Seja bem-vindo
Belo Horizonte,15/06/2026

  • A +
  • A -

Análise: Acordo entre EUA e Irã era momento que Netanyahu mais temia

cnnbrasil.com.br
Análise: Acordo entre EUA e Irã era momento que Netanyahu mais temia

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estava reunido com o gabinete de segurança em um bunker, preparado para a possibilidade de mísseis balísticos iranianos atingirem o local, quando o telefone tocou.


Na linha estava o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ligando para dar notícias de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã.


Essa foi a segunda ligação entre os dois líderes no domingo (14).


Na primeira, Trump disse ao líder israelense que estava “muito irritado” com o ataque de Israel a Beirute e que Netanyahu “não tem o menor juízo”, segundo o jornal Axios.


Nesta segunda-feira (15), Trump o informou que a guerra que haviam iniciado juntos no final de fevereiro estava efetivamente encerrada.


jklkjlkjkljlk


Quando o presidente Barack Obama assinou o acordo nuclear com o Irã em 2015, Netanyahu o rejeitou publica e veementemente.


Ele discursou perante o Congresso, sabendo que contava com o apoio dos republicanos, ao criticar duramente tanto o acordo quanto o presidente que o negociou. Desta vez, o primeiro-ministro israelense praticamente não se pronunciou publicamente sobre o homem que firmou o acordo.


O acordo é o cenário que as autoridades israelenses temiam há semanas: ele poderia reabrir o Estreito de Ormuz e levar ao alívio das sanções econômicas contra Teerã, ao mesmo tempo que adiaria as negociações sobre as questões que eram os objetivos declarados de guerra de Israel.




Navios no Estreito de Ormuz em Musandam, Omã 8 de maio de 2026 • REUTERS/Stringer

O memorando de entendimento deixa para uma discussão posterior os temas espinhosos do programa nuclear iraniano e seu arsenal de mísseis balísticos, mesmo oferecendo um alívio econômico ao regime que Netanyahu desejava derrubar.


Quando Netanyahu finalmente se pronunciou publicamente após o anúncio do memorando de entendimento por Trump, já haviam se passado horas desde que outros políticos israelenses se manifestaram.


Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (15), Netanyahu mal mencionou o acordo durante os oito minutos de discurso de abertura.


Talvez ainda mais surpreendente seja o fato de ele mal ter mencionado Trump em seus comentários iniciais, em vez de se gabar do relacionamento entre eles, como tem feito regularmente há anos.


Questionado sobre o acordo posteriormente, ele disse: “Há casos em que o presidente Trump e eu não concordamos. Sou responsável pelos interesses de segurança de Israel, e isso precisa ser feito com sabedoria”.


O acordo também pode acarretar novas restrições à capacidade de Israel de combater o Hezbollah, já que o Irã exige uma retirada militar israelense completa do sul do Líbano, algo que Israel já declarou não estar disposto a fazer.


Nesta segunda-feira (15), um alto funcionário americano disse a repórteres que a retirada “não era uma condição do acordo”.


“Se o Irã não for capaz de controlar o Hezbollah e atacar posições ou cidades israelenses, Israel terá o direito de se defender e responder”, alegou o oficial.


Embora Netanyahu tenha evitado até agora um confronto público direto com Trump, figuras de todo o espectro político israelense têm se mostrado bem menos contidas.


Os próprios parceiros de Netanyahu na coalizão, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich e o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir, classificaram o acordo como “perigoso” e declararam que Israel não se considera vinculado a ele.


O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que concorre para destituir Netanyahu, classificou o ocorrido como “uma virada perigosa na segurança de Israel”.


O ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, também um dos principais candidatos ao cargo de primeiro-ministro, descreveu-o como um “resultado lamentável” fruto da falta de estratégia e coragem.




Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Israel • REUTERS/Amir Cohen

Meses atrás, fontes disseram à CNN que sua equipe política havia planejado um caminho claro para a eleição: uma vitória rápida sobre o Irã, uma visita triunfal à Casa Branca em setembro, uma revanche de Trump a Israel na reta final e uma avalanche de imagens presidenciais impulsionando Netanyahu até as urnas em outubro.


