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Belo Horizonte,25/04/2026

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20 diferenças entre a série de The Boys e os quadrinhos

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20 diferenças entre a série de The Boys e os quadrinhos

Quando The Boys chegou ao Amazon Prime Video em 2019, muita gente que já conhecia os quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson ficou curiosa para ver o que a adaptação manteria e o que jogaria fora. 

A resposta, como a série mostrou ao longo das temporadas, é que as diferenças entre a série de The Boys e os quadrinhos são muitas, profundas e, em vários casos, bastante criativas

A premissa central permanece: um grupo de pessoas comuns tenta expor e combater super-heróis corruptos que trabalham para uma megacorporação chamada Vought International. Mas a partir daí, os caminhos se separam de formas surpreendentes.

A série não é uma cópia fiel das HQs, e isso não é necessariamente um problema. Eric Kripke e sua equipe fizeram escolhas deliberadas para tornar a história mais palatável para o público televisivo, sem abrir mão da crítica ácida ao capitalismo, à cultura dos super-heróis e à mídia. 

Ainda assim, quem leu os quadrinhos vai notar uma série de mudanças significativas, algumas sutis, outras radicais.

The Boys e sua origem nos quadrinhos

The Boys foi criado por Garth Ennis e Darick Robertson e publicado originalmente pela Wildstorm, selo da DC Comics, em 2006. A DC, no entanto, ficou desconfortável com o conteúdo explícito e cancelou a série logo no início. 

A história migrou para a Dynamite Entertainment, onde foi concluída em 2012, totalizando 72 edições. No Brasil, os quadrinhos foram publicados pela editora Devir.

A HQ é conhecida por seu humor extremo, violência gráfica e sátira impiedosa aos super-heróis e aos Estados Unidos. A série da Amazon captura bem esse espírito, mas suaviza (ou redireciona) vários elementos para funcionar no formato televisivo e alcançar um público mais amplo.

20 diferenças entre a série de The Boys e os quadrinhos

Para quem está chegando agora à franquia ou quer entender melhor o que foi adaptado, reinventado ou simplesmente descartado, reunimos as 20 principais diferenças entre a série de The Boys e os quadrinhos. 

Prepare-se para spoilers e para descobrir que a versão em papel é, em muitos aspectos, ainda mais perturbadora do que a tela.

1. O tom geral é ainda mais sombrio nas HQs

Por mais brutal que a série seja, os quadrinhos vão além. A violência e o conteúdo sexual são muito mais explícitos nas páginas, com cenas que a produção da Amazon optou por não replicar. O humor também é mais ácido e menos "palatável".

2. Billy Butcher é um personagem menos simpático nas HQs

Na série, Billy Butcher (Karl Urban) tem camadas e momentos de humanidade que o tornam um protagonista complexo, mas ainda assim alguém com quem o público consegue se identificar. Nos quadrinhos, ele é uma figura muito mais sombria e intimidante, a ponto de se tornar tão vilão quanto o próprio Capitão Pátria em determinado momento da história.

3. Todos os The Boys têm superpoderes nas HQs

Na série, apenas Kimiko possui poderes. Nos quadrinhos, toda a equipe consome regularmente o Composto-V para nivelar a disputa contra os Sete. Isso muda completamente a dinâmica de poder do grupo e torna os confrontos físicos muito mais equilibrados desde o início.

4. A origem do nome "Leitinho de Mamãe" é literal nas HQs

Na série, o apelido de Mother's Milk tem duas explicações simples: seu sobrenome real é Milk e ele ganhou o apelido de "mãe" por cuidar dos colegas quando era paramédico. 

Nos quadrinhos, a história é bem mais perturbadora: sua mãe trabalhou em uma fábrica contaminada com Composto-V durante a gravidez, e Leitinho nasceu com uma condição que o obrigava a beber o leite materno dela para sobreviver, inclusive na vida adulta.

5. Hughie é escocês e inspirado em Simon Pegg nas HQs

Nos quadrinhos, Hughie Campbell é escocês e foi desenhado com a aparência do ator Simon Pegg, inspirado especificamente em seu papel na sitcom Spaced. Na série, Hughie é americano e interpretado por Jack Quaid. O tributo a Pegg, no entanto, não foi esquecido: o ator foi escalado para viver o pai de Hughie na produção.

6. Hughie não sabe que Annie é Starlight nas HQs

Na série, Hughie usa o relacionamento com Annie para tentar infiltrar informações sobre os Sete e ela descobre isso. Nos quadrinhos, Hughie simplesmente não sabe que está namorando uma super-heroína. Quando Billy descobre o romance, chega a suspeitar que Hughie é um espião a serviço da Vought.

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A aparência dos personagens é uma das diferenças. (Foto: Reprodução/Dynamite Entertainment)

7. Mallory e Stillwell são homens nas HQs

A série trocou o gênero de dois personagens importantes: a Comandante Mallory (Susan Heyward) e Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue) são homens nos quadrinhos. No caso de Stillwell, a mudança abriu espaço para uma dinâmica sexual distorcida com o Capitão Pátria na série. 

Além disso, Stillwell morre no final da primeira temporada da série. Nos quadrinhos, ele permanece como um dos principais antagonistas até o fim.

8. Stormfront é um homem nas HQs

Assim como Mallory e Stillwell, Tempesta (Stormfront) também é um personagem masculino nos quadrinhos. Na série, Aya Cash deu vida à personagem com uma performance memorável, e a mudança de gênero influenciou diretamente o arco da personagem, incluindo o romance com o Capitão Pátria. 

Nos quadrinhos, Stormfront lidera o grupo Payback e é derrotado pelos The Boys. Na série, é Ryan, filho do Capitão Pátria, quem quase a mata e ela acaba tirando a própria vida.

