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Belo Horizonte,21/07/2026

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13 livros para conhecer os principais autores da Flip 2026

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13 livros para conhecer os principais autores da Flip 2026
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Com homenagem à poetisa Orides Fontela (1940 - 1998), a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), um dos principais encontros literários do Brasil, acontece entre os dias 22 e 26 de julho em diversos pontos da cidade de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. Reunindo escritores brasileiros e estrangeiros em debates urgentes da contemporaneidade sob a perspectiva da literatura, a edição conta com uma programação de 21 mesas, com a participação de Cármen Lúcia, Conceição Evaristo, Drauzio Varella, Milton Hatoum, Edimilson de Almeida e Zadie Smith.
A homenageada, ainda, inspira uma edição que pretende refletir sobre deslocamentos, pertencimento, identidade e as diferentes formas de instabilidade do mundo atual, utilizando a ficção e a poesia como pontos de partida. Reconhecida como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro e Patrimônio Cultural e Imaterial da Cidade de Paraty, a Flip reafirma os laços profundos da literatura brasileira.
A partir disso, a Casa Vogue selecionou 13 livros para conhecer os principais autores participantes da Flip 2026 e entrar no clima da festa literária! Confira:
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Helianto, de Orides Fontela
'Helianto', de Orides Fontela
Amazon/Reprodução
Homenageada da edição, Orides Fontela é considerada uma das principais expoentes da poesia contemporânea brasileira, conhecida pela linguagem concisa e seus poemas curtos. A obra de Fontela inclui os livros Transposição, Helianto, Rosácea e Alba, vencedor do Prêmio Jabuti em 1983, e Teia, que lhe rendeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 1996.
Para quem busca adentrar-se na proposta deste ano, Helianto é o segundo livro da autora, publicado em 1973. Sinônimo de girassol, os poemas desta leitura são guiados pela imagem da circularidade, investigando a apreensão e fixação do que é efêmero. Da mesma maneira, o percurso, que vai das imagens do firmamento ao solo, reafirma a tensão da obra entre o transcendente e o concreto, além do aprofundamento da especulação teológica e das experiências místicas.
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Divã, de Martha Medeiros
'Divã', de Martha Medeiros
Amazon/Reprodução
Considerada uma das maiores cronistas do país, Martha Medieros participa da Flip 2026 no painel "Cronistas, romancistas e poetas: a literatura pop do RS em destaque", ao lado de Cláudia Tajes e Paula Taitelbaum, no dia 25 de julho às 18h. Lançado em 2002, Divã, romance de estreia de Medeiros, acompanha Mercedes, uma mulher de quarenta e poucos anos, professora de matemática, pintora por hobby e mãe de três meninos que, apesar de bem-sucedida, é tomada por uma crise existencial, questionando o valor da vida que construiu até o momento.
Com o bom humor característico da autora, a obra se aprofunda na temática da mulher madura, bem-sucedida, inquieta e sedenta por mais, em uma leitura ao mesmo tempo trágica, cômica, perturbadora e enternecedora. O livro, também, deu origem ao filme homônimo de 2009, estrelado por Lilia Cabral.
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Negativo, de Augusto Massi
'Negativo', de Augusto Massi
Amazon/Reprodução
Poeta e professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP), Augusto Massi participa da mesa de abertura "Entra furtivamente a luz", ao lado da poeta Marília Garcia, no dia 22 de julho às 19h30.
Em Negativo, livro de estreia de Massi, o autor explora temas como ausência, memória, morte, tempo e construção de identidade por meio de uma coletânea de poemas escritos entre 1982 e 1990. Ainda, sua linguagem contida e econômica dialoga diretamente com a tradição poética moderna, com características de autores como Drummond, João Cabral e José Paulo Paes. A partir dessa análise do 'negativo', Massi busca alcançar os momentos de luz e revelação.
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Pensar com as mãos, de Marília Garcia
'Pensar com as mãos', de Marília Garcia
Amazon/Reprodução
Ao lado de Augusto Massi, a poeta-ensaísta Marília Garcia participa da mesa da abertura desta edição da Flip. Em Pensar com as mãos, a autora realiza uma reunião de ensaios breves sobre poesia, na qual se pergunta se ainda é possível usar uma palavra tão gasta como 'coração', discute a importância de escrever contra a própria poética, compara traduções de Baudelaire, aproxima a poesia de outros gêneros e analisa procedimentos de autores contemporâneos.
