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Belo Horizonte,29/05/2026

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Como lucrar na Copa do Mundo com ações rápidas e baixo investimento

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Como lucrar na Copa do Mundo com ações rápidas e baixo investimento


A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no Canadá e no México entre 11 de junho e 19 de julho, deve movimentar US$ 80 bilhões na economia global, segundo estimativas da Federação Internacional de Futebol (Fifa), e se consolidar como um dos maiores motores de consumo – inclusive no Brasil.
O impacto vai além do campo e se espalha por produtos, serviços e experiências, abrindo uma janela curta, mas intensa, de oportunidades para empresas de todos os portes. Há sinais de demanda: de acordo com o relatório Predictions 2026, da empresa de pesquisas Ipsos, 71% dos brasileiros pretendem acompanhar as partidas, o que tende a impulsionar as vendas, especialmente de alimentos, bebidas e vestuário.
Mas ainda é possível entrar nesse jogo? A resposta é sim, desde que a abordagem seja pragmática. “A proximidade do evento não é, necessariamente, uma grande barreira”, diz Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper, que vê espaço para adaptar o que já está ao alcance. Mais do que estrutura ou investimento, o diferencial reside na capacidade de resposta rápida e de ajuste da oferta.
Para Vanessa Helena, consultora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em São Paulo (Sebrae-SP), o pequeno negócio sai na frente: “É mais ágil na adaptação dos produtos, na comunicação e na operação, desde que não espere a data chegar para agir”.
Esse cenário, no entanto, exige escolhas claras. A primeira é evitar movimentos que exigem novas competências, avalia Ana Vecchi, fundadora da Ana Vecchi Business Consulting. “O que não cabe – ou é muito arriscado – são operações que exigem aprendizado novo, como a importação para quem ainda não tem prática”, pontua. Nesse contexto, a Copa não favorece de antemão quem tem mais estrutura, mas quem executa melhor. Há, porém, uma condição básica: capacidade de entrega. “Vai prospectar? Precisa garantir execução, com equipe treinada, fornecedores preparados e capital para compra e estoque.”
Outro ponto central envolve reconhecer que nem todas as empresas se beneficiam do evento da mesma forma. Para Nakagawa, é possível começar identificando a posição: diretamente beneficiado, indiretamente impactado ou fora do movimento. “Quem está no meio pode ou não capturar valor, depende da estratégia.” Essa análise não deve se basear apenas em percepção. “O varejista precisa entender qual será o reflexo da Copa no próprio negócio”, afirma Eduardo Yamashita, sócio-diretor da consultoria Gouvêa Inteligência. O caminho mais seguro passa por analisar o histórico da operação ou do setor e entender como eventos dessa natureza afetam o desempenho.
Empreendimentos que estão faturando com a Copa do Mundo serão tema da série "Negócios em Campo", que vai ao ar a partir deste sábado (30/5) no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Globo. Ao longo de três episódios, você verá como pequenos empreendedores estão antecipando tendências e criando produtos para transformar o Mundial em oportunidade. PEGN é exibido aos sábados às 7h50 na Globo, com reapresentação aos domingos (14h10) e segundas (3h10) na Globonews, e publicação no site g1.com.br/pegn e no Globoplay.
Equívoco mais comum
Mais do que criar algo novo, trata-se de reorganizar o que já existe com base no comportamento do consumidor. De acordo com a consultora do Sebrae-SP, esse processo passa por um tripé simples: entender o público, definir a estratégia e comunicar bem. “Não adianta criar uma ação e não mostrar para as pessoas”, observa. O risco é cair no erro mais comum: esperar que a data, por si só, gere resultado.
Quando esse mapeamento é bem-feito, os padrões dos clientes aparecem, o que facilita a tomada de decisão e direciona a atuação. No delivery, por exemplo, a demanda se concentra ao longo das partidas.“O jogo é simples: volume, velocidade e conversão”, afirma Marcelo Marani, CEO da plataforma Donos de Restaurantes. Na prática, as oportunidades se concentram em frentes específicas, que combinam consumo imediato, experiência e contexto emocional.
