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Belo Horizonte,15/06/2026

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Rejeitada por 79 investidores, empreendedora faz sucesso com bebida à base de quiabo

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Rejeitada por 79 investidores, empreendedora faz sucesso com bebida à base de quiabo


Empreender no mercado de bebidas exige fôlego e, acima de tudo, resiliência para ouvir muitos "nãos". A norte-americana Anna Cobb sentiu isso na pele ao ser rejeitada por 79 investidores enquanto tentava viabilizar um produto incomum: uma água com gás feita à base de quiabo.
Apesar do ceticismo do mercado, Cobb persistiu e transformou a ideia na O'kra, marca controlada por sua empresa, a Rejuvenation Beverage Co. No início deste mês, em 1º de junho, a startup deu um salto importante ao estrear nas prateleiras da rede Sprouts Farmers Market, consolidando sua expansão nacional nos Estados Unidos.
A O'kra se posiciona como a primeira água de quiabo gaseificada do mundo. O produto foca no mercado de bebidas funcionais, associando hidratação a benefícios para a digestão, beleza e bem-estar geral, inspirados em tradições nutricionais antigas.
Para vencer a barreira do preconceito com o ingrediente principal, a bebida foi desenvolvida para ser leve e, principalmente, livre da textura viscosa característica do vegetal. “Estamos apresentando o quiabo às pessoas de uma maneira completamente diferente”, explicou Cobb à Inc.
Apostar nesse nicho faz sentido do ponto de vista de mercado. De acordo com dados da Grand View Research, o setor global de bebidas funcionais deve movimentar mais de US$ 353 bilhões (cerca de R$ 1,77 trilhão) até 2030, impulsionado por consumidores que buscam produtos com apelo saudável.
Bastidores e transparência nas redes
O caminho até as gôndolas, no entanto, foi exaustivo. De cerca de 80 investidores contatados pela executiva, quase metade recusou a proposta logo de cara. Cobb relembrou que o processo de captação de recursos foi desgastante, especialmente por ser uma fundadora negra enfrentando a desconfiança de um mercado tradicional. "Algumas pessoas simplesmente não entenderam a visão", disse ao portal.
A virada começou a acontecer de forma orgânica. Um estudante de 20 anos da Universidade de Harvard comprou várias caixas do produto, distribuiu para os colegas e acabou investindo US$ 30 mil (aproximadamente R$ 150,9 mil) no negócio.
Outros aportes vieram após Cobb decidir expor a realidade da startup no LinkedIn e no TikTok, mostrando tanto as vitórias quanto os percalços do dia a dia. Essa postura vulnerável atraiu mentores, parceiros e novos investidores. “Existe uma pressão para que os fundadores sempre pareçam bem-sucedidos. Mas ser honesto sobre o processo ajudou as pessoas a se conectarem com o que estávamos construindo”, afirmou.
A estratégia para vencer a barreira do varejo
O setor de bebidas norte-americano é conhecido por demandar muito capital inicial para cobrir custos de fabricação, taxas de distribuição e a conquista de espaço nos pontos de venda. Sabendo que uma marca bonita não garante espaço no mercado, a equipe da O'kra adotou uma estratégia de base: passou a visitar as lojas fisicamente para apresentar o produto diretamente aos funcionários e gerentes, oferecendo degustações.
Em paralelo, a empresa estruturou um programa de embaixadores que já conta com mais de 250 influenciadores digitais, ajudando a espalhar o produto nas redes sociais. Como o crédito ainda é difícil, a startup foca agora na captação de US$ 850 mil (cerca de R$ 4,27 milhões) com investidores individuais para sustentar o ritmo de crescimento.
Os resultados comerciais validam a persistência de Cobb. Desde novembro de 2025, a O'kra vendeu mais de 70 mil latas, mantendo um ritmo médio de 10 mil unidades comercializadas por mês. A base já passa de 30 mil clientes, com uma taxa de recompra de 83% — um índice considerado alto para a categoria.
O avanço da marca acompanha uma tendência global mapeada pela consultoria McKinsey & Company, que aponta o crescimento do interesse por produtos voltados para a saúde intestinal e o bem-estar preventivo. Grávidas, por exemplo, passaram a consumir a bebida para ajudar na hidratação, criando uma comunidade tão fiel que os bebês começaram a ser apelidados carinhosamente pela empresa de "bebês de quiabo".
Após a entrada na rede Sprouts, os próximos alvos de Cobb para expandir a distribuição nacional incluem grandes marcas do varejo americano, como o Whole Foods Market, a Wegmans e até a rede de cosméticos Sephora. “O objetivo nunca foi apenas criar uma bebida. Era construir algo com o qual as pessoas pudessem realmente se conectar”, concluiu.
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