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Coisa sim, coisa não, de Edimilson de Almeida Pereira
'Coisa sim, coisa não', de Edimilson de Almeida Pereira
Amazon/Reprodução
Nascido em Juiz de Fora, Edimilson de Almeida Pereira é ensaísta, ficcionista e autor de literatura infantojuvenil, vencedor do Prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras, em 1994, e do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2021. Na Flip 2026, o autor participa da mesa "Saber de cor o silêncio", no dia 23 de julho às 10h, ao lado de José Tolentino de Mendonça.
Em Coisa sim, coisa não, Pereira convida o leitor a mergulhar em um divertido jogo de contrários e possibilidades. O conjunto de poemas sobre os objetos do cotidiano permite lançar um olhar livre sobre tudo aquilo que está ao nosso redor e que, muitas vezes, não recebe a nossa atenção.
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Os enigmas singulares: antologia poética, de José Tolentino de Mendonça
'Os enigmas singulares: antologia poética', de José Tolentino de Mendonça
Amazon/Reprodução
Ao lado de Edimilson de Almeida Pereira, José Tolentino de Mendonça, padre, sacerdote e professor, também participa da mesa "Saber de cor o silêncio". Atual Prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação, seus livros têm recebido diversos prêmios, entre eles o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio PEN Clube de Ensaio (2005), o italiano Res Magnae para obras ensaísticas (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2015), o Grande Prémio APE de Crónica (2016), o Prémio Capri-San Michele (2017), o Prémio D. Diniz (2022), Francisco de Sá de Miranda (2022), Prémio Pessoa (2023) e o Prémio Eduardo Lourenço (2025).
Os enigmas singulares: antologia poética é seu título mais recente, publicado em junho deste ano e organizado pelo poeta e pesquisador Marcio Cappelli. A leitura reúne centenas de poemas de todos os seus livros em ordem cronológica, diante dos quais é inevitável lembrar que estamos lendo os escritos de alguém que, no mesmo ano em que estreou na poesia, tornou-se padre.
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Sobre a beleza, de Zadie Smith
'Sobre a beleza', de Zadie Smith
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A autora londrina Zadie Smith é um dos destaques da edição, participando da mesa "E este chão não existe, e esta paz é vertigem", no dia 25 de julho às 19h. Sobre a beleza é um de seus três romances publicados no Brasil pela Companhia das Letras, no qual narra a história de Howard Belsey, inglês, branco e professor de história da arte. Belsey é um liberal radical, especialista em defender as cotas universitárias e desmascarar os mitos de beleza. Casado com Kiki, uma enfermeira negra americana, e com três filhos – Jerome, Zora e Levi –, a vida da família Belsey se complica quando Jerome vai para a Inglaterra fazer um estágio com Monty Kipps, maior inimigo de Howard.
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Na narrativa, Smith leva cada um de seus personagens a confrontar suas escolhas, crenças e identidades, mostrando a facilidade com que as certezas podem se tornar ilusões.
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Permafrost, de Eva Baltasar
'Permafrost', de Eva Baltasar
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Nascida em Barcelona, Eva Baltasar participa da mesa "O que faço desfaço, o que amo desamo", no dia 26 de julho às 15h30. Baltasar publicou dez livros de poemas antes de se dedicar aos romances. Seu romance Permafrost, finalista do Prêmio Médicis Étranger de 2021 e do Prêmio Llibreter de 2018, é o primeiro volume de um tríptico sobre desconforto, tendo mulheres como protagonistas. O livro, com linguagem concisa e poética característica de Baltasar, acompanha uma narradora cínica e com tendências suicidas, interessada apenas em arte e sexo. Obrigada a conviver com a mãe controladora e a irmã irritantemente otimista, mantém sua proteção ao mundo numa camada de gelo que ora derrete, ora racha.