Os números reforçam esse potencial. Na Copa de 2022, o comércio brasileiro movimentou R$ 1,48 bilhão, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para 2026, a projeção é de crescimento, impulsionado pelo maior número de jogos e pela duração ampliada do torneio.
Ainda assim, o contexto exige cautela. Há um limite claro entre chance e risco: concentrar todo o investimento no evento ou não fazer nada são estratégias comuns – e igualmente prejudiciais. Para quem entra pela primeira vez, o ponto de partida deve ser mais realista. “Se você não tiver histórico, a expectativa é simplesmente manter fluxo de caixa positivo”, afirma Nakagawa. Com esse ajuste de rota, as decisões que de fato fazem diferença se tornam mais claras.
Nas próximas páginas, veja onde estão as oportunidades, como colocá-las em prática com baixo investimento e quais erros evitar – do planejamento à operação.
CARTÃO VERMELHO
Os erros que podem custar caro
O que não vale
● Usar a marca Fifa ou nomes oficiais do evento
● Reproduzir logotipos, troféu, mascote ou identidade visual
● Comercializar itens com referência oficial
● Vincular campanhas, promoções ou sorteios ao torneio
● Incluir termos oficiais em marca, app ou site (uso exclusivo de parceiros oficiais)
Onde mora o problema
● Publicações com objetivo de venda usando elementos da Copa
● Hashtags oficiais para atrair clientes
● Repostagem de conteúdo oficial com finalidade comercial
● Peças visuais semelhantes
● Ações que sugerem vínculo com o torneio
O que vale
● Informar jogos, horários e resultados
● Produzir conteúdo sobre partidas
● Usar linguagem neutra
● Ambientar espaços com bandeiras genéricas e cores das seleções
● Vender produtos inspirados no futebol, sem referência oficial
Risco real
● Remoção de conteúdo
● Interrupção de campanhas
● Ações judiciais e multas por uso indevido de material ou marca
Fontes: Diretrizes de Propriedade Intelectual (2024) da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e Gabriela Carolina de Araujo, advogada de Propriedade Intelectual, Privacidade e Proteção de Dados na Andersen Ballão Advocacia
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BARES E RESTAURANTES
Na Copa, esses estabelecimentos disputam mais do que público: competem pela escolha do cliente. Ambiente, atendimento ágil e consumo contínuo fazem cada partida virar faturamento

Ilustração: Arielle Martins
OPORTUNIDADES
Clima de Copa no salão (experiência)
● Ambientação com bandeiras e cores
● Kit torcida (copo, bandeira, brindes simples)
● Parceria com marcas de bebida no espaço
Monetização: venda de kits e ações patrocinadas
Antes, durante e depois da partida (permanência)
● Happy hour pré-jogo
● Promoção no intervalo
● Oferta ativa após o apito final
Monetização: consumo antecipado e contínuo
Cardápio ágil (consumo contínuo)
● Combos prontos (lanche + bebida)
● Baldes de bebida para grupos
● Porções para compartilhar
● Menu reduzido nos horários de jogo
Monetização: tíquete maior e volume por mesa
Experiência sem fricção
● Reservas por WhatsApp ou direct
● Mesas organizadas por grupos
● Pedidos rápidos sem sair da mesa
● Fluxo separado entre salão e retirada
Monetização: redução de perdas e aumento de pedidos
ENTRADA RÁPIDA
● Definir os jogos, montar a agenda e divulgar a programação nas redes
● Abrir canal de reservas e organizar mesas por grupos
● Criar, testar e divulgar dois ou três combos
● Ajustar o cardápio para os horários de pico, priorizando itens rápidos
● Garantir estoque de alto giro e alinhar reposição com fornecedores
● Organizar a cozinha
● Reforçar e treinar a equipe para um atendimento ágil
INVESTIMENTO MÍNIMO
● Ambientação simples
● Tela visível de todas as mesas
● Som adequado no salão
● Treinamento da equipe
● Divulgação local nas redes sociais
ALAVANCAS DE CRESCIMENTO
● Combos aumentam o valor do pedido
● Bebidas ampliam o faturamento por volume
● Grupos consomem mais do que clientes individuais
● Pedidos ao longo do jogo elevam a receita
● Resultado depende de operação rápida e sem falhas
ERROS COMUNS
● Divulgar só na véspera dos jogos
● Subestimar a demanda e faltar produto
● Comprar em excesso e desperdiçar
● Oferecer um cardápio amplo e de preparo lento
● Deixar a equipe sem treinamento
● Gerar filas e demora no atendimento
Fontes: Ana Vecchi, Eduardo Yamashita, Marcelo Marani e Marcelo Nakagawa
PLANO EM CAMPO
ESTRATÉGIA - No Cachorrão Lanches, Gislaine Silva estruturou cardápio temático e toda a operação para atrair consumidores
Divulgação - Ilustração: Arielle Martins
Entrar no jogo para ganhar exige preparo, fôlego, ginga e – o que não pode faltar – boas decisões. No Cachorrão Lanches, fundado em 2019 em Ponta Grossa (PR), nada disso vem do improviso. “O projeto Copa 2026 já estava no radar desde o fim do ano passado e entrou no nosso planejamento”, afirma a fundadora, Gislaine Silva, 41 anos.
