Telepatia AI capta R$ 169 milhões; Trace Finance levanta R$ 166 milhões: os destaques da semana

Os últimos dias foram movimentados com anúncios de grandes aportes. Os destaques são as rodadas Série A captadas pelas startups Telepatia AI, de agentes de IA para médicos, e Trace Finance, de infraestrutura financeira. Os investimentos somam R$ 335 milhões.
Nesta newsletter, também falamos sobre o lançamento da nova edição do Global Startup Ecosystem Report (GSER), da consultoria Startup Genome. Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo aparece na 37ª colocação do ranking dos ecossistemas mais maduros do mundo. É a única cidade da América Latina no Top 40.
Você ainda lê sobre o primeiro fundo da Antler no Brasil, com foco no early stage, que conta com investimento de cinco instituições públicas de fomento: BNDES, Finep, Badesul, BRDE e Fomento Paraná.
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Aportes
Telepatia AI. A healthtech, que desenvolve agentes de inteligência artificial para apoiar médicos durante atendimentos, recebeu US$ 33 milhões (R$ 169,3 milhões) em uma rodada Série A liderada pela gestora Andreessen Horowitz (a16z). Os recursos serão destinados à expansão na América Latina, onde a plataforma já está presente em mais de 20 sistemas hospitalares no Brasil, Colômbia, Argentina, Chile e México, atendendo mais de 14 milhões de pacientes. A solução surgiu como um “copiloto” para médicos, realizando transcrição de consultas, organização de prontuários e sugestões de condutas, e evoluiu para uma plataforma com agentes especializados para apoio clínico, enfermagem e auditoria. Lançada comercialmente em julho de 2025, a tecnologia alcançou 90% de adoção nas instituições clientes, com uso médio de oito horas por dia e economia de 1,7 hora diária por médico. Outros investidores incluem Shyam Sankar, da Palantir, Simón Borrero, da Rappi, e David Vélez, do Nubank.
Trace Finance. A startup de infraestrutura financeira para banking e pagamentos cross-border, sediada nos Estados Unidos, levantou US$ 32 milhões (cerca de R$ 162 milhões) em uma rodada Série A. O aporte foi liderado pela CoinFund, com participação de Coinbase Ventures, Haun Ventures, Valor Capital, Jump Capital, Paxos, HOF Capital e outros. Fundada em 2021 por brasileiros, a empresa evoluiu de “banco para startups” para uma infraestrutura financeira voltada a pagamentos transfronteiriços, conectividade bancária e câmbio. Segundo a empresa, suas soluções já processaram mais de US$ 10 bilhões em volume institucional. Os recursos serão usados para ampliar a atuação global, com foco também no Brasil, expandir produtos de câmbio, compliance e liquidação internacional, fortalecer sua operação regulada em mercados como EUA, América Latina e Ásia-Pacífico e desenvolver novas soluções, incluindo tecnologias baseadas em stablecoins para conectar sistemas financeiros locais à liquidez global de pagamentos.
Vixtra. A fintech especializada em financiamento para o comércio exterior anunciou a captação de R$ 50 milhões em uma rodada Série A liderada pela Valor Capital, com participação de Headline, NXTP, Actyus, Blustone, Simma Capital e investidores-anjo. Os recursos serão destinados à expansão de sua plataforma de trade banking, com foco no desenvolvimento de uma infraestrutura baseada em stablecoins integrada às operações de câmbio e crédito, além do fortalecimento do uso de inteligência artificial na gestão de risco e automação de processos. Fundada há cinco anos, a Vixtra foi pioneira no uso de carga em trânsito como garantia para financiamento de importadores. Nos últimos 12 meses, cresceu 2,5 vezes, superou US$ 12 milhões em receita recorrente anual (ARR) e alcançou mais de R$ 250 milhões em carteira de crédito ativa e mais de 200 importadores em sua plataforma.
