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Belo Horizonte,01/05/2026

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Como designers brasileiros estão transformando resíduos em peças de desejo

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Como designers brasileiros estão transformando resíduos em peças de desejo


Em um cenário de crescente escassez de recursos, ressignificar itens e materiais que poderiam ser descartados é atitude essencial na atuação de designers e empresas. Guiados pela consciência ambiental, esses profissionais vêm reinventando o mercado ao transformar resíduos e materiais comuns em novas possibilidades criativas.
A seguir, confira móveis e objetos que traduzem essa abordagem, unindo estética, inovação e compromisso com a sustentabilidade.

Mesa de jantar e espelho Dominó, do Assimply Studio
A linha ressignifica resíduos ao transformá-los em objetos duráveis
Renata Casagrande
A coleção valoria a responsabilidade ambiental a partir do reaproveitamento de materiais brasileiros, transformando resíduos cerâmicos, peças abandonadas, estoque morto e entulho de demolição de artigos para o lar. A mesa Dominó usa cerâmicas reaproveitadas encontradas no Rio de Janeiro, enquanto sua base é feita com 72% de resíduos reciclados de demolição. Já o espelho Dominó reforça essa abordagem ao utilizar alumínio 100% reciclado. Assim, a coleção une design, pesquisa material e consciência ambiental, mostrando como o descarte pode ganhar nova função, beleza e permanência.
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Luminária Pilar, da Casa Costillas
Assinada por Danilo Costillas, a peça une luminária e mesa de apoio em um design funcional e acolhedor
Divulgação
Assinada pelo designer Danilo Costillas, a peça sintetiza iluminação e mobiliário de apoio em um único gesto, explorando a verticalidade e o contraste harmônico entre cores e densidades das madeiras brasileiras recuperadas. Uma haste esguia sustenta a cúpula em tecido, que difunde a luz de maneira suave, criando uma atmosfera acolhedora e intimista. O caráter híbrido da peça — ao mesmo tempo luminária e mesa de apoio — a torna ideal para bibliotecas, salas de estar e dormitórios, onde arte e funcionalidade se encontram.
Coleção Sobrepor, de Domingos Tótora e Gabriel De La Cruz
O banco Relevo é uma das peças da coleção
Divulgação
Surpreendentemente instigante, a série Sobrepor nasceu do encontro — e das afinidades — entre Domingos Tótora e Gabriel De La Cruz. Apresentada na 22ª edição da SP-Arte, principal plataforma de design colecionável do país, a coleção reúne mais de dez peças, de bancos a luminárias, que exploram as fronteiras entre arte e design, onde o desenho não impõe a forma, mas a deixa emergir.
Ao observar os detalhes com atenção, revelam-se as camadas que constituem cada artefato do conjunto — materializado ao longo de mais de um ano, da pesquisa à execução. Ponto de partida da produção, o papelão reaproveitado, recolhido em Maria da Fé, Minas Gerais, transforma-se em uma mistura que, moldada à mão e seca ao sol, preserva suas imperfeições como marcas do tempo, evidenciando suas origens.
As memórias presentes em cada peça também se revelam no tingimento, feito com terras de diferentes localidades da região. Conforme a procedência, as tonalidades variam, apresentando matizes que reafirmam a originalidade dos artigos.
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Aparador PLE-90 , desing Percival Lafer para a Etel
Aos 90 anos, Percival Lafer lança o aparador PLE-90 com madeira reaproveitada, ao lado de seis peças clássicas relançadas pela Etel
Ruy Teixeira
Aos 90 anos, Percival Lafer reafirma a atualidade de seu pensamento com o lançamento do PLE-90 — um aparador que transforma matéria residual em expressão de design. Criado a partir do reaproveitamento de fragmentos de madeira oriundos da produção da Etel, o PLE-90 traduz uma abordagem sensível e consciente, onde cada elemento carrega história e propósito. A composição revela um equilíbrio preciso entre forma, material e tempo, resultando em uma peça que dialoga diretamente com as urgências contemporâneas. Mais do que um móvel, o PLE-90 sintetiza o olhar de Lafer sobre o design: essencial, duradouro e profundamente conectado à matéria.
