Seja bem-vindo
Belo Horizonte,23/04/2026

  • A +
  • A -

"Modo sobrevivência" virou rotina no trabalho e isso está acendendo um alerta nas empresas

revistapegn.globo.com
"Modo sobrevivência" virou rotina no trabalho e isso está acendendo um alerta nas empresas


A sensação de estar sempre cansado, sem tempo e no limite deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de muitos profissionais no Brasil. O chamado "modo sobrevivência", em que a pessoa apenas tenta dar conta das demandas do dia, tem se tornado cada vez mais comum. Esse cenário começa a preocupar empresas, especialistas e o próprio governo. Isso porque o esgotamento não afeta só a saúde do trabalhador, mas também a produtividade, o clima organizacional e os resultados do negócio.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout como um fenômeno relacionado ao trabalho, causado por estresse crônico que não foi gerenciado adequadamente. No Brasil, dados da International Stress Management Association (ISMA-BR) indicam que cerca de 30% dos trabalhadores sofrem com a síndrome.
Parte desse problema está na forma como o excesso de trabalho foi, por muito tempo, visto como sinal de comprometimento. Virar noites, responder mensagens fora do expediente e abrir mão de descanso eram atitudes muitas vezes valorizadas dentro das empresas.
Para Patrícia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, esse entendimento começa a mudar, ainda que lentamente. "Existe uma mudança importante em curso. As empresas estão percebendo que um profissional constantemente exausto não consegue sustentar desempenho no longo prazo, impactando o indivíduo e a organizaçao", afirma.
Essa discussão ganha ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a reforçar a necessidade de as empresas avaliarem e gerenciarem riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Na prática, isso inclui fatores como pressão excessiva, jornadas prolongadas e falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Para especialistas, a mudança coloca a saúde mental no mesmo nível de outras obrigações de segurança do trabalho. Ou seja, deixa de ser um tema opcional e passa a exigir atenção estruturada das empresas. Identificar o esgotamento, no entanto, nem sempre é simples. Os sinais podem aparecer de forma gradual: irritação constante, queda de rendimento, dificuldade de concentração e sensação de exaustão mesmo após períodos de descanso.
"Nem sempre o colaborador vai verbalizar que está sobrecarregado. Por isso, o papel da liderança é fundamental para observar mudanças de comportamento e criar um ambiente seguro para que essas questões possam ser discutidas", explica Patrícia.
Além disso, cresce a necessidade de revisar práticas internas. Metas inalcançáveis, excesso de reuniões e falta de clareza nas prioridades são fatores que contribuem diretamente para o desgaste.
Para os trabalhadores, o alerta também é importante. Sentir-se exausto todos os dias, sem energia para outras áreas da vida, não é um sinal de alta performance — é um indicativo de que algo não está funcionando.
"A tendência é que o tema ganhe ainda mais espaço nos próximos anos, tanto por pressão regulatória quanto por uma mudança de comportamento das novas gerações. A discussão vai além do ambiente corporativo. Trata-se de repensar o que significa, de fato, trabalhar bem e por quanto tempo isso pode ser sustentável", conclui Patrícia.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.