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Belo Horizonte,21/06/2026

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Festa sem ressaca: Copa do Mundo aquece consumo de bebidas sem álcool em bares e delivery

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Festa sem ressaca: Copa do Mundo aquece consumo de bebidas sem álcool em bares e delivery


Nem só de cerveja alcoólica vivem as celebrações da Copa do Mundo: o interesse por bebidas sem álcool, como cervejas, vinhos e drinques, vem crescendo nos últimos anos, especialmente durante períodos como o atual torneio mundial de futebol, quando o consumo de bebidas tende a aumentar naturalmente.
Segundo um levantamento da Similarweb e Conversion, cervejas zero álcool estiveram entre os itens mais procurados por consumidores nos períodos pré-Copa, ao lado de televisores e equipamentos de som. Em 8° lugar, o item registrou cerca de 17,3 mil pesquisas, um aumento de 54,3% na comparação anual.
Os dados demonstra que Heineken, Budweiser e Corona concentram a maior demanda dos consumidores no ambiente digital.
No consumo presencial, em bares e restaurantes, os pedidos por bebidas não alcóolicas também registraram um avanço, ainda que tímido. Segundo dados exclusivos da Fábrica de Bares, grupo que comanda o Bar Brahma, Riviera e outros bares em São Paulo, os estabelecimentos tiveram um registro de 3,14% dos pedidos por cerveja sem álcool. Em relação aos drinques, um resultado de 1,45% de procura.
O Pasquim, bar com unidades na Zona Norte, Vila Madalena e Mercado Municipal, analisou os pedidos das três operações no dia do jogo do Brasil no último sábado (13/6) e observou que 4,2% do faturamento do ramo de cervejas veio dos pedidos por cervejas sem álcool. A procura por cervejas sem glúten ou baixo teor calórico representou 5,1% da receita.
Os pedidos on-line não fogem dessa tendência. O Empório Sem Álcool, e-commerce especializado no setor, registrou um aumento de 20% na semana do jogo de estreia da seleção, com destaque para cervejas e destilados. Leandro Simões, fundador e proprietário da empresa, diz que as vendas também se misturaram com o Dia dos Namorados, mas deu destaque para as mais vendidas: IPA Zero Álcool, Golden Ale e Malzbier.
No dia em que o Brasil entrou em campo pela primeira vez, o iFood também apresentou pedidos expressivos de bebidas zero álcool. Em levantamento exclusivo para PEGN, a plataforma registrou um crescimento de 42% na média diária de pedidos de cervejas, vinhos e drinques sem álcool. A cerveja foi a protagonista, com cerca de 98% e 99% dos pedidos.
A categoria "vinho zero" é destaque em crescimento e a busca por vinhos e espumantes zero álcool disparou no app, registrando uma alta de 135% na média diária de pedidos durante os primeiros dias de jogos. Os drinques e coquetéis sem álcool também acompanharam a tendência de alta e registraram um crescimento de 24% na média diária de pedidos no período.
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A tendência do consumo por bebidas não alcóolicas é resultado de uma “mudança cultural bastante relevante”, segundo Felipe Wasserman, professor do hub de Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “As novas gerações estão cada vez mais associando qualidade de vida, bem-estar e longevidade às suas decisões de consumo”.
Diferentemente do que acontecia há algumas décadas, o álcool deixou de ser um elemento obrigatório de socialização, observa Wasserman. “Hoje em dia, muitas pessoas querem participar de momentos de lazer, sem abrir mão da disposição física, da produtividade no dia seguinte ou dos cuidados com a saúde”.
O mercado também tem reagido e acompanhado esse movimento: as bebidas sem álcool deixaram de ser vistas como alternativas inferiores e passaram a oferecer experiências sofisticadas, com sabor, embalagem e posicionamentos semelhantes aos produtos tradicionais.
O especialista destaca que esse consumo cresce com mais força entre os consumidores urbanos, a Geração Z e os Millennials. “São públicos que valorizam equilíbrio, autocuidado e consumo consciente”, conclui.
Para que bares e restaurantes acompanhem esse novo comportamento, é preciso ampliar seu portfólio e entender, entre a equipe, que todos as pessoas presentes são possíveis clientes e consumidores, de acordo com Alisson Batista, mestre em Administração e professor de Ciências Contábeis.
“Cerveja, vinho, espumantes e drinques feitos sem utilização do álcool, além de águas saborizadas de forma premium: tudo isso amplia a possibilidade de vender mais para esse público”, diz o especialista.
Para Batista, é importante que bares e restaurantes acompanhem as tendências e saibam adaptar seus produtos de acordo com a sazonalidade, clima e horários. “Em almoços corporativos, você vai ter a possibilidade de ofertar bebidas sem álcool. Já voltado para o happy hour ou aqueles momentos pós-horário de trabalho, é possível fomentar também o uso das bebidas alcoólicas sem deixar de lado a oferta das que não têm álcool”.
O especialista aponta que o crescimento da procura por bebidas sem álcool está longe de ameaçar o consumo de bebidas alcóolicas. Isso apresenta uma ampliação das escolhas do consumidor e é uma possibilidade de abraçar novos públicos.
“É uma mudança de comportamento. O perfil de consumo é diferente e o grande desafio dos bares e restaurantes não vai ser substituir os produtos, mas equilibrar o portfólio, ter mais opções no cardápio para atender públicos distintos e cada vez mais diversos”, diz Batista.




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