As histórias por trás de uma economia que cresce pela base
Nos últimos dois anos, 17,5 milhões de brasileiros saíram da pobreza e quase 5 milhões passaram a ocupar vagas formais de trabalho, segundo dados do governo federal. No mesmo período, o país voltou a sair do Mapa da Fome.
Por trás desses números estão histórias de pessoas que retornaram ao mercado de trabalho, abriram um negócio ou encontraram novas formas de reforçar o orçamento da família. Em diferentes regiões do país, o Programa Acredita, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), tem sido uma das portas de acesso ao emprego, à capacitação profissional e ao crédito para inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
Os resultados aparecem também nos indicadores do mercado de trabalho. Segundo dados oficiais, Em 2024, 75,5% das vagas criadas no mercado formal foram ocupadas por beneficiários do programa Bolsa Família.
O caminho de volta ao mercado de trabalho
Em Natal (RN), Ivan Oliveira conhece bem essa mudança.
Há cerca de dois anos, ele ficou sem trabalho e precisou reorganizar a rotina financeira da casa. Naquele momento, o Bolsa Família ajudou a atravessar o período mais difícil. Hoje, está empregado.
“Quando minha família e eu ficamos sem emprego, foi o Bolsa Família que nos ajudou. Hoje, graças ao Programa Acredita, estou empregado e com salário”, afirma.
A trajetória dele reflete uma realidade compartilhada por milhares de brasileiros que buscaram retomar a vida profissional após um período de dificuldade financeira.
O emprego formal é uma das formas de ampliar a renda. Para outras famílias, esse caminho passa pela abertura ou expansão de um pequeno negócio.
Crédito para tirar projetos do papel
Abrir ou ampliar uma atividade econômica continua sendo um desafio para quem tem pouco acesso ao sistema financeiro. A exigência de garantias costuma ser uma das principais barreiras para pequenos empreendedores.
O Programa Acredita atua justamente nesse ponto. Por meio de um Fundo Garantidor, facilita o acesso a financiamentos para pessoas inscritas no CadÚnico que desejam investir em atividades produtivas.
Até março de 2026, foram realizadas 1,48 milhão de operações, somando cerca de R$ 15 bilhões. Os financiamentos podem chegar a R$ 21 mil, com juros limitados à taxa Selic acrescida de até 2% ao ano.
Além do financiamento, os participantes recebem orientação para utilizar os recursos na atividade escolhida.
Entre aqueles que buscam recursos para empreender, a presença feminina é predominante. Atualmente, sete em cada dez participantes das ações de empreendedorismo do programa são mulheres.
Do orçamento doméstico ao próprio negócio
Em Parnamirim (RN), Zenilda Aleixo utilizou os recursos para fortalecer um negócio voltado à venda de roupas femininas, peças de praia e perfumaria. Com o financiamento, conseguiu estruturar um ponto de venda ao lado da residência da família.
Aline Medeiros também encontrou no programa uma alternativa para investir na própria atividade. Trabalhando por conta própria, convivia com períodos de maior instabilidade financeira.
“Eu me preocupava nos meses em que sabia que teria menos dinheiro. Quando conheci as condições do Acredita, especialmente os juros acessíveis, percebi que era a oportunidade de investir com segurança”, conta.
As duas buscaram no empreendedorismo uma forma de reduzir a instabilidade financeira e ganhar mais previsibilidade no orçamento.
Em muitos casos, o impacto não fica restrito à renda da família. À medida que o negócio cresce, surgem oportunidades para contratar funcionários e ampliar as atividade.
De barbeiro a empregador
Em Oeiras (PI), Marcos Styllus conciliava duas ocupações para complementar a renda. Trabalhava como vendedor durante o dia e atendia clientes como barbeiro à noite.
Com o aumento da clientela, a atividade deixou de ser uma fonte adicional de renda e passou a ocupar o centro da rotina profissional.
Hoje, Marcos mantém uma equipe com seis colaboradores diretos.
Casos como o de Marcos mostram como um negócio de pequeno porte pode ir além da renda do proprietário e abrir espaço para novas contratações. À medida que cresce, passa a movimentar fornecedores, ampliar a circulação de recursos e gerar empregos na própria comunidade.
Embora a imagem do empreendedorismo esteja frequentemente associada ao comércio e aos serviços, a busca por novas fontes de renda também faz parte da realidade de muitas famílias que vivem da agricultura.
Novas fontes de renda no campo
No interior do Ceará, a agricultora Valdene Santos de Andrade buscava uma alternativa para complementar o orçamento familiar.
Moradora do Sítio Santo Antônio, em Santa Fé, ela conheceu o Programa Acredita no Primeiro Passo por indicação de um amigo. A partir do acesso ao crédito por meio do Crediamigo, passou a investir na produção de bolos e doces para festas.
Hoje, divide a rotina entre a agricultura e a confeitaria.
Em muitas áreas rurais, atividades complementares passaram a fazer parte da estratégia de renda das famílias, reduzindo a dependência de uma única atividade econômica.
Seja para conquistar uma vaga de emprego, seja para desenvolver uma atividade própria, a capacitação costuma aparecer como um passo importante ao longo dessa trajetória.
Capacitação para diferentes trajetórias
Além do acesso ao crédito, o programa reúne ações voltadas à capacitação profissional.
Uma das ferramentas disponíveis é a plataforma Seu Primeiro Passo, que reúne formação gratuita e acesso remoto à qualificação.
O conteúdo atende tanto quem busca uma colocação no mercado formal quanto quem pretende abrir ou expandir uma atividade própria.
Atualmente, o Programa Acredita está presente em mais de 20 estados brasileiros, com 148 acordos firmados e quase 15 mil unidades parceiras.
A abrangência nacional ajuda a explicar por que histórias tão diferentes aparecem em regiões distantes entre si, do Rio Grande do Norte ao Ceará, passando pelo Piauí.
Histórias por trás dos indicadores
Ivan voltou ao mercado de trabalho. Zenilda e Aline apostaram no próprio negócio. Marcos ampliou a atividade que começou como complemento de renda. Já Valdene encontrou uma forma de reforçar o orçamento sem abandonar a rotina no campo.
Os caminhos foram diferentes, mas todos tiveram acesso a ferramentas que costumam representar um desafio para quem busca crédito, qualificação profissional ou uma oportunidade de trabalho.
As histórias ajudam a entender como políticas voltadas ao emprego, à capacitação e ao empreendedorismo chegam a diferentes regiões do país e se traduzem em experiências concretas para quem busca aumentar a renda, conquistar estabilidade financeira ou abrir um negócio.
Acredita em números
Impacto social
- 17,5 milhões de pessoas saíram da pobreza em dois anos
- Quase 5 milhões ingressaram no mercado formal de trabalho
- Brasil voltou a sair do Mapa da Fome
Emprego
- 75,5% das vagas formais recentes foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família
Crédito e empreendedorismo
- R$ 15 bilhões movimentados até março de 2026
- 1,48 milhão de operações de crédito
- Financiamentos de até R$ 21 mil
- Juros limitados à Selic + até 2% ao ano
- Crédito destinado exclusivamente a atividades produtivas
- Fundo Garantidor para ampliar o acesso ao crédito
Presença nacional
- Mais de 20 estados atendidos
- 148 acordos firmados
- Quase 15 mil unidades parceiras
Empreendedorismo feminino
- Mulheres representam 70% do público atendido nas ações de empreendedorismo
Capacitação
- Plataforma Seu Primeiro Passo com cursos gratuitos e acesso remoto à qualificação profissional




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