O negócio, que começou em um trailer e hoje conta com duas unidades, tem projeção de R$ 3 milhões de faturamento em 2026, ante R$ 2,5 milhões no ano anterior. Na unidade principal, em um contêiner, a operação no salão responde por 60% da receita e concentra a estratégia para o período.
Em dias comuns, o público é majoritariamente familiar, com permanência de 30 minutos, em média. Nos jogos, esse perfil tende a mudar. “Vêm mais casais e grupos de jovens, que devem ficar umas duas horas nas mesas”, estima a empreendedora, que instalará uma TV grande e distribuirá caixas de som pelo espaço.
Para dar conta dos picos de pedidos, a operação terá três frentes. A primeira é no cardápio, com cachorros-quentes inspirados em seleções. Haverá combos com batata frita nos jogos do Brasil e, a partir das quartas de final, também nas partidas de outros países. “Eles aumentam a percepção de valor e ajudam a ampliar a margem de lucro”, diz.
A segunda é a operação. A cozinha será reorganizada em áreas, e a equipe, hoje com 13 pessoas na unidade principal, passará por treinamento focado em padronização e agilidade. “O cliente pode até ficar mais tempo, mas não aceita esperar.”
A terceira é a ativação do espaço. Algumas semanas antes de o apito soar, o negócio promoverá eventos de troca de figurinhas aos sábados. O objetivo é gerar fluxo contínuo e aumentar a visibilidade do ponto.
As projeções de crescimento no período se apoiam no histórico do negócio. “Em dias de maior movimento, o faturamento dobra. A expectativa é repetir esse desempenho nos jogos mais importantes”, diz ela.
DELIVERY E CONSUMO EM CASA
Durante o torneio, o consumo acontece em ondas previsíveis – antes, durante e depois dos jogos. Quem organiza oferta, comunicação e operação para esses picos transforma demanda em recorrência e receita

Ilustração: Arielle Martins
OPORTUNIDADES
Bebidas e kits de jogo
● Combos com fardos, bebidas geladas e itens de última hora (gelo, copo, abridor)
● Opções premium para grupos
● Recompra durante a partida (“acabou a cerveja?”)