Datamint. A startup fundada a partir de uma pesquisa da PUC-Rio levantou US$ 5 milhões (cerca de R$ 25 milhões) em uma rodada seed liderada pela Headline, com participação de Opus Investimentos, Valutia e Kittyhawk. A empresa desenvolve uma plataforma de inteligência artificial que integra dados de sistemas industriais, ERPs, sensores e históricos operacionais para apoiar a gestão de ativos em operações críticas, ajudando empresas dos setores de óleo e gás, energia, saneamento e indústria de base a antecipar falhas, orientar manutenções e melhorar a tomada de decisão. Os recursos serão destinados a expansão da plataforma, ampliação da equipe de engenharia e aceleração da operação comercial no Brasil e no exterior, além da entrada em segmentos como farmacêutico, siderurgia e cimento.
Hexagon. Fundada por Ramon Silva, brasileiro formado em Stanford e empreendedor por trás de startup vendida ao Rappi, a Hexagon recebeu um aporte de R$ 10 milhões da Pear VC para expandir sua tecnologia de Generative Engine Optimization (GEO), que ajuda marcas a serem compreendidas, referenciadas e priorizadas nas respostas das plataformas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT. A empresa já atende clientes como Loft, Getnet, Buser, BTG Pactual e Tako, e utilizou os recursos para desenvolver o produto e estruturar sua operação. A estratégia da startup é ampliar a base de clientes no Brasil e nos EUA, evoluir a tecnologia e difundir o GEO como uma nova frente do marketing digital voltada à presença de marcas em sistemas de inteligência artificial.
Loopia. A startup, que automatiza agentes de inteligência artificial para e-commerce e marketplaces, anunciou a captação de uma rodada seed de R$ 6,5 milhões, liderada pela Parceiro Ventures, gestora que firmou compromisso de aportar mais R$ 2 milhões conforme o crescimento da empresa. ACE Founders, BVC Latam e Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses1), que já haviam investido na rodada pré-seed, também participaram do aporte. A plataforma centraliza conversas de canais como WhatsApp, Mercado Livre, TikTok Shop, Amazon e Shopee, permitindo que agentes de IA automatizem atendimentos, priorizem demandas, gerem insights e executem tarefas ao longo da jornada de vendas. Com os novos recursos, a startup pretende acelerar o desenvolvimento de produtos, ampliar os canais integrados e atingir uma expansão de cinco vezes nos próximos 18 meses.
Representante da América Latina
São Paulo (SP) manteve a 37ª posição no Global Startup Ecosystem Report (GSER) 2026, da Startup Genome. É o único ecossistema da América Latina entre os 40 mais maduros do mundo. O estudo analisou 5,5 milhões de startups em mais de 350 mercados e apontou que, após uma retração em 2025, o valor global dos ecossistemas voltou a crescer, impulsionado principalmente pela inteligência artificial. O ranking segue liderado por Vale do Silício (EUA), Nova York (EUA) e Londres (Inglaterra).
Avaliado em US$ 55,8 bilhões, o ecossistema paulistano supera em mais de 14 vezes a média latino-americana. São Paulo registrou 425 operações de saída entre 2021 e 2025, que somaram US$ 53 bilhões, e abriga 16 unicórnios ativos. O relatório atribui esse desempenho a um ambiente regulatório favorável, à concentração de investimentos, à formação de talentos por universidades como USP e Unicamp e ao apoio de iniciativas como PIPE/FAPESP e Sebrae-SP. Entre os demais ecossistemas brasileiros, Recife (PE) avançou três posições no ranking regional, Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR) subiram uma, enquanto Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC) perderam colocações.
Saiba mais sobre o levantamento nesta reportagem publicada no site de PEGN.
Novo fundo
A gestora Antler anunciou o lançamento de seu primeiro fundo no Brasil, voltado ao investimento em startups em estágio inicial, com participação de cinco instituições de fomento público: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Finep (via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Badesul Desenvolvimento, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Fomento Paraná.
