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Belo Horizonte,14/05/2026

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Fim do Elo7: conheça outros 8 marketplaces onde artesãos podem vender, segundo especialistas

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Fim do Elo7: conheça outros 8 marketplaces onde artesãos podem vender, segundo especialistas


Cerca de 80 mil empreendedores acordaram na última segunda-feira (11/5) com um e-mail na caixa de entrada. A mensagem era curta e direta: a partir daquele momento, eles não poderiam mais vender no Elo7. Alguns artesãos ouvidos por PEGN relatam que as vendas chegavam a representar até cerca de 70% do faturamento mensal.
Em comunicado enviado a PEGN, a Enjoei, dona da Elo7, informou que a decisão foi "resultado de análises aprofundadas sobre a dinâmica do setor e os obstáculos enfrentados na construção e engajamento de audiência em um ambiente cada vez mais competitivo”.
“Reafirmamos nosso compromisso em oferecer todo o suporte necessário para vendedores e consumidores que realizaram transações até a data de encerramento da plataforma por meio do nosso canal de suporte. Seguimos à disposição para quaisquer dúvidas”, disse a empresa em nota.
Apesar do impacto, o mercado não ficou sem alternativas. Especialistas em e-commerce ouvidos por PEGN listam oito opções de plataformas — de nichos específicos a grandes players — e explicam como os artesãos podem se reposicionar sem cometer os erros que levaram tanta gente a depender de um único canal.
As opções estão listadas em ordem alfabética:
1. Amazon
A seção dedicada a produtos artesanais dentro da Amazon permite que produtores independentes alcancem uma audiência global. A plataforma exige cadastro específico para artesãos e tem critérios de elegibilidade que precisam ser analisados com cuidado — mas, para quem se enquadra, representa acesso a uma das maiores bases de compradores do mundo.
2. Artesanou
Um dos novos players do setor, o Artesanou é um marketplace brasileiro criado especificamente para artesãos. O site ainda está em construção de audiência, mas representa exatamente o tipo de iniciativa que especialistas apontam como tendência. "O surgimento de plataformas como essa pode indicar uma grande oportunidade de mercado", avalia Alexandre Marquesi, professor de e-commerce do Hub de Trade Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Karin Müller, coordenadora e docente de cursos de graduação e pós-graduação da ESPM e da Metodista reforça: "Os artesãos precisam buscar alternativas, e plataformas como essa podem se tornar oportunidades e substituir a Elo7."
3. Etsy
A plataforma americana é, hoje, a referência global para quem vende produtos artesanais, vintage e autorais. Com alcance internacional e uma base de compradores já acostumada ao ritmo da produção manual — incluindo prazos mais longos e preços que refletem a confecção feita à mão —, o Etsy aparece como a principal alternativa especializada nas recomendações dos especialistas ouvidos por PEGN. Para quem produz peças com identidade cultural brasileira, a plataforma também representa uma porta de entrada para o mercado externo.
4. Illuria
Menos conhecida do grande público, a Illuria é um marketplace brasileiro voltado para produtos de moda, acessórios e artesanato autoral. Müller cita a plataforma como uma das alternativas nacionais ao Elo7, com foco em produções independentes. Por ter um perfil mais segmentado, pode ser mais adequada para quem trabalha com peças de valor agregado mais alto.
5. Instagram e Facebook (Meta)
Marquesi inclui as ferramentas de loja do Instagram e do Facebook entre as alternativas com "espaço real para absorver essa demanda". A principal vantagem é que muitos artesãos já constroem audiência nessas redes. Integrar a vitrine de produtos ao perfil é um passo natural — e permite que o relacionamento com o cliente seja construído diretamente, sem intermediários.
6. Mercado Livre
O maior marketplace da América Latina comporta vendedores de artesanato, mas exige atenção às regras de logística e aos prazos de entrega, que tendem a ser mais rígidos do que os praticados por ateliês. A vantagem é o volume de tráfego e a familiaridade do consumidor brasileiro com a plataforma. Para produtos de alta demanda com processo produtivo mais ágil, pode ser uma saída eficiente.
7. Shopee
Com crescimento acelerado no Brasil, a Shopee reúne uma base de usuários ampla e custos de comissão competitivos. Müller, da ESPM e da Metodista, aponta a plataforma como uma das alternativas viáveis para artesãos. O ponto de atenção, segundo ela, é a concorrência com produtos importados — especialmente da China — que podem chegar ao consumidor com preços muito menores.
"O que pode acontecer também é o surgimento de novas plataformas mais focadas em artesanato para suprir as vendas de produções com maior tempo de produção ou personalização", pondera Müller.