Monetização: recorrência ao longo do jogo, tíquete maior com kits e combinação de volume com margem
Petiscos e combos para grupos
● Pré-venda para jogos de maior audiência
● Kits para compartilhar
● Ofertas para pré, intervalo e pós-jogo
● Itens que mantêm qualidade no transporte
Monetização: receita antecipada, tíquete maior e menor risco com cardápio enxuto
Comunicação em tempo real
● Campanhas antes da partida e ativações no intervalo
● Ofertas ligadas ao jogo (ex: gol, cupom)
● Pedidos via WhatsApp e redes
Monetização: maior conversão e pedidos recorrentes
Escala via plataformas
● Combos destacados e cupons antes dos jogos
● Foco em itens de giro rápido e nos apps mais eficientes
Monetização: ganho de volume, novos clientes e visibilidade nos picos
ENTRADA RÁPIDA
● Criar 2 ou 3 combos principais (bebida + comida)
● Abrir pré-venda em apps e WhatsApp
● Divulgar 24h antes e reforçar no dia
● Preparar estoque e definir capacidade de entrega
INVESTIMENTO MÍNIMO
● Estoque focado em itens de alto giro
● Comissão das plataformas
● Mídia de ativação
● Embalagens que preservam qualidade
ALAVANCAS DE CRESCIMENTO
● Pedidos em grupo e recompra durante o jogo
● Combinação de giro com itens de maior margem
● Operação pronta para picos
● O resultado vem da recorrência, não de um único pedido
ERROS COMUNS
● Vender só no pico e ignorar pré-venda
● Subestimar estoque, especialmente de bebidas
● Operar sem controle em muitos apps
● Falhar na comunicação antes dos jogos
● Não ajustar tempo de entrega
Fontes: Ana Vecchi, Eduardo Yamashita, Marcelo Marani e Marcelo Nakagawa
VENDA SEM TRAVAR
APRENDIZADO - Após uma demanda acima da capacidade em 2022, Glaydiane Leandro, da SOS Bebidas e Carnes, reforça a operação para crescer sem comprometer a entrega
Divulgação - Ilustração: Arielle Martins
Na segunda Copa à frente da SOS Bebidas e Carnes, a sócia-fundadora Glaydiane Leandro, 37 anos, entra mais preparada. Depois de enfrentar uma demanda acima da capacidade na edição do Catar, o negócio chega a 2026 com planejamento estruturado, operação reforçada e foco em atender melhor o consumo em casa, com as bebidas no centro das vendas.
Fundada em 2019, em Arcoverde (PE), a distribuidora, que atua com delivery e retirada, transformou o principal erro da última Copa em aprendizado. Na ocasião, o volume de pedidos simultâneos foi tão alto que precisou limitar as vendas para não comprometer as entregas.
Agora, a estratégia é crescer sem perder a agilidade. A empresa ampliou a base de entregadores parceiros e reforçou a equipe interna para dar conta dos pedidos, um ponto decisivo em dias de pico.
A empreendedora espera um movimento ainda mais forte em 2026. “A Copa coincide com o período de festas juninas, muito fortes aqui no Nordeste”, afirma. Na prática, isso cria dois picos de consumo ao longo do período.
Na frente comercial, a operação combina pacotes de produtos e promoções. Os kits – com bebidas acompanhadas de gelo, carvão, energético ou refrigerante – resolvem a compra rápida. Já os combos, que unem fardos de cerveja e carnes para churrasco, aumentam o volume dos pedidos e também funcionam como porta de entrada para ampliar a base. “Às vezes a gente faz com a intenção de trazer clientes novos”, diz.
Para dar visibilidade às ofertas, são planejadas ações de curto prazo, como bolões com premiação, além de descontos ativados durante os jogos, a exemplo de promoções após gols do Brasil. As campanhas rodam nas redes sociais, com influenciadores locais e nas plataformas de delivery.
Com faturamento de cerca de R$ 2 milhões em 2025 e expectativa de crescer 15% este ano, a empresa entra na Copa com um objetivo claro: vender mais agora – e manter esses consumidores depois.
