Mesmo após negociação, greve de alunos e funcionários na USP é mantida
A USP (Universidade de São Paulo) segue as negociações com estudantes e servidores que estão em greve desde o dia 14 de abril. A paralisação atinge alunos e funcionários e tem como principais exigências as melhorias nas condições de permanência e também do restaurante estudantil, além de melhores condições dos funcionários. Nesta quinta-feira (23), uma nova reunião acontecerá para definir os rumos da paralisação.
À CNN Brasil, a Reitoria da USP afirmou que tem feito mudanças em sua estrutura para atender de forma mais igualitária todos os seus funcionários que não são docentes. “A Reitoria tem atuado na valorização da carreira dos servidores técnicos e administrativos, com a adoção de medidas concretas voltadas à melhoria das condições de trabalho e de remuneração”, informou.
A universidade declarou que atualmente tem analisado o Plano de Valorização da Qualificação, elaborado por servidores em março, e que integra o plano de carreira de cada funcionário. “Cabe, contudo, destacar que o calendário eleitoral de 2026 veda a concessão de benefícios no corrente ano”, pontuou a USP.
No comunicado, a Reitoria informou que implementará dois programas de reintegração de seus servidores, o Renova USP e o novo sistema de mobilidade interna, que devem oferecer capacitação acadêmica a colaboradores com restrições de saúde e de mobilidade.
A resposta da USP também se deve a reivindicações de alunos, como: melhores condições dos bandejões e fim da privatização; aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) para um salário mínimo paulista; ampliação dos programas de permanência estudantil; defesa dos espaços estudantis; e isonomia entre docentes e funcionários.
Procurado pela CNN Brasil, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) informou que entregou uma contraproposta à universidade e que fará uma nova assembleia. O sindicato sinalizou que haverá nesta quinta (23) “um grande ato em conjunto com os estudantes, com milhares de estudantes e trabalhadores da USP, a partir das 16h, que irá em passeata da USP até a Faria Lima”.
Leia na íntegra a nota da Reitoria da USP:
“A Reitoria tem atuado na valorização da carreira dos servidores técnicos e administrativos, com a adoção de medidas concretas voltadas à melhoria das condições de trabalho e de remuneração.
Entre as iniciativas destaca-se o reajuste do vale-refeição, que passou de R$ 45 para R$ 65 por dia a partir de abril. O vale-alimentação foi atualizado de R$ 1.950 para R$ 2.050, e o auxílio-saúde teve aumento de 14,3%.
No mês de março, a Reitoria recebeu um Plano de Valorização da Qualificação, elaborado por um grupo de servidores. O documento encontra-se em análise quanto à sua viabilidade técnica e econômico-financeira. A valorização pretendida será integrada ao plano de carreira da categoria. Cabe, contudo, destacar que o calendário eleitoral de 2026 veda a concessão de benefícios no corrente ano.
Duas demandas recorrentes da categoria também estão em fase de implementação: o programa Renova USP e o novo sistema de mobilidade interna.
O programa Renova USP retoma ações de capacitação e acompanhamento para readaptação funcional. A iniciativa visa atender servidores que enfrentam limitações de saúde ou que atuam em funções em extinção, oferecendo formação específica para sua reinserção em atividades compatíveis com suas condições, por meio de cursos e capacitações.
Já o novo sistema de mobilidade interna busca atender outra demanda histórica dos servidores, promovendo a realocação de pessoal de forma transparente e alinhada às necessidades institucionais e aos interesses dos servidores.
Como parte do processo de diálogo, foram realizadas reuniões com representantes dos servidores técnicos e administrativos nos dias 16 e 22 de abril, com o objetivo de esclarecer medidas e discutir propostas apresentadas pela Reitoria, como a concessão de uma gratificação a todos os funcionários, a exemplo do que foi proposto para o corpo docente, a ser paga a partir de 2027, pelo período de dois anos.
Levantamento realizado pela Reitoria indica que, de 86 unidades e órgãos administrativos da Universidade, 69 registraram nenhuma ou baixa adesão de servidores ao movimento, enquanto 17 apresentaram adesão de moderada a alta desse segmento”.
Leia na íntegra a nota do Sintusp:
“A Assembleia de hoje decidiu manter a greve, aprovando nossa contraproposta, porém a reitoria nos chamou para uma negociação durante nossa assembleia. As pessoas presentes na assembleia (que era híbrida) seguiram em ato para a reitoria e houve a negociação. Não houve muitos avanços na proposta da reitoria. Principalmente com relação a questão dos estudantes.
Estamos em reunião de comando de greve e, assim que possível, enviaremos um informe completo sobre a avaliação do comando de greve acerca da negociação de hoje com a reitoria.
Amanhã haverá nova assembleia e um grande ato em conjunto com os estudantes, com milhares de estudantes e trabalhadores da USP, a partir das 16h, que irá em passeata da USP até a Faria Lima”.
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