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Belo Horizonte,23/04/2026

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O cansaço que não passa e a sobrecarga emocional invisível por trás da rotina das mulheres

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O cansaço que não passa e a sobrecarga emocional invisível por trás da rotina das mulheres


A sensação de cansaço constante tem se tornado uma queixa recorrente entre mulheres, mesmo quando não há, necessariamente, um esforço físico extremo que justifique esse estado. Mais do que fadiga corporal, o que muitas relatam é um esgotamento mental persistente, difícil de nomear e ainda mais difícil de interromper.
Esse cenário está diretamente relacionado à sobrecarga emocional invisível, resultado do acúmulo de múltiplos papéis exercidos simultaneamente. Trabalho, cuidado com a casa, demandas familiares, gestão da rotina e, muitas vezes, a tentativa de manter uma vida pessoal equilibrada criam um ciclo contínuo de exigência. Mesmo nos momentos de descanso, a mente segue ocupada.
Dados do IBGE mostram que mulheres brasileiras dedicam quase o dobro do tempo que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Esse desequilíbrio contribui para uma jornada ampliada, que não termina ao fim do expediente formal e que impacta diretamente a saúde mental.
Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, o cansaço relatado por muitas mulheres não pode ser compreendido apenas como falta de descanso físico. "Existe uma sobrecarga psíquica importante, que vem da necessidade de dar conta de múltiplas demandas ao mesmo tempo, muitas delas invisíveis e não reconhecidas. Isso gera um estado de alerta constante, como se nunca fosse possível desligar completamente", explica.
Segundo a especialista, essa sobrecarga está ligada não apenas às tarefas em si, mas à responsabilidade emocional envolvida em cada uma delas. "Não é só fazer, é lembrar, organizar, antecipar, cuidar do outro e, ao mesmo tempo, sustentar expectativas de desempenho em diferentes áreas da vida", afirma.
Na prática, esse esgotamento pode se manifestar de formas sutis. Irritabilidade frequente, dificuldade de concentração, sensação de estar sempre atrasada, falta de energia mesmo após períodos de descanso e perda de interesse por atividades antes prazerosas são alguns dos sinais.
"Muitas mulheres normalizam esse estado de exaustão, como se fosse parte inevitável da rotina. Isso faz com que o sofrimento passe despercebido ou seja minimizado", pontua Andrea.
Outro fator que intensifica o problema é a pressão por desempenho constante. A expectativa de ser produtiva, presente, organizada e emocionalmente equilibrada ao mesmo tempo cria um padrão difícil de sustentar. "Há uma cobrança interna e externa para dar conta de tudo, o que impede a construção de limites mais saudáveis", diz.
Do ponto de vista psicológico, a ausência de pausas reais compromete a capacidade de recuperação emocional. Mesmo quando há momentos de descanso, eles não são suficientes para interromper o fluxo de preocupações. "O corpo pode até parar, mas a mente continua ativa. Isso mantém o sistema em funcionamento contínuo e impede a sensação de descanso genuíno", explica.
Reconhecer esse cansaço como um sinal, e não como fraqueza, é um passo importante. "O esgotamento emocional não surge de forma repentina. Ele vai se acumulando ao longo do tempo, quando não há espaço para escuta, limites e reorganização da rotina", afirma.
Mais do que buscar soluções imediatas, o enfrentamento passa por uma revisão mais profunda da dinâmica cotidiana. "É preciso questionar o quanto essa sobrecarga está sendo sustentada e quais ajustes são possíveis. Nomear esse cansaço já é uma forma de começar a sair dele", conclui Andrea.




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