8. TikTok Shop
"O TikTok Shop está muito em alta", afirma Lucas Melara, analista de negócios do Sebrae-SP. A ferramenta de vendas integrada à rede social permite que o artesão transforme conteúdo em conversão — algo que, para quem já produz vídeos mostrando o processo criativo, pode funcionar de forma bastante orgânica. A dinâmica de descoberta da plataforma favorece produtos visualmente atrativos e com histórias por trás.
A estratégia por trás da escolha
Ter uma lista de marketplaces à disposição é o começo — mas não é o suficiente. Os especialistas são unânimes ao alertar para um risco que o próprio caso do Elo7 expõe com clareza: a armadilha da dependência de canal único.
"A melhor estratégia não é sair correndo para outro marketplace", diz Marquesi. Para ele, o primeiro movimento deve ser interno: entender quem são os clientes com compras frequentes, construir uma base de relacionamento com eles e só então ampliar os canais de venda. "A empresa tem que se posicionar em fidelização de clientes e não abrir novos canais somente por abrir."
Melara, do Sebrae-SP, vai além e aponta uma limitação estrutural dos marketplaces que poucos artesãos percebem: os dados dos clientes pertencem à plataforma, não ao vendedor. "Se o artesão quiser vender diretamente ao cliente final, ele não vai conseguir, porque quem tem a informação de venda é o marketplace", explica.
Por isso, segundo Melara, a primeira venda feita por qualquer plataforma deve ser encarada como uma oportunidade de fidelização — um cartão bonito na embalagem, uma embalagem cuidadosa, um atendimento cordial. "Se esse processo acontece, a segunda vez o cliente vai querer comprar direto."
A construção de um canal próprio — seja um site, uma loja no Instagram ou o WhatsApp Business — é, para os três especialistas, o ativo mais valioso que um artesão pode desenvolver. "É importante ter um espaço que seja seu e não intermediado por outra organização", afirma Melara. Müller reforça que o atendimento direto via WhatsApp Business, por exemplo, pode aproximar o cliente da marca de um jeito que nenhuma plataforma permite: "Esse atendimento pode até aproximar clientes da marca."
Cuidados na migração
A pressa para encontrar um substituto imediato ao Elo7 é compreensível — mas pode ser prejudicial. "Euforia", resume Marquesi, ao descrever o principal erro que os artesãos cometem neste momento. Para o professor, migrar precipitadamente para outra plataforma, sem analisar taxas, logística e exigências operacionais, pode agravar a situação. "Primeiro colocar a mente, a consciência da estratégia, olhar para dentro de casa, olhar para os clientes com frequência, e aí sim avançar de novo no mercado."
Melara detalha os pontos técnicos que precisam ser verificados antes de qualquer lançamento: meios de pagamento conectados, processo de compra testado, usabilidade acessível. "O processo de migração precisa passar por muito teste, muita validação, e não ter grandes eventos envolvendo esse lançamento", orienta. Outro alerta: domínios novos levam tempo para indexar nos mecanismos de busca, o que significa que uma plataforma recém-criada pode ficar instável nos primeiros dias.
Müller aponta uma questão prática que muitos artesãos esquecem nesse momento de urgência: buscar as informações dos clientes que ainda estão acessíveis na plataforma encerrada. "Devem resgatar as informações da plataforma, se possível, e não devem se enfraquecer com a situação", orienta a especialista. Para ela, o fechamento do Elo7 pode, paradoxalmente, ser um ponto de virada para artesãos que nunca diversificaram os canais. "O momento agora é aproveitar a situação de forma positiva."
O diferencial que nenhuma máquina replica
Além da estratégia de canais, há uma questão mais profunda que os especialistas ressaltam para artesãos que competem com produtos importados e em escala industrial: a autoria.
"Enquanto a gente faz no Brasil a renda de bilro, a China e outros países identificam esses padrões e fazem em escala", diz Melara. "Mas é extremamente possível distinguir uma renda de bilro popular brasileira de um produto fabricado por máquinas." Para o analista do Sebrae-SP, o caminho para se diferenciar não é tentar competir em preço — é aprofundar a identidade cultural do que se produz. "O design e o artesanato contemporâneo estão olhando cada vez mais para o produto autoral brasileiro, para as coisas que estão arraigadas na nossa cultura."
Não é só gente de alta renda que busca esse tipo de produto, ele ressalta: a originalidade e a autoria são demandas crescentes do mercado como um todo. "Se a gente entende de onde vem, qual é a referência, se a gente está bebendo da cultura do nosso país, essa é a originalidade que vai diferenciar a gente de produtos extremamente baratos."
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