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Belo Horizonte,03/07/2026

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Lula diz que se esperar autorização da Fazenda “a gente nunca vai investir”

cnnbrasil.com.br
Lula diz que se esperar autorização da Fazenda “a gente nunca vai investir”
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quinta-feira que, se esperar uma sinalização do Ministério da Fazenda e do Planejamento de que há dinheiro sobrando, o país “nunca vai investir”.


“Se eu esperar o meu pessoal da Fazenda e o meu pessoal do Planejamento dizer para mim: ‘olha, está sobrando dinheiro, vamos colocar na Educação’, a gente nunca vai investir. Porque nunca vai sobrar. Dinheiro público nunca sobra”, disse, em evento no Palácio do Planalto.




A declaração ocorre dias após o Tesouro Nacional divulgar um relatório que projeta aumento da pressão fiscal nos próximos anos e aponta que o próximo governo deverá adotar medidas adicionais para garantir a sustentabilidade das contas públicas.


Segundo o documento, o atual arcabouço fiscal, sozinho, não será suficiente para assegurar o cumprimento das metas fiscais entre 2028 e 2030.


O Tesouro aponta um desafio estrutural nas contas públicas: as despesas obrigatórias crescem em ritmo superior à capacidade do governo de abrir espaço no orçamento. Gastos com Previdência, BPC (Benefício de Prestação Continuada) e pessoal estão entre os que mais avançam.


A despesa com a Previdência Social deve passar de R$ 1,1 trilhão para mais de R$ 1,6 trilhão, em valores constantes. Trata-se de um crescimento real médio de 3,5% ao ano, impulsionado tanto pelo aumento do valor médio dos benefícios quanto pela expansão do número de concessões.


No caso do BPC, o avanço é ainda mais acelerado: a despesa deve saltar de R$ 148 bilhões para R$ 255 bilhões em dez anos, o equivalente a um crescimento real de 5,6% ao ano.


Esse aumento das despesas obrigatórias, somado às vinculações constitucionais — como os pisos de saúde e educação — e às emendas parlamentares, reduz a margem de flexibilidade do orçamento.


Segundo o Tesouro, o resultado é a redução gradual do espaço para investimentos e outras despesas discricionárias, que tendem a perder participação no orçamento ao longo do tempo.


Durante a fala desta manhã, o presidente afirmou ainda que o papel do Estado é aplicar os recursos em projetos que beneficiem a população.


“Dinheiro bom não é dinheiro guardado, é dinheiro investido em obra, educação, saúde, ferrovia, rodovia, hidrovia”, declarou.


As falas contrastam com o diagnóstico apresentado pelo Tesouro Nacional. No relatório, o órgão afirma que o avanço das despesas obrigatórias tende a reduzir o espaço para gastos discricionários e investimentos públicos nos próximos anos, indicando que serão necessários ajustes fiscais adicionais para preservar a trajetória das contas públicas.


Durante o evento, Lula também comentou as restrições impostas pelo calendário eleitoral. Segundo o presidente, o governo deixará de inaugurar obras durante o período de vedação previsto na legislação, mas ele continuará visitando empreendimentos em andamento.


“Agora a gente não pode inaugurar mais nada até as eleições. Embora não possa inaugurar, eu vou visitar muitas coisas que ainda tenho que visitar”, afirmou.


As declarações foram dadas durante agenda em que o presidente voltou a defender o investimento estatal como instrumento de crescimento econômico e geração de empregos, reiterando que obras de infraestrutura e políticas públicas devem permanecer como prioridade do governo, mesmo em um cenário de restrições fiscais.


Com supervisão de Felipe Pereira




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