Em vez disso, as discussões para pôr fim à guerra estão tensionando as relações entre os dois líderes. Uma série de desentendimentos públicos expôs a pressão de Trump sobre Israel para que este encerre a guerra e limite suas ações no Líbano.


Seus apelos veementes para que Israel cesse fogo e os anúncios sobre as negociações nucleares na Truth Social, bem como um comentário recente à ABC News questionando se Netanyahu ainda deseja “continuar” na política, pegaram o primeiro-ministro israelense de surpresa, segundo fontes.


O consultor político Nadav Strauchler, que já trabalhou com Netanyahu, descreveu o momento atual como um “ponto de teste”, mas não um ponto de ruptura.


“Eu não decretaria o fim dessa relação tão rapidamente”, disse ele, acrescentando que, com as eleições de outubro a cerca de quatro meses de distância, a relação pode se recuperar, e prevendo que Trump ainda será uma peça central na campanha.


“Trump já se irritou antes — com Netanyahu, com outros líderes — e as coisas tendem a voltar ao normal”, disse Strauchler à CNN.


“Até as últimas duas semanas, quase não havia divergências entre eles. Mesmo agora, Trump ainda o respeita e não está fechando as portas. Ainda restam 60 dias para influenciar o acordo nuclear final. Enquanto houver uma vela acesa e a janela aberta, Netanyahu tentará entrar pela chaminé”, adicionou.


A mudança de humor é fácil de perceber no Canal 14, a rede de televisão pró-Netanyahu em que apresentadores que antes chamavam Trump de o maior presente para o povo judeu agora o denunciam como um “perdedor” que enfraqueceu tanto Israel quanto os Estados Unidos.


Uma fonte do Likud (o Congresso israelense) chegou a compará-lo, em conversa privada, ao imperador do Japão em um momento de derrota.


“Neste momento, Trump é extremamente impopular entre a base de apoio de Netanyahu”, disse a fonte, observando, porém, que essa mudança ainda pode ser temporária, considerando as eleições de outubro.


Os números contam a mesma história. Uma pesquisa recente do Instituto da Democracia de Israel, publicada na semana passada, revelou uma queda acentuada na parcela de israelenses judeus que consideram a segurança de Israel uma preocupação central para Trump — de 64% em março para 41% neste mês, o nível mais baixo registrado desde o final de 2024.


“A popularidade de Trump está em declínio”, escreveu o analista político de direita Mati Tuchfeld no jornal Maariv na semana passada, “não um colapso ou uma quebra, mas a tendência é de queda”.


A equipe de campanha de Netanyahu, relatou ele, está agora buscando uma nova mensagem porque uma campanha “Fortes Juntos” com os dois líderes “não alcançará mais o mesmo efeito que se esperava inicialmente”.


Líderes da oposição também estão de olho nessa mudança. Uma fonte familiarizada com seus planos disse à CNN que, se Trump apoiar Netanyahu, seus oponentes pretendem usar isso contra ele, apresentando o fato como prova de que ele “se tornou um cachorrinho e abandonou os interesses de segurança de Israel”.


Figuras da oposição, segundo a fonte, têm enviado mensagens aos contatos de Trump, pedindo que não apoie Netanyahu nem participe ativamente de sua campanha.


No entanto, a equipe do premiê ainda acredita que se trata apenas de um obstáculo temporário. Nos bastidores, uma fonte israelense disse à CNN que Netanyahu está buscando discretamente uma reunião a sós com o presidente americano — algo que seu gabinete negou.


Tal encontro permitiria a Netanyahu transmitir suas preocupações sobre o iminente acordo com o Irã a Trump. E daria ao israelense a moeda de troca política que ele esperava usar: uma demonstração de sua proximidade com o americano.


O que se sabe sobre o acordo provisório entre EUA e Irã





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.