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Belo Horizonte,21/07/2026

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Baixa maturidade operacional desafia médias empresas e compromete capacidade de crescimento, aponta estudo

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Baixa maturidade operacional desafia médias empresas e compromete capacidade de crescimento, aponta estudo
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A maioria das empresas de médio porte ainda enfrenta desafios para estruturar processos, mensurar períodos do ciclo de execução de produtos e serviços e monitorar indicadores de eficiência operacional. Esse cenário expõe os entraves no segmento de médio porte com relação à maturidade operacional, evidenciando ainda dificuldades para desenvolver a cultura da governança e estruturar indicadores de desempenho.
Em 90% das organizações de porte médio, as operações ainda se encontram no estágio mais básico de maturidade em processos. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela consultoria Auddas, com base na análise do comportamento de mais de 150 empresas que têm entre 100 a 150 empregados e faturamento médio anual de R$ 60 milhões nos últimos dez anos. Juntas, essas companhias movimentam em torno de R$ 9 bilhões por ano e representam cerca de 18 mil empregos diretos.
A amostra, composta por clientes ativos da consultoria, reúne empresas dos setores de construção civil, saúde, indústria alimentícia, metalurgia, startups e varejo, incluindo segmentos como moda, eletrônicos e cama, mesa e banho. Ainda de acordo com o levantamento, mais de 70% das empresas avaliadas não conseguem mensurar o tempo de ciclo de execução de seus produtos ou serviços. Aproximadamente 90% não monitoram indicadores formais relacionados à eficiência operacional, como tempo de execução das atividades, gargalos produtivos, produtividade por etapa ou níveis de retrabalho.
O estudo mostra uma realidade comum a grande parte das médias empresas brasileiras: processos pouco padronizados, baixa governança, escassez de indicadores de desempenho e forte dependência da experiência individual dos colaboradores para garantir que a operação funcione.
“A baixa maturidade operacional deixou de ser apenas um problema de eficiência e passou a ser um fator que compromete diretamente a competitividade e a capacidade de crescimento das empresas", afirma Rubia Lima, head da unidade de negócios de processos e eficiência operacional da Auddas. “Quando uma empresa não conhece seus processos, ela não consegue medir, melhorar ou escalar com segurança. O crescimento passa a depender de esforço individual, e não de método", diz.
Lima pondera que, embora pareçam questões meramente administrativas, os impactos são financeiros e podem ser expressivos. Para a consultora, o maior prejuízo da baixa maturidade operacional não está no custo que ela gera, mas no valor que ela impede a empresa de capturar.
“Quando falamos de maturidade operacional, muita gente pensa apenas em redução de desperdícios ou corte de custos. Mas existem estudos mostrando ganhos de 5% a 15% no resultado operacional (Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos e amortização) e reduções importantes de custos após programas estruturados de excelência operacional", observa Lima.
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Produtividade por setores
Na amostra da pesquisa da Auddas, a construção civil aparece entre os setores com maior defasagem de produtividade. A baixa padronização dos processos e a dificuldade de gestão continuam sendo alguns dos principais fatores que limitam a eficiência desse setor.
No varejo, os ganhos em excelência operacional são mais evidentes, como aponta o levantamento da Auddas. A aplicação de metodologia Lean (filosofia de gestão que mapeia processos e evita desperdícios) e de melhores práticas de gerenciamento de estoques pode reduzir em até 15% os custos operacionais. Essa prática ainda favorece o aumento da disponibilidade de produtos, a diminuição de rupturas e o aprimoramento da experiência do consumidor.
Já no setor de saúde, desperdícios administrativos, clínicos ou operacionais são o maior gargalo. O estudo da Auddas aponta espaço nesse segmento para ganhos de eficiência sem comprometer a qualidade da assistência.
A indústria, por sua vez, apresenta maior tradição em gestão por indicadores, programas Lean e melhoria contínua. Ainda assim, pode buscar mais oportunidades relevantes para aumentar produtividade e reduzir desperdícios.
O gargalo da IA e busca pela governança
Outra evidência da pesquisa é um paradoxo que vem ganhando importância nas empresas brasileiras de médio porte. Enquanto cresce o interesse pela inteligência artificial (IA), cerca de 80% das organizações avaliadas ainda enfrentam dificuldades para implementar essa tecnologia justamente porque não possuem processos suficientemente estruturados.
O problema, segundo a especialista, não está na tecnologia em si, mas na ausência de dados confiáveis, regras operacionais claras e fluxos padronizados. "Não adianta investir em IA se a empresa não sabe como seus processos funcionam. A tecnologia precisa ser treinada a partir de uma lógica operacional clara. Quando essa lógica não existe, a IA apenas acelera a desorganização", explica Lima.
O estudo também mostra que a governança é crucial para a gestão. Na avaliação da head da unidade de negócios de processos e eficiência operacional da Auddas, é preciso deixar claro que "governança não é burocracia”.
A consultora diz que a clareza sobre quem faz o que, em quanto tempo, com quais critérios e com quais indicadores é fundamental para sustentar a expansão do negócio. Lima diz que a maturidade operacional ganha cada vez mais peso na decisão de investidores.
“Uma operação pouco madura limita o crescimento da empresa. Ela cresce no esforço, não na capacidade. Cada novo cliente aumenta a complexidade, cada nova unidade exige mais pessoas, cada decisão depende de alguém específico, e o empresário passa a administrar problemas em vez de administrar o negócio”, afirma.
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