Jovem de 15 anos transforma venda de pipoca recheada em negócio familiar e atrai filas em feiras de Cuiabá

No dia 20 de janeiro de 2022, Murilo Emanuel Amado de Cerqueira, então com 11 anos, decidiu ir para as ruas de Cuiabá (MT) vender pipocas simples com duas primas. Quatro anos depois, o estudante de 15 anos transformou a iniciativa na Pipocas Saborosas do Murilo.
Hoje, a marca vende entre 80 e 100 baldes de pipoca recheada por dia de feira livre e opera com uma estrutura que envolve e remunera a própria família, impulsionada por um vídeo que alcançou mais de 4 milhões de visualizações nas redes sociais.
No início, Cerqueira vendia os pacotes tradicionais de porta em porta por R$ 5. A virada na operação começou quando ganhou de uma tia um carrinho que estava parado havia seis anos. "Foi a partir desse carrinho que o negócio começou a crescer. A aceitação foi vindo e começamos a participar de eventos no bairro", afirma o fundador.
A mudança de posicionamento para o mercado gourmet ocorreu em agosto de 2025, após Cerqueira observar no TikTok a tendência de baldes de pipoca com camadas de recheio. Ele investiu o dinheiro acumulado para testar o formato e propôs à mãe comercializar o produto presencialmente em uma feira local.
A expansão acelerou após a gravação de um vídeo em parceria com páginas de divulgação locais. A publicação viralizou, atraindo a atenção de influenciadores nacionais e gerando filas nos pontos de venda.
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A mãe do adolescente, Jaqueline de Jesus, lembra que teve receio sobre a recepção do público no começo. "Pensava no que as pessoas iam dizer, se iam achar que eu estava obrigando uma criança a trabalhar. Mas era um desejo genuíno dele", diz.
Hoje, ela atua no apoio operacional e acompanha o filho nos eventos, enquanto o irmão de Cerqueira, de 20 anos, e outras parentes auxiliam no atendimento.
Atualmente, o negócio atua em três frentes: feiras fixas às sextas-feiras e sábados, encomendas para festas e um sistema de entrega programada durante a semana, onde os clientes solicitam a retirada por aplicativos de transporte. O carro-chefe da marca são as pipocas recheadas na hora, vendidas em potes de 500 ml por R$ 28 e de 1 litro por R$ 45.
A produção utiliza milho do tipo mushroom, específico para pipocas gourmet devido ao formato arredondado. O processo é manual e dividido em etapas: três primos de Cerqueira, selecionam os grãos estourados para retirar as cascas e garantir o padrão visual.
Em seguida, a avó do jovem realiza a caramelização com açúcar. Para dar conta do aumento da demanda, os cremes usados no recheio, como o de paçoca, passaram a ser adquiridos prontos em baldes de alta qualidade.
Toda a receita gerada é administrada por Beatriz Costa Azevedo, de 30 anos, prima do fundador. Por ser menor de idade, Cerqueira conta com Azevedo para gerenciar o fluxo de caixa, emitir orçamentos e fechar os contratos de locação de máquinas de algodão doce e cascatas de chocolate para eventos corporativos e aniversários.
O faturamento também é utilizado para remunerar os primos e familiares que trabalham na operação. "Ele paga as diárias de todo mundo que ajuda na feira e na produção. Esse pequeno negócio virou uma fonte de renda para todos", explica a tia, Ingrid Arruda.
A estrutura atual ainda funciona na cozinha residencial da família, mas os planos de curto prazo incluem a transição para um espaço comercial. O lucro acumulado está sendo reservado para a construção de uma edícula equipada nos padrões exigidos pela Vigilância Sanitária. Recentemente, com o rendimento do negócio, Cerqueira comprou uma moto elétrica própria.
"Muitas pessoas me chamam de vendedor, mas eu me considero um empresário, porque nós construímos uma empresa", afirma Cerqueira. O objetivo do jovem para os próximos anos é expandir a atuação da marca para municípios vizinhos da Região Metropolitana de Cuiabá, como Várzea Grande, mantendo o gerenciamento familiar.
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