Suspeita de hantavírus: navio com 150 pessoas é retido próximo a Cabo Verde
Médicos trabalham para retirar duas pessoas com sintomas do hantavírus após um surto em um navio de cruzeiro de luxo ancorado próximo à África Ocidental, transportando principalmente passageiros britânicos, americanos e espanhóis, disseram autoridades nesta segunda-feira (4).
Cerca de 150 pessoas ainda estavam presas na embarcação depois que três pessoas, um casal holandês e um cidadão alemão, morreram, e outras adoeceram, incluindo um britânico que deixou o navio e estava sendo tratado na África do Sul, acrescentaram as autoridades.
O RIVM (Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda), que está ajudando no surto, afirmou que o hantavírus foi confirmado em um dos pacientes que apresentava sintomas.
Uma fonte a par do caso disse que a mulher holandesa que morreu também havia testado positivo para o vírus.
O RIVM afirmou que ainda não está claro se as outras pessoas com sintomas também estavam infectadas pelo vírus, ou se as outras mortes também foram causadas pelo hantavírus.
O hantavírus, que pode causar doença respiratória fatal, pode se espalhar quando partículas de fezes ou urina de roedores se tornam aerotransportadas. Ele não se transmite facilmente entre humanos.
Não existem medicamentos específicos para tratar a doença, portanto, o tratamento se concentra em cuidados de suporte, incluindo o uso de ventiladores em casos graves.
A Organização Mundial da Saúde disse que o risco para o público em geral é baixo e que não há necessidade de pânico ou restrições de viagem. Mas as autoridades da nação insular de Cabo Verde disseram que não permitiram que o navio MV Hondius, com bandeira holandesa, atracasse como medida de precaução.
“Muita incerteza”, diz blogueiro a bordo do navio
“Não somos apenas manchetes: somos pessoas com famílias, com vidas, com pessoas nos esperando em casa”, disse Jake Rosmarin, blogueiro de viagens dos EUA, em um vídeo emocionado postado no Instagram a partir do navio na segunda-feira.
“Há muita incerteza e essa é a parte mais difícil”, acrescentou.
Um porta-voz da operadora do navio, Oceanwide Expeditions, com sede na Holanda, disse que, como precaução, todos os passageiros foram instruídos a permanecer dentro de suas cabines para evitar qualquer possível disseminação do vírus.
Embora a transmissão de humano para humano seja rara, o período de incubação pode durar várias semanas, o que significa que algumas pessoas ainda podem não estar apresentando sintomas.
A Oceanwide Expeditions estava tentando organizar a repatriação de dois membros da tripulação com sintomas da doença, um britânico e um holandês, juntamente com o corpo do cidadão alemão e um “hóspede intimamente associado ao falecido” que não apresenta sintomas.
A empresa disse que estava avaliando a possibilidade de triagem e desembarque de passageiros nas ilhas de Las Palmas e Tenerife.
As autoridades espanholas afirmaram que ainda não haviam recebido um pedido para que o navio atracasse e desembarcasse passageiros lá. O Ministério das Relações Exteriores da Holanda, que a Oceanwide Expeditions disse ser o responsável por fazer a solicitação, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Hondius partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, em março, de acordo com a documentação da empresa, em uma viagem divulgada como uma expedição de natureza à Antártica, com preços de cabine variando de 16.000 a 25.000 dólares).
O navio passou pela Antártica continental, Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul, Ilha Nightingale, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão antes de chegar às águas de Cabo Verde em 3 de maio.
O Departamento de Saúde da África do Sul confirmou que dois dos mortos eram cidadãos holandeses: um homem de 70 anos, que morreu em Santa Helena em 11 de abril, e sua esposa, de 69 anos, que morreu na África do Sul após desmaiar no Aeroporto Internacional O.R. Tambo.
O britânico que está sendo tratado em uma clínica privada em Joanesburgo adoeceu em 27 de abril, enquanto a vítima alemã no navio morreu em 2 de maio, informou a Oceanwide Expeditions.
Origem do surto ainda não está clara
O hantavírus geralmente começa com sintomas semelhantes aos da gripe, como fadiga e febre, de uma a oito semanas após a exposição.
Um porta-voz do RIVM disse que a origem do surto ainda não está clara.
“Pode-se imaginar, por exemplo, que ratos a bordo do navio tenham transmitido o vírus”, disse ele.
“Mas outra possibilidade é que, durante uma parada em algum lugar da América do Sul, pessoas tenham sido infectadas, por exemplo, por camundongos, e adoeceram dessa forma.”
Daniel Bausch, professor visitante no Geneva Graduate Institute, na Suíça, afirmou que há algumas evidências de transmissão de humano para humano no Vírus Andes, uma espécie de hantavírus encontrada na Argentina e no Chile.
“Portanto, é significativo que este navio de cruzeiro tenha iniciado sua viagem na Argentina”, disse ele.
“A boa notícia é… que isso não vai se tornar um grande surto”, acrescentou.




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