9. A queda do avião acontece no 11 de setembro nas HQs

Uma das cenas mais impactantes da primeira temporada mostra o Capitão Pátria e a Rainha Maeve falhando em salvar um avião sequestrado. 

Nos quadrinhos, essa missão desastrosa acontece em um dos aviões do 11 de setembro e o avião bate na Ponte do Brooklyn, não no World Trade Center

A série adaptou o evento para um contexto mais genérico, mas manteve o impacto emocional da cena.

10. Becca morre ao dar à luz nas HQs

Na série, Becca Butcher sobrevive ao parto do filho com o Capitão Pátria e vive escondida com Ryan por anos, até ser morta no final da segunda temporada. Nos quadrinhos, ela morre durante o parto. Além disso, o próprio Billy mata o bebê superpoderoso nas HQs, algo que a série substituiu pelo arco de proteção e desenvolvimento de Ryan ao longo da trama.

11. Black Noir é um clone do Capitão Pátria nas HQs

Essa é uma das maiores reviravoltas dos quadrinhos: Black Noir é revelado como um clone do Capitão Pátria, criado pela Vought para monitorá-lo e eliminá-lo caso ele saia da linha. 

Além disso, é Black Noir, e não o Capitão Pátria, quem violentou Becca nos quadrinhos. A série manteve a identidade do personagem em mistério por muito tempo e seguiu um caminho completamente diferente para ele.

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A história de Black Noir é bem diferente nos quadrinhos. (Foto: Divulgação/Prime Video)

12. Victoria Neuman é baseada em George W. Bush nas HQs

Nos quadrinhos, o equivalente de Victoria Neuman é Victor K. Neuman, apelidado de “Vic the Veep”, uma paródia direta do então presidente George W. Bush. 

Na série, Victoria é uma política progressista que parece lutar contra a Vought, mas esconde segredos sombrios, incluindo o poder de explodir cabeças. A mudança de gênero e de perfil político transformou completamente o papel do personagem na narrativa.

13. Os The Boys são financiados pela CIA nas HQs

Nos quadrinhos, a equipe de Billy é oficialmente sancionada e financiada pela CIA desde o início, uma contramedida institucional ao crescente poder da Vought. 

Na série, o grupo opera de forma independente e clandestina nas primeiras temporadas, o que cria complicações adicionais para os personagens, que chegam a ser tratados como fugitivos.

14. Herogasm é um evento global nas HQs

Nos quadrinhos, o Herogasm é uma orgia anual organizada e patrocinada pela própria Vought, aberta a todos os super-heróis do planeta como uma espécie de "férias corporativas". Na série, o evento é muito menor em escala, sem o envolvimento da Vought, e serve principalmente como cenário para um confronto entre Homelander, Soldier Boy e Hughie.

15. Soldier Boy é um personagem patético nas HQs

Na série, Soldier Boy (Jensen Ackles) é apresentado como uma versão sombria e poderosa do Capitão América, o primeiro herói da Vought, com um passado real de combate e DNA que foi usado para criar o Capitão Pátria. Nos quadrinhos, ele é o líder covarde do grupo Payback, que acaba sendo espancado e humilhado pelos The Boys sem oferecer grande resistência.

16. A Rainha Maeve tem um fim trágico nas HQs

Nos quadrinhos, a Rainha Maeve tenta se redimir e enfrentar o Capitão Pátria, mas é morta por ele sem sequer ter chance de lutar. Na série, ela tem um arco de redenção muito mais desenvolvido: perde um olho em combate, derrota Soldier Boy e finge a própria morte para recomeçar a vida longe dos holofotes, um final bem mais esperançoso do que o das HQs.

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A trama de Queen Maeve acaba de outra forma nos quadrinhos. (Foto: Divulgação/Prime Video)

17. Existem muitas outras equipes de super-heróis nas HQs

Nos quadrinhos, os Sete são apenas um dos vários grupos de super-heróis que operam ao redor do mundo. Os The Boys enfrentam equipes menores, como o Teenage Kix e o Payback, antes de partir para o confronto final com os Sete. Na série, o foco é quase exclusivo na rivalidade entre os dois grupos principais, com outras equipes aparecendo de forma mais pontual.

18. A Vought não tem um universo cinematográfico nas HQs

Uma das sacadas mais inteligentes da série é transformar a Vought em uma empresa de entretenimento que produz filmes de super-heróis, uma paródia direta do MCU e da cultura dos blockbusters. Nos quadrinhos, a Vought é mais focada em contratos militares e influência política, sem o componente de indústria cinematográfica que a série explora com tanto humor.

19. O Terror, o buldogue de Billy, quase não aparece na série

Nos quadrinhos, o Terror é um personagem recorrente e querido: o buldogue fiel de Billy Butcher, conhecido por suas travessuras com os inimigos do dono. Na série, o cachorro aparece apenas em um flashback rápido e em uma cena breve na segunda temporada, uma ausência sentida por quem conhece as HQs.

20. A série criou personagens e arcos completamente originais

A série introduziu personagens que não existem nos quadrinhos, como a própria versão televisiva de Victoria Neuman com seus poderes de explodir cabeças, além de desenvolver arcos inéditos. Vought Rising, o spin-off com Jensen Ackles, é mais um exemplo de como o universo televisivo está construindo sua própria mitologia, independente das páginas originais.

The Boys é um daqueles casos raros em que tanto a obra original quanto a adaptação têm seus próprios méritos, e conhecer as diferenças entre elas só enriquece a experiência. 

Se você ainda não leu os quadrinhos, vale muito a pena conferir para entender de onde vieram tantas ideias geniais (e perturbadoras). E se você quer continuar por dentro de tudo sobre a série, não deixe de conferir nossa crítica da temporada mais sombria de The Boys aqui no Minha Série

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