BELEZA E ESTÉTICA
Em barbearias e salões, o consumo começa antes do apito inicial. Esses negócios ganham espaço ao transformar o visual de torcida em serviço rápido, escalável e de alto valor

Ilustração: Arielle Martins
OPORTUNIDADES
Visual de torcida no pré-jogo
● Barbearia: acabamento de corte e barba com finalização temática
● Salão: unhas com esmaltação rápida e adesivos
● Ambos: maquiagem com cores de seleções, glitter e pintura facial
● Foco em serviços de até 40 minutos no dia do jogo, com alta rotatividade
Monetização: mais atendimentos por hora, combos de “look de jogo” e preço premium no pico
Visual temático de maior valor
● Barbearia: cortes com grafismos e cores das seleções
● Salão: tranças, penteados e nail art temática
● Foco em serviços mais longos, até um dia antes dos jogos
Monetização: posicionamento premium e agenda antecipada
Atendimento para grupos
● Produção coordenada em salão, barbearia ou domicílio
● Concentração de clientes no mesmo período
Monetização: pacotes e atendimentos em bloco
Ativação e venda no local
● Pontos de caracterização em bares, fan fests e eventos
● Venda de acessórios e itens de pintura facial
Monetização: cobrança por aplicação, parcerias e kits
ENTRADA RÁPIDA
● Adaptar serviços com estética de Copa
● Organizar agenda por tempo (longos antes, express no dia)
● Divulgar com antecedência e reforçar vagas no dia
● Operar com equipe sob demanda
INVESTIMENTO MÍNIMO
● Insumos já disponíveis
● Estoque temático de baixa reutilização
ALAVANCAS DE CRESCIMENTO
● Margem concentrada no serviço (baixo custo variável)
● Crescimento puxado por três frentes: aumento de volume no pré-jogo, tíquete mais alto e agenda mais ocupada nos dias de jogo
ERROS COMUNS
● Ter estoque temático em excesso
● Não separar agenda por tipo de serviço
● Esperar demanda durante o jogo
● Gerar visibilidade sem capacidade de atender
● Apostar em um único cenário
● Superestimar o retorno de uma janela curta
Fontes: Eduardo Yamashita, Vanessa Helena e Washington Rodrigo Santos
VIRAL VIRA CAIXA
CORTE QUE VENDE - Após o visual do hexa viralizar em 2022, Washington Santos prepara o Studio Tá Na Régua para repetir o resultado neste ano
Divulgação - Ilustração: Arielle Martins
Um cabelo inspirado na bandeira do Brasil – com descoloração e desenho geométrico nas cores da seleção – transformou o Studio Tá na Régua em fenômeno nas redes sociais na Copa do Catar, há quatro anos. Criada em 2016, em Resende (RJ), a barbearia de Washington Rodrigo Santos, 27 anos, viralizou com o “corte do hexa”, que ganhou projeção nacional ao ser postado com a arroba do negócio.
A repercussão atraiu clientes de diferentes bairros e cidades vizinhas e resultou em parceria de conteúdo com um grande banco. O movimento foi rápido. O vídeo transformou visibilidade em demanda, e a base de clientes cresceu cerca de 30%, puxada por novos públicos que chegaram pelo conteúdo e permaneceram.
Agora, volta ao centro da estratégia para 2026. “A galera quer mostrar o amor pela seleção e encontrou no cabelo um jeito de fazer isso”, diz. O combo com desenho e coloração custa R$ 120, frente ao corte tradicional de R$ 35. Serviços como barba e sobrancelha são vendidos à parte e ampliam o tíquete médio.
A demanda segue o calendário da Copa. “Os clientes cortam o cabelo antes para estar nesses eventos com amigos e família”, explica. O fluxo se concentra nos dois dias que antecedem os jogos do Brasil. Cada atendimento leva de 40 minutos a 1 hora, o que limita o número a cerca de 10 a 12 por dia. Para não perder receita, o empreendedor prepara a operação com horário ampliado e eventual reforço de equipe. “Deixar de atender está fora de questão”, pontua.
Diferentemente da última Copa, o movimento agora é planejado. O vídeo foi repostado em janeiro e acumulou 12 milhões de visualizações em três meses. A estratégia inclui produção de conteúdo e calendário ativo até o início do torneio. Na operação, o negócio adotou agendamento online, treinamento de colaboradores e compras graduais de insumos. Em 2025, o faturamento foi de R$ 155 mil. Para 2026, a projeção é chegar a R$ 200 mil, puxada por aumento de tíquete, novos clientes e melhor ocupação da agenda.
