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Belo Horizonte,27/04/2026

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PF e MPT realizam operação em igreja ligada a pastor preso por abusos contra fiéis no MA

g1.globo.com
PF e MPT realizam operação em igreja ligada a pastor preso por abusos contra fiéis no MA


Vídeo mostra vítima em exaustão após 'castigo' imposto pelo líder religioso
O Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF) deflagraram, na manhã desta segunda‑feira (27), uma operação na sede da igreja Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. A ação está relacionada às investigações contra o pastor David Gonçalves Silva, suspeito de abusos sexuais e punições físicas contra fiéis.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, a operação foi deflagrada a partir de denúncias feitas de que no local poderia existir casos de trabalho análogo à escravidão. O MPT afirma que, após as buscas, neste momento não foi identificada nenhuma situação que enquadre a prática.
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Nos últimos dias, mais de 10 pessoas procuraram a polícia para denunciá‑lo. O pastor é investigado por estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.
Ainda segundo o MPT, foram recolhidos depoimentos e documentos que serão analisados e anexados ao processo. Entretanto, caso haja no curso da investigação alguma situação que se enquadre a trabalho análogo à escravidão, intervenções devem ser feitas posteriormente.
Na sexta‑feira (24), um novo vídeo incorporado ao inquérito policial mostra um adolescente em estado de exaustão após ser submetido a punições (veja acima). Segundo a polícia, ele passou horas em pé, sem dormir, e foi obrigado a escrever durante toda a noite a frase: “Eu preciso aprender a respeitar meu líder”.
O pastor foi preso no dia 17 de abril. Natural do Ceará, ele é suspeito de aplicar castigos físicos e punições psicológicas a jovens que descumpriam regras impostas por ele. Entre as vítimas, há pessoas do Pará e do Ceará.
Pastor do MA é preso; entre castigos aplicados, em um deles os fiéis eram obrigados a escrever que respeitariam 'o meu líder'
Arte/g1
Vítimas relatam que procuraram a igreja em busca de apoio
Operação 'Falso Profeta'
Divulgação/Polícia Civil do Maranhão
De acordo com a polícia, o sistema de punições ajudou o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por anos.
Entre as vítimas estão pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que relatam ter procurado a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua.
As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos aplicados era chamado de “readas”, que consistia em chicotadas com um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos. Em um dos casos relatados à polícia, quatro vítimas sofreram entre 15 e 25 chicotadas cada.
O g1 teve acesso a um dos áudios atribuídos ao pastor que indicam também a privação de comida como forma de punição. Em uma das gravações, ele afirma: “Até resolver a situação da bomba, estão sem comer”.
Ainda de acordo com a denúncia, o pastor se referia aos fiéis como “piões”. O local onde eles dormiam era chamado de “baia”. A investigação aponta que as agressões físicas e psicológicas também eram usadas como forma de pressão para a prática de abusos sexuais.
Homens eram os principais alvos dos abusos sexuais, diz polícia
Os investigadores da Polícia Civil afirmam que, embora a comunidade fosse formada por homens e mulheres, os homens eram os principais alvos dos abusos sexuais.
“Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças. Tenho vergonha, mas tô lutando todos os dias para mudar esse centro na minha mente", relatou uma das vítimas.
A polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes
Reprodução
Durante o cumprimento do mandado no local, a polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes (veja acima). Segundo os investigadores, esse era um dos castigos impostos aos fiéis.
De acordo com a polícia, os fiéis viviam sob controle constante dentro da igreja e não tinham contato com o público externo. O comportamento era rigidamente determinado pelo pastor, com separação entre homens e mulheres e monitoramento contínuo por câmeras, inclusive durante o banho.
"Já apanhei, já fiquei sem refeição, já fiquei trancada no quarto sem poder falar com ninguém. Ele também pedia para as pessoas lá do local me tratarem como louca”, afirmou uma das vítimas do líder religioso.




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