Seja bem-vindo
Belo Horizonte,01/05/2026

  • A +
  • A -

Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora

g1.globo.com
Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora


Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro
Entrou em vigor, nesta sexta-feira (1º), o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), considerado um dos mais amplos tratados comerciais negociados pelos dois blocos. Além de ampliar o acesso a mercados, ainda que de forma gradual, o pacto deve impactar diretamente a Amazônia ao incentivar atividades econômicas sustentáveis e aumentar a pressão internacional por preservação ambiental, avalia a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.
➡️ O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto.
Em entrevista à Rede Amazônica, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo pode transformar a inserção da Amazônia no comércio internacional, hoje ainda concentrada em poucos produtos.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp
Segundo ela, o tratado abre caminho para a ampliação de exportações ligadas à sociobiodiversidade, com maior valor agregado, como frutas amazônicas, cacau, pescado e itens da bioeconomia, produtos que encontram demanda crescente no mercado europeu, especialmente por atenderem critérios de sustentabilidade e rastreabilidade.
“O acordo representa uma oportunidade de diversificar e sofisticar a inserção da Amazônia no comércio internacional. Isso inclui desde alimentos diferenciados, como frutas amazônicas, cacau e pescado, até produtos da bioeconomia. O mercado europeu tem forte demanda por bens sustentáveis, rastreáveis e de qualidade, o que cria oportunidades concretas para produtores locais acessarem nichos mais valorizados”, afirmou.
Embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf
Luara Baggi (ASCOM/MCTI)
A embaixadora destaca que a redução de barreiras regulatórias deve facilitar o acesso desses produtos à Europa, com impacto direto sobre micro, pequenas e médias empresas, além de cooperativas e produtores locais.
O acordo também tende a estimular investimentos na região, especialmente em atividades que agreguem valor à produção. A expectativa é de avanço em áreas como transformação industrial, pesquisa e inovação, reduzindo a dependência da exportação de produtos primários.
Acordo UE-Mercosul começa a valer; veja o que está em jogo para o agro — de frutas a carnes e café
Além do impacto econômico, o tratado pode gerar efeitos sociais relevantes. O fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis amplia oportunidades para comunidades tradicionais e mulheres empreendedoras, além de favorecer a inserção internacional de produtos com identidade cultural, como o artesanato.
Para a União Europeia, o acordo tem ainda um papel estratégico na preservação ambiental da Amazônia, ao criar incentivos econômicos para a conservação.
“No caso da floresta amazônica, a relevância do acordo é sobretudo estratégica: ele contribui para criar incentivos econômicos que valorizam a conservação. Ao ampliar a demanda por produtos sustentáveis da região, reforça a lógica de que manter a floresta em pé pode ser mais vantajoso do que atividades associadas ao desmatamento. A União Europeia privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas”, disse.
Esse eixo está alinhado a compromissos internacionais como o Acordo de Paris, que estabelece metas para redução de emissões e combate às mudanças climáticas. A bioeconomia aparece como um dos principais vetores de desenvolvimento nesse cenário. O tratado pode impulsionar cadeias ligadas à biodiversidade, como ingredientes naturais, cosméticos, alimentos e soluções biotecnológicas, que dependem diretamente da preservação da floresta.
Além disso, o acordo prevê cooperação entre Mercosul e União Europeia em temas como combate ao desmatamento e uso sustentável dos recursos naturais, o que pode resultar em iniciativas conjuntas de apoio às populações locais. A implementação do tratado também deve ampliar as exigências por rastreabilidade e conformidade ambiental, aumentando a pressão sobre o Brasil para fortalecer políticas de controle do desmatamento.
“A União Europeia é um mercado que privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas. Isso estimula práticas como o manejo sustentável, a rastreabilidade e a produção livre de desmatamento, alinhando produção e conservação”, conclui.
Floresta amazônica.
Getty Images via BBC




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.