Leia também
ATIVAÇÕES E EVENTOS
Na Copa, oportunidades vão de fan fests a experiências corporativas. O modelo combina público, marcas e serviços para criar um clima de torcida e gerar novas receitas

Ilustração: Arielle Martins
OPORTUNIDADES
Fan fest e watch parties
● Definição do público, tema e local (laje, galpão, quadra ou espaço locado)
● Início do evento enxuto e escalar conforme a demanda
● Estruturação pré, durante e pós para aumentar permanência
● Parcerias com marcas
Monetização: ingressos, áreas diferenciadas e venda de presença de marca
Ativações para marcas
● Criar dinâmicas ligadas ao jogo (reação, desafios, interações)
● Adaptar formatos para diferentes públicos e momentos
● Transformar ativações em produtos replicáveis
Monetização: pacotes (criação + execução), cobrança por evento e escala em múltiplos clientes
Serviços de alta demanda
● Kits de transmissão (TV, som, estrutura)
● DJs ou curadoria para pré e pós
● Kits de torcida e conteúdo em tempo real
● Oferta modular (cliente escolhe o que precisa)
Monetização: cobrança por diária, pacotes e múltiplos eventos
Ambientação corporativa
● Espaços temáticos, TVs e áreas de convivência
● Kits de torcida e ativações internas
● Experiências digitais e conteúdo
Monetização: projetos integrados, taxa de gestão e serviços adicionais
ENTRADA RÁPIDA
● Atuar em operações existentes (bares, empresas, eventos)
● Oferecer entregas específicas
● Montar operação com fornecedores e locação
● Vender antes de executar
INVESTIMENTO MÍNIMO
● Locação de equipamentos
● Equipe variável
● Uso de espaços de terceiros
● Mídia digital focada em conversão
ALAVANCAS DE CRESCIMENTO
● Combinação de receitas (cliente + marca + público)
● Ampliação de tíquete com novos serviços
● Repetição ao longo dos jogos
● Fechamento de pacotes
ERROS COMUNS
● Investir sem validar demanda
● Deixar de vender antecipadamente
● Oferecer só transmissão
● Não integrar marcas
● Subestimar a operação
Fontes: Cíntia Belmonte, Marcelo Nakagawa e Vanessa Helena
EM CLIMA DE TORCIDA
ENGAJAMENTO - Cíntia Belmonte, da Felicitá, transforma transmissões em experiências que aproximam equipes e geram convivência ao longo do torneio
Divulgação - Ilustração: Arielle Martins
Dentro das empresas, o movimento é outro. “A gente decora desde a entrada até o último andar”, conta Cíntia Belmonte, 57 anos, fundadora da Felicitá, especializada em eventos corporativos. Diferentemente das festas juninas e do Natal, quando a ambientação se concentra em áreas específicas, na Copa ela se espalha por todos os espaços. Nesse contexto, a proposta vai além da transmissão. O foco está em criar experiências que envolvam equipes, reforcem vínculos internos e gerem momentos de convivência ao longo do torneio.
O negócio nasceu de forma improvisada, com móveis da própria empreendedora usados para montar um lounge para o primeiro cliente. De lá para cá, evoluiu para uma operação que reúne cenografia, ambientação, sonorização, catering e gestão de fornecedores, com foco no mercado B2B.
Na Copa, o escopo cresce. Além da decoração, entram ativações, tecnologia e conteúdo. Entre as entregas estão totens interativos, disputas entre departamentos e montagem de arquibancadas internas. A proposta é transformar o espaço de trabalho ao longo do torneio. Mais do que a ocasião em em si, as empresas compram engajamento. “Hoje, o cliente busca experiência dentro do evento”, afirma.
O modelo acompanha essa complexidade. A Felicitá coordena múltiplos serviços e cobra uma taxa de gestão, enquanto os os fornecedores são pagos diretamente. A operação combina projetos completos e entregas modulares, o que permite escalar sem estrutura fixa elevada. A empresa mantém seis colaboradores fixos e amplia o time para 22 profissionais nos períodos de maior demanda.
Com carteira corporativa e contratos recorrentes, já entra no ano de Copa com parte da receita garantida. Na edição anterior, atendeu 12 marcas. Para 2026, enviou propostas para 19 e fechou 7 contratos até o início de abril, indicando antecipação da procura. Em 2025, faturou R$ 2,4 milhões e projeta crescimento de pelo menos 70% neste ano.
