Mesmo com mais de 200 kg, gigantescos cangurus extintos podiam de saltar
Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports mostra que cangurus gigantes que viveram na Austrália durante o Pleistoceno, há dezenas de milhares de anos, eram biomecanicamente capazes de saltar — contrariando a hipótese de que o tamanho e o peso desses animais tornariam esse tipo de locomoção impossível.
A pesquisa analisou espécies extintas que podiam ultrapassar 200 quilos, mais que o dobro do peso dos maiores cangurus atuais. Trabalhos anteriores sugeriam que o salto bípede teria um limite máximo de peso corporal entre 140 e 160 quilos.
Com base nessa estimativa, acreditava-se que os cangurus gigantes não conseguiam saltar.

Ao combinar dados de cangurus modernos com medições diretas de fósseis, os pesquisadores concluíram que o salto era, sim, viável do ponto de vista biomecânico.
O estudo avaliou dois fatores principais: a resistência dos ossos e a capacidade dos tendões dos membros posteriores.
A análise mostrou que os ossos do pé — especialmente o quarto metatarso, responsável por suportar grande parte da carga durante o salto — apresentavam fatores de segurança suficientes para resistir às forças geradas, sem risco de fratura. Em alguns casos, esses valores foram comparáveis ou até superiores aos observados em cangurus modernos.
Os fósseis também indicaram que os cangurus gigantes possuíam ossos mais curtos e robustos, o que reduzia a tensão mecânica durante o movimento. Essa adaptação, no entanto, pode ter limitado a velocidade e a eficiência do salto.
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Outro ponto central da pesquisa foi a análise do calcanhar, onde se insere o tendão do gastrocnêmio, fundamental para impulsionar o corpo. As medidas revelaram que essa estrutura era larga o suficiente para acomodar tendões capazes de suportar o esforço do salto, contrariando projeções feitas apenas a partir de animais vivos.
Apesar de confirmar que o salto era possível, o estudo indica que ele provavelmente não era tão eficiente quanto nos cangurus atuais. Tendões mais espessos armazenam e devolvem menos energia elástica, o que sugere um gasto energético maior.
Ao todo, foram analisados 179 espécimes fósseis.





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