O fundo começou a ser estruturado após chamadas públicas do BNDES e do Badesul e ainda está em fase de captação, com potencial para alcançar R$ 250 milhões e aportar em cerca de 80 startups. Presente em mais de 25 países, a Antler já investiu em mais de 2 mil empresas desde 2018 e, no Brasil, vinha realizando aportes com capital estrangeiro por meio de seu programa de residência para empreendedores.
Segundo Carol Strobel, sócia-fundadora da Antler Brasil, a participação conjunta das instituições públicas sinaliza apoio ao investimento em startups early stage e pode atrair mais capital privado para as próximas rodadas. A gestora também pretende retomar, no segundo semestre, seu programa de residência em um formato mais flexível, com eventos presenciais e virtuais para ampliar o alcance a empreendedores de todo o país.
Movimentações
Impacto. O BNDES anunciou as vencedoras da edição de 2026 do programa BNDES Garagem, iniciativa de apoio a startups com impacto socioambiental. No módulo de criação, voltado a negócios em estágio inicial, a vencedora foi a Ecosynth, startup gaúcha que desenvolve soluções biotecnológicas para tratamento de águas e efluentes industriais. Já no módulo de tração, destinado a empresas em fase de crescimento, o primeiro lugar ficou com a goiana Lunagreen Bioativos, fabricante de insumos sustentáveis para a indústria de cosméticos. Ao todo, 15 startups foram premiadas, incluindo cinco vencedoras do inédito Prêmio BNDES Garagem Mais Brasil, que reconheceu iniciativas do Norte, Nordeste e periferias – Amazon Rhiira, Z Future, Work Resíduos, Carbono 14 e Lovel –, somando quase R$ 1 milhão em aportes.
Expansão. O Porto Digital, distrito de inovação no Recife (PE), lançou o NERD (Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital), plataforma criada para acelerar o seu crescimento e apoiar a meta de dobrar o tamanho do ecossistema nos próximos 15 anos. Com investimento de R$ 18,5 milhões da Finep e do Governo de Pernambuco, o NERD funcionará em um casarão histórico restaurado no Bairro do Recife e terá como metas formar 400 empreendedores e qualificar 120 startups anualmente, requalificar 300 profissionais para o setor de tecnologia, abrigar mais de 200 startups em estágio inicial, apoiar mais de 100 empresas de tecnologia, acelerar a transformação digital de 150 empresas tradicionais e promover mais de 500 conexões de negócios.
M&A. A StarGrid, startup de gestão automatizada de escalas de trabalho com inteligência artificial, foi adquirida integralmente pela healthtech Salux, após o exit da investidora Ventiur, que detinha 50% do capital – em 2023, a Salux tornou-se sócia majoritária da empresa, ampliou sua participação em 2024 e concluiu a aquisição em 2026. A solução da StarGrid utiliza IA para criar escalas de trabalho considerando legislação, acordos sindicais, preferências dos colaboradores e necessidades operacionais. A tecnologia é utilizada por instituições como Santa Casa de Porto Alegre, Hospital Sírio-Libanês, C&A e Rede Accor de Hotéis.
Oportunidade
IA. O Hub de Inovação e Empreendedorismo Paulo Cunha, do Insper, está com inscrições abertas para o prêmio Future of Business, realizado em parceria com a Endeavor, para identificar, avaliar e acelerar startups early stage que utilizam tecnologia como diferencial competitivo. Nesta edição, a inteligência artificial será critério obrigatório de avaliação em todas as categorias. As startups poderão concorrer nas verticais de Agro, Varejo e Bens de Consumo, Finanças, Cultura e Mídia e Jurídico, desde que tenham até cinco anos de operação, equipe fundadora dedicada integralmente ao negócio e faturamento anual de até R$ 5 milhões. As duas startups mais bem avaliadas de cada categoria participarão do programa Empreendedorismo em Ação. A jornada será concluída com um DemoDay para apresentação dos resultados e Provas de Conceito (POCs) a fundos de venture capital e investidores. As inscrições seguem até 30 de junho pelo site.
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