ROUPAS E ACESSÓRIOS
O consumo também passa pelo visual. Peças versáteis, fáceis de combinar e com identidade leve ampliam o potencial de venda durante e depois da Copa

Ilustração: Arielle Martins
OPORTUNIDADES
Identidade brasileira (além do evento)
● Peças inspiradas no país, com uso no dia a dia
● Cores, grafismos e estética tropical ou retrô
● Itens versáteis: camisetas, bonés e acessórios
● Integração entre looks
Monetização: venda a preço cheio, sem liquidação e com ciclo de vida mais longo
Peças instagramáveis
● Itens com humor e identidade de torcida (“hoje tem jogo”, “hexaaaa”)
● Looks e kits pensados para fotos em grupo
● Divulgação com preço fechado em redes e WhatsApp
● Estímulo a marcação e compartilhamentos
Monetização: tráfego orgânico e maior conversão com comunicação direta
Customização para grupos
● Personalizações simples (nome, número, frase)
● Kits com identidade comum para quem assiste junto
● Produção sob demanda ou base neutra
● Desconto por volume
Monetização: mais pedidos em grupo e aumento do tíquete médio
Looks prontos
● Combinações completas (roupa + acessórios)
● Ofertas para pré, durante e pós
● Combos com preço fechado
● Acessórios de compra impulsiva em destaque
Monetização: tíquete maior e aumento da frequência de compra
ENTRADA RÁPIDA
● Usar o estoque atual para montar kits e looks
● Criar de 2 a 3 ofertas principais
● Agrupar produtos para facilitar a decisão
● Ativar vendas via WhatsApp e redes
INVESTIMENTO MÍNIMO
● Estoque enxuto, focado em giro
● Insumos básicos para personalização
● Produção simples de kits
● Mídia digital
ALAVANCAS DE CRESCIMENTO
● Looks completos elevam o tíquete
● Vendas em grupo aumentam o valor por pedido
● Margem maior em peças próprias
● Recompra ao longo do torneio
ERROS COMUNS
● Apostar em peças excessivamente temáticas
● Dificultar a escolha do cliente
● Ignorar vendas em grupo
● Produzir estoque alto sem validar demanda
Fontes: Ana Vecchi e Eduardo Yamashita
FUTEBOL COM IDENTIDADE
COPA PRETA - Na nova coleção da Preteyta, Reinaldo Paulino homenageia jogadores negros icônicos de diferentes edições do torneio
Ilustração: Arielle Martins
Mais do que entrar na onda da Copa, a Preteyta apostou em um território próprio: transformar futebol em identidade. Em janeiro deste ano, lançou a Copa Preta, que conecta esporte, cultura negra e memória afetiva por meio de estampas autorais do fundador.
A iniciativa nasceu de uma leitura direta de oportunidade de mercado. “Eu falei: já sei o que fazer; vou criar uma coleção com jogadores icônicos negros de diferentes Copas”, conta o fundador, Reinaldo Paulino, 45 anos. A partir daí, reuniu referências de diferentes seleções para destacar atletas históricos em releituras visuais associadas ao esporte e à cultura de seus países.
A proposta também incorpora personalidades internacionais que tiveram conexão com a camisa do Brasil, como os cantores Beyoncé e Michael Jackson, ampliando o repertório para além do futebol.
Criado em Salto (SP) há seis anos, o negócio ganhou tração a partir de 2023, com investimento em eventos, hoje seu principal canal de vendas, além de e-commerce e WhatsApp.
A operação é enxuta e de baixo custo fixo. Paulino concentra criação, desenvolvimento e comercialização. “Eu faço tudo: arte, site, divulgação, vendas. Só não corto e costuro”, diz.
As camisetas da linha Copa Preta custam R$ 129,90, com margem próxima de 75%. As peças regulares saem por R$ 119,90. Bonés, óculos e itens oversized ajudam a sustentar o tíquete médio de R$ 150.
A divulgação segue a lógica do orgânico. A empresa ativa sua rede no meio cultural e envia produtos para artistas, atletas e músicos, transformando cada peça em conteúdo. “Quando eles recebem, veem que não é só uma camiseta, tem história. E muitos acabam fazendo vídeos e postando”, conta.
As vendas já alcançam clientes de quase 20 estados e começam a ganhar escala via revenda. Na Copa, a expectativa é crescer entre 30% e 50%, com o desempenho acompanhando o avanço da seleção.