Durante a leitura, cria-se uma narrativa sobre amadurecimento, liberdade feminina, laços familiares e solidão. O trilogia prosseguiu com Boulder, finalista do Prêmio Internacional Booker de 2023, do Prêmio Les Inrockuptibles de 2022 e do Prêmio Òmnium de Melhor Romance em Catalão de 2020, e, por fim, com Mamute.
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Prisioneiras, de Drauzio Varella
'Prisioneiras', de Drauzio Varella
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Médico formado pela Universidade de São Paulo e autor, Drauzio Varella participa da mesa "Água parada água parada água parando", no dia 24 de julho, às 10h, ao lado da autora alemã Carmen Stephan. Prisioneiras, lançado em 2017, complementa sua trilogia sobre o sistema carcerário brasileiro, composta por Estação Carandiru, vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano em 2000, Carcereiros e Prisioneiras. Este último narra seu trabalho como médico voluntário em penitenciárias, rememorando os últimos 11 anos de atendimento na Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil detentas.
O livro traz histórias de mulheres que não raro entram no crime por conta de seus parceiros, porém, são esquecidas quando estão atrás das grades. Desde a dinâmica dos atendimentos e a escassez de visitas até os relacionamentos entre as presas, é um relato franco e sem julgamentos morais.
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Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum
'Relato de um certo oriente', de Milton Hatoum
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Romancista, contista, ensaísta, tradutor e professor universitário, eleito em 2025 para a Academia Brasileira de Letras, Milton Hatoum participa da mesa "Não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago", no dia 25 de julho, às 17h, ao lado do autor nova-iorquino Hisham Matar. Na conversa, os autores abordam as histórias de famílias que têm seu destino determinado por governos autoritários.
Relato de um certo Oriente, lançado em 1989, foi seu romance de estreia e recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance, em 1990. O livro narra o retorno de uma mulher a Manaus, após um longo período de ausência, e em busca de Emilie, matriarca de uma família libanesa há muito radicada ali.
Situado entre o Oriente e o Amazonas, este relato é a busca de um mundo perdido, que se reconstrói nas falas alternadas das personagens.
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O Retorno, de Hisham Matar
'O Retorno', de Hisham Matar
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Ao lado de Milton Hatoum, Hisham Matar participa da mesa "Não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago". Nascido em Nova York, Mattar tinha apenas 19 anos quando seu pai foi sequestrado pelo governo do ditador líbio Muammar Gaddafi e nunca mais reapareceu. Vencedor do Prêmio Pulitzer em 2017, O Retorno, lançado em 2016, é considerado um marco da literatura de não ficção contemporânea, no qual narra a investigação conduzida pelo próprio autor sobre o desaparecimento de seu pai, combinando memória pessoal, reflexão política e relato de viagem.
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Mulheres, raça e classe, de Angela Davis
'Mulheres, raça e classe', de Angela Davis
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Considerada uma das vozes mais influentes do pensamento contemporâneo, a escritora e filósofa Angela Davis participa pela primeira vez da Festa Literária Internacional de Paraty em programação da Casa Sesc, no dia 25. Mulheres, raça e classe é uma obra fundamental para entender as nuances das opressões, abordando a escravidão e seus efeitos e a forma pela qual a mulher negra foi desumanizada.
Ademais, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade.
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Ucrânia: Diário de uma guerra, de Andrei Kurkov
'Ucrânia: Diário de uma guerra', de Andrei Kurkov
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Nascido na Rússia e residente da Ucrânia, Andrei Kurkov participa da mesa "Não vim. não vi. não havia guerra alguma", no dia 23 de julho, às 12h, com a autora ucraniana Maria Reva. Autor de dezenas de romances, livros para crianças e roteiros, é o principal nome da literatura ucraniana contemporânea e foi ganhador do Prix Médicis (2022), do Halldór Laxness International Literary Prize (2022) e do National Critic Circle Award (2023). No Brasil, o autor publicou Ucrânia: Diário de uma guerra, uma seleção de mais de dois anos de registros da guerra, com uma costura da história pessoal e familiar de Andrei Kurkov com a do próprio país.
Com tom irônico, o autor explora a complexa relação da Ucrânia com a Rússia e descreve como um povo tradicionalmente pacífico desafiou o invasor com uma resistência que surpreendeu a comunidade internacional.
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