionou a Aclara Resources para negociar financiamento federal a um projeto que usará inteligência artificial para aprimorar a separação de terras raras pesadas. A informação foi divulgada pela mineradora em comunicado ao mercado publicado nesta quinta-feira (23).


A iniciativa faz parte da Genesis Mission, programa do DOE (Departamento de Energia dos Estados Unidos) voltado ao desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial em áreas consideradas estratégicas para energia, ciência e segurança nacional.


A seleção, no entanto, ainda não representa a liberação imediata dos recursos. O valor, os termos e o cronograma do financiamento federal serão definidos em negociações entre o governo americano e a Aclara Technologies, subsidiária da mineradora nos Estados Unidos.




Na Fase I, a companhia terá de desenvolver e demonstrar o funcionamento da tecnologia proposta. Os projetos que apresentarem resultados considerados bem-sucedidos poderão avançar para a Fase II, quando terão a oportunidade de disputar financiamento federal adicional.


O comunicado não informa quanto tempo cada etapa deverá durar nem o volume de recursos que poderá ser destinado à Aclara. A passagem para a segunda fase também não é automática.


O projeto da companhia foi selecionado na área do programa destinada a garantir o abastecimento de minerais críticos dos Estados Unidos por meio de novas tecnologias de extração e processamento.


A proposta é desenvolver e validar um “gêmeo digital” assistido por inteligência artificial para otimizar circuitos de extração por solventes, processo utilizado para separar os diferentes elementos presentes em uma mistura de terras raras.


Na prática, o gêmeo digital funcionará como uma reprodução virtual da operação industrial.


A tecnologia permitirá simular o comportamento da planta diante de mudanças na composição do material processado e nas condições de funcionamento, indicando ajustes para manter a estabilidade e a eficiência do processo.


Segundo a Aclara, o sistema utilizará dados operacionais de sua planta-piloto de separação de terras raras na Virginia Tech e ferramentas avançadas de simulação desenvolvidas pelo Argonne National Laboratory, laboratório ligado ao governo americano.


A empresa espera que a inteligência artificial ajude a aumentar a recuperação dos minerais e a pureza dos produtos, reduzir a necessidade de intervenção dos operadores e acelerar a passagem dos testes em escala-piloto para uma futura operação industrial.


O projeto será executado em parceria pela Aclara Technologies, pelo Argonne National Laboratory e pela Virginia Tech. A colaboração reúne a experiência industrial da companhia, as ferramentas de simulação do laboratório nacional e a estrutura acadêmica da universidade.


Cadeia entre Brasil, Chile e Estados Unidos


A seleção reforça a estratégia da Aclara de construir uma cadeia verticalmente integrada de terras raras nas Américas, conectando seus projetos minerais no Brasil e no Chile ao processamento e à fabricação de materiais de maior valor agregado.


O principal ativo mineral da empresa é o Projeto Carina, localizado em Goiás. A companhia também desenvolve o Módulo Penco, na região de Biobío, no Chile.


Os dois projetos estão localizados em depósitos de argilas iônicas, que, segundo a Aclara, possuem concentrações relevantes de terras raras pesadas.


A estratégia prevê que Carina e Penco produzam carbonatos mistos de terras raras. Esse produto intermediário seria enviado para uma planta de separação que a Aclara pretende desenvolver nos Estados Unidos.


Na unidade americana, os carbonatos mistos seriam separados em óxidos individuais e de alta pureza. É justamente essa etapa de separação que a empresa pretende aprimorar com o projeto de inteligência artificial selecionado pelo DOE.


Depois disso, a Aclara pretende transformar os óxidos refinados em ligas utilizadas na fabricação de ímãs permanentes. Essa etapa está sendo desenvolvida por meio de uma joint venture com a chilena CAP, grupo com experiência no refino de metais e na produção de aços e ferroligas especiais.


Com o modelo, a empresa pretende participar de diferentes elos da cadeia: a extração e a produção dos carbonatos no Brasil e no Chile, a separação dos elementos nos Estados Unidos e a fabricação de ligas para ímãs permanentes.


 


 




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