COLECIONÁVEIS E LICENCIADOS
O consumo também passa pelos produtos. Itens oficiais e artigos temáticos acompanham diferentes momentos – do presente à compra por impulso – e criam oportunidades de venda ao longo de todo o período
OPORTUNIDADES
Presentes e itens oficiais
● Mascotes, souvenires, bola oficial e produtos licenciados
● Opções para crianças, amigos e ações corporativas
● Kits para datas próximas (aniversários, Dia dos Namorados)
● Presença em pontos de conveniência (lojas de bairro, papelarias, padarias)
Monetização: vendas por ocasião, volume (B2B e kits), tíquete maior e compras fora do pico
Pré e dia de partida (itens de seleção)
● Camisetas, bandeiras e bonés
● Vendas na véspera e horas antes, puxadas por urgência
● Presença em locais de alto fluxo e marketplaces
● Parcerias com bares e eventos
Monetização: compras de última hora, tíquete mais alto e vendas no pico de intenção
Jornada do colecionador
● Álbuns, figurinhas, cards, miniaturas e acessórios
● Venda contínua e recorrente
● Itens complementares (pastas, protetores)
● Reposição rápida e dias fixos de troca
Monetização: recompra frequente, volume ao longo do período e maior margem com acessórios
ENTRADA RÁPIDA
● Escolher uma frente principal (oficial, seleção ou colecionáveis)
● Começar com estoque enxuto e testar demanda
● Posicionar vendas nos momentos de maior fluxo
● Ativar WhatsApp, ponto físico e parcerias locais
INVESTIMENTO MÍNIMO
● Estoque inicial reduzido
● Capital de giro para reposição
● Exposição simples
● Compra de produtos licenciados de fornecedores confiáveis
ALAVANCAS DE CRESCIMENTO
● Entrada rápida de caixa
● Recompra ao longo do período
● Aumento de tíquete nos picos
ERROS COMUNS
● Tentar vender tudo ao mesmo tempo
● Comprar sem considerar o momento de venda
● Subestimar a compra por impulso
● Ignorar canais de alto fluxo
● Depender de um único tipo de produto
Fontes: Ana Vecchi, Carlos Henrique Orlando, Eduardo Yamashita e Vanessa Helena
ATÉ O APITO FINAL
FIGURINHAS - À frente da Banca do Jabá, Carlos Orlando aposta no álbum oficial para triplicar o faturamento e gerar até R$ 200 mil de lucro só com as figurinhas
Pedro Figueira/Divulgação - Ilustração: Arielle Martins
Na Banca do Jabá, a Copa não termina quando o troféu é erguido. Em sua nona edição do Mundial à frente da operação, o fundador, Carlos Henrique Orlando, 54 anos, sabe que o torneio começa muito antes do primeiro apito e pode se estender até meados de outubro – ou mais.
Há 34 anos no centro de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), o ponto de venda se tornou referência entre crianças e jovens, público que sustenta o principal motor de receita do período: as figurinhas do álbum oficial da Copa. Em 2026, o planejamento foi iniciado em fevereiro e as vendas começaram em março, com a chegada dos primeiros produtos.
A virada acontece com o lançamento do álbum, no fim de abril. A expectativa é alta – e o empreendedor trabalha com pré-venda para antecipar a demanda. “Difícil jornaleiro ter dinheiro para aguentar uma Copa”, diz. Por isso, os primeiros sete dias são decisivos: é quando ele faz caixa para pagar à vista novos lotes e garantir estoque nas semanas seguintes.
“Sem planejamento não dá. Você precisa saber o que vender, quanto comprar e quando reagir rápido”, afirma. Em 2022, a Copa gerou o maior faturamento da história da banca. Para 2026, a expectativa é triplicar a receita, com lucro entre R$ 100 mil e R$ 200 mil apenas com figurinhas.
A lógica do negócio está na recorrência. Quem começa o álbum volta à banca várias vezes ao longo do torneio – ou até completar a coleção. Pacotes com sete cromos custam R$ 7, enquanto as avulsas saem entre R$ 1,50 e R$ 2, conforme a raridade.
Para dar conta dessa dinâmica, ele organiza listas com as figurinhas que cada cliente procura. A empresa não intermedeia negociações, mas funciona como ponto de encontro para quem está montando o álbum. “Nos dias de troca, a venda aumenta”, diz. No fim, mais do que vender produto, o negócio transforma a Copa em um ciclo de consumo contínuo, que sustenta o faturamento por meses e ajuda a pagar o ano inteiro.




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