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Coleção Reengrenagem, do Noemi Saga Atelier
Combina metal reaproveitado e madeira para ressignificar o tempo e o uso dos materiais
Divulgação
A série investiga o tempo como matéria de projeto a partir do resgate de componentes industriais — engrenagens, fresas e peças usinadas — reconfigurados como mesas de apoio. Suas superfícies, marcadas por oxidação e desgaste, não são ocultadas, mas ativadas como linguagem, convertendo resíduo em memória material.
Bases industriais sustentam hastes em latão ou aço reaproveitado, enquanto tampos em madeira introduzem um contraponto orgânico, estabelecendo um equilíbrio entre densidade e leveza. Parte da série Intervenções, apresentada na SP–Arte, a coleção reúne peças únicas que articulam garimpo, usinagem e acabamento manual, propondo novos usos e narrativas a partir do existente.
Coleção Inverso, da Suite
Uma das mesas da coleção da Suite
Pedro Ocanhas
A linha propõe uma nova abordagem ao design sustentável ao utilizar plástico reciclado triturado combinado com fragmentos de pedra natural descartados, formando peças de alto padrão com forte apelo estético. Desenvolvida após meses de experimentação com pigmentos naturais como açafrão, pimenta e argilas, a coleção reúne 15 itens únicos, de móveis e luminárias, que exploram contrastes visuais e táteis. O projeto busca romper a ideia de que sustentabilidade e sofisticação são opostas, mostrando que é possível unir consciência ambiental e elegância, ao mesmo tempo em que ressignifica o plástico como um material de valor expressivo e simbólico no contexto do consumo consciente.
Coleção Madre, de Superlimão e Vaique
A pesquisa resutou em novas possibilidades estéticas no design contemporâneo
Divulgação
O escritório Superlimão apresentou uma série de instalações e objetos que exploram o uso de plástico reciclado translúcido, desenvolvido em parceria com a Vaique, como matéria-prima de alto potencial no design e na arquitetura. A proposta busca romper com a estética tradicional associada ao material reciclado, aplicando-o em diferentes escalas — desde estruturas arquitetônicas na entrada da feira até peças inspiradas em técnicas ancestrais como cestaria e tecelagem. Com foco em sustentabilidade e circularidade, o projeto demonstra como resíduos podem ser transformados em soluções criativas, funcionais e reaproveitáveis, incentivando uma nova percepção sobre o plástico e seu papel no design contemporâneo.
Coleção Vestígios, do Studio Anna Machado
Vasos desenvolvidos pela designer Anna Machado
Divulgação
Na linha, a designer apresentou pela primeira vez um trabalho totalmente manual, feito com sobras do estúdio, fruto de uma pesquisa artística de anos. Além da coleção, Anna exibiu o projeto TON, no qual explora o plástico para além da matéria-prima e passa a vê-lo como agente de transformação social, e um desdobramento da coleção Desamparo.
Estante Castanhão, de Érico Gondim
Resíduos do saneamento viram peças de design contemporâneo
Divulgação
O móvel faz parte de uma linha de quatro peças que inclui aparador, mesa e banquinho orientados pela regeneração de matérias e narrativas a partir do design, articulando sustentabilidade, inovação e memória industrial. Desenvolvido pelo Studio Érico Gondim, o projeto desdobra a pesquisa do RegeneraLab, realizada em parceria com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), em 2025, que resultou em 15 produtos.
A investigação explora o reaproveitamento de resíduos e subprodutos do saneamento como matéria-prima para criações autorais. Na SP–Arte, a coleção evidenciou esse processo ao transformar descartes em peças de design contemporâneo, aliando rigor técnico, responsabilidade ambiental e potência estética, e propondo uma reflexão sobre economia circular e futuros regenerativos.




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