IA torna primeiro emprego mais difícil para a Geração Z, diz PwC
A inteligência artificial (IA) não está eliminando os empregos de entrada, mas está tornando mais difícil o acesso dos jovens profissionais a essas vagas. É o que aponta o Barômetro de Empregos em IA 2026, da PwC, que analisou mais de 1 bilhão de anúncios de trabalho e identificou uma mudança no perfil das funções destinadas a iniciantes no mercado.
Segundo o levantamento, vagas de nível inicial em ocupações mais expostas à IA têm hoje sete vezes mais chances de exigir competências tradicionalmente associadas a profissionais mais experientes. Entre elas estão tomada de decisão estratégica, liderança, gestão de stakeholders e capacidade de julgamento.
Os dados mostram que 52% das novas habilidades exigidas em anúncios de cargos de entrada nas áreas mais impactadas pela IA são características historicamente desenvolvidas ao longo da carreira. Em ocupações menos expostas à tecnologia, esse percentual é de apenas 7%.
A consultoria chama o fenômeno de “seniorização” dos empregos de entrada. Desde 2019, as vagas reformuladas para exigir competências mais avançadas cresceram 35%, enquanto as posições tradicionais para iniciantes recuaram 10%.
A tendência ajuda a explicar uma contradição observada no mercado de trabalho. Embora empresas continuem contratando, jovens profissionais relatam mais dificuldades para conquistar o primeiro emprego. Estudos recentes já haviam apontado redução na contratação de trabalhadores juniores em organizações que adotaram sistemas de IA, além do aumento do desemprego e do subemprego entre recém-formados.

Primeiro degrau da carreira fica mais alto
Para Dan Priest, diretor de IA da PwC nos EUA, a mudança não deve ser interpretada como uma tentativa das empresas de restringir contratações. Segundo ele, o que ocorre é uma transformação nas competências exigidas para funções que antes eram consideradas mais básicas.
De acordo com o executivo, a automação de tarefas rotineiras faz com que empregadores valorizem cada vez mais capacidades humanas, como criatividade, comunicação, colaboração e discernimento. Com isso, profissionais em início de carreira passam a ser cobrados por habilidades que antes eram desenvolvidas apenas após alguns anos de experiência.
Priest afirma que a adaptação exigirá esforços de empresas, instituições de ensino e formuladores de políticas públicas. Para ele, a resposta não está apenas em ensinar ferramentas de IA, mas em desenvolver competências que permitam aos trabalhadores utilizar a tecnologia de forma estratégica na solução de problemas reais.
Ao mesmo tempo em que aumenta as exigências para os novos profissionais, a IA tem impulsionado ganhos de produtividade. Segundo a PwC, empresas dos setores mais expostos à tecnologia registraram crescimento de 34% na produtividade do trabalho desde 2018, acima dos 24% observados em segmentos menos afetados pela automação.
Entre as organizações com melhor desempenho, o avanço foi ainda mais expressivo. O grupo dos 20% mais produtivos entre as empresas altamente expostas à IA registrou crescimento médio de 163% na produtividade desde 2018. O estudo também identificou que essas companhias estão ampliando seus quadros de funcionários, contrariando a narrativa de que a tecnologia necessariamente reduz empregos.
Apesar disso, a expansão das contratações não ocorre de forma homogênea. O levantamento sugere que parte das novas vagas está concentrada em funções que exigem capacidade de direcionar sistemas de IA, interpretar resultados e tomar decisões complexas.
Na prática, o primeiro degrau da carreira permanece existindo, mas tornou-se mais alto. Para especialistas, o desafio agora será criar caminhos para que novos profissionais consigam desenvolver essas competências antes mesmo de ingressarem no